O mercado de trabalho desde 2016: mudanças, impactos e o que ainda está por vir
O mundo do trabalho passou por uma transformação profunda desde 2016, reposicionando três temas no centro do debate: desenvolvimento de líderes, transição de carreira e o futuro do trabalho, de acordo com a consultora de RH, Bia Tartuce. Se há 10 anos a prioridade era manter o emprego em um cenário de crise, hoje profissionais e empresas lidam com um mercado marcado por mudanças constantes, avanço da tecnologia e novas expectativas sobre propósito e bem-estar.
Segundo a Exec Learn, 77% das organizações carecem de profundidade de liderança suficiente em todos os níveis. Paralelamente, o LinkedIn Workplace Learning Report 2025 mostra que apenas 36% das organizações são "campeãs" em desenvolvimento de carreira com programas robustos, enquanto 33% não possuem iniciativas ou estão apenas começando. Esses números deixam claro que carreira e liderança deixaram de ser lineares e previsíveis. Nesse novo contexto, o papel da liderança precisou ser redefinido, segundo Tartuce, que também é mentora de líderes, de carreira e psicóloga.
"Muitos líderes ainda atuam com a mentalidade de controle e comendo rígidos. Hoje, liderar é desenvolver pessoas, criar segurança psicológica e sustentar conversas difíceis com empatia e clareza", afirma. Essa perspectiva se alinha com informações da McKinsey sobre desenvolvimento de pessoas, que mostra que organizações que investem em desenvolvimento de liderança e criam uma cultura de aprendizado contínuo conseguem reter melhor seus talentos e manter equipes mais engajadas.
Ao mesmo tempo, a transição de carreira deixou de ser exceção e passou a integrar a trajetória profissional. Para Bia Tartuce, essa mudança de paradigma representa uma evolução importante. "A transição de carreira não é mais um sinal de fracasso, mas de maturidade e protagonismo. O profissional percebeu que precisa gerir a própria carreira ao longo da vida", comenta.
O LinkedIn Workplace Learning Report 2025 destaca que o progresso na carreira é a principal motivação das pessoas para aprender, e quando os colaboradores não avançam, eles saem e levam suas habilidades para outras organizações. Esse movimento é reforçado por dados que mostram que 71% dos Millennials deixarão uma empresa em 3 anos se não houver oportunidades de desenvolvimento de liderança.
O avanço da inteligência artificial acelera ainda mais esse movimento. De acordo com Future of Jobs Report 2025 do Fórum Econômico Mundial, habilidades humanas como pensamento crítico, inteligência emocional, criatividade e liderança estão entre as mais demandadas até 2030, enquanto tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas. A pesquisa mostra que 170 milhões de novos empregos serão criados nesta década, enquanto 92 milhões de funções serão deslocadas pelas mesmas tendências tecnológicas, resultando em um ganho líquido de 78 milhões de postos.
Para Bia Tartuce, o futuro do trabalho será menos linear e mais baseado em ciclos de aprendizado e reinvenção. "A tecnologia executa processos, mas não substitui a capacidade humana de decidir, se conectar e liderar pessoas. Quem investir no desenvolvimento de habilidades humanas, aceitar transições como parte da jornada e aprender continuamente estará mais preparado para o trabalho que já começou a se desenhar", conclui.
Sobre Bia Tartuce
Bia Tartuce é psicóloga, headhunter, consultora de desenvolvimento organizacional, mentora de carreira e liderança, e sócia fundadora da Toolssearch Gente e Gestão. É co-autora do livro Gestão & Liderança na Prática.
Possui 30 anos de atuação no mundo corporativo em grandes empresas, como Lufthansa, Grupo Servenco, Souza Cruz, Zara, Bravante, Limppano, entre outras empresas.
É formada em Psicologia pela UFRJ, possui MBA em Gestão de Pessoas, Gestão Empresarial pela FGV-RJ e em Modelagem da Cultura Organizacional. Também é coach pela Sociedade Brasileira de Coach (SBC) e pelo Pro Fit.
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