Elas são maioria nas empresas
Pesquisas mostram que o mercado de trabalho deve ter cada vez mais mulheres. A construção civil é exemplo deste cenário
Até 2030, a participação feminina no mercado de trabalho brasileiro deve crescer mais que a masculina, é o que indica estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em junho de 2019. Mudanças culturais, a conquista de direitos e um maior investimento em educação pelas mulheres explicam o movimento. Com mais anos de estudo e em maioria no ensino superior, elas se tornaram uma mão de obra mais qualificada, conforme apontam especialistas.
Os pesquisadores estimam que, daqui onze anos, 64,3% das mulheres consideradas em idade ativa, com 17 a 70 anos, estarão empregadas ou buscando trabalho. No início dos anos 1990, essa parcela era menor (56,1%). Já a participação masculina deve encolher de 89,6% para 82,7% nessas quatro décadas. As projeções foram feitas a partir de dados da Pesquisa Pnad Contínua, do IBGE.
A Brasal Incorporações, de Goiânia, é exemplo desse ambiente dominado pelas mulheres. A empresa do mercado da construção civil contabiliza 24 mulheres e 12 homens no ambiente administrativo, com assistentes, gerentes e engenheiras à frente dos trabalhos. Entre elas, a engenheira de planejamento, custo e controle da empresa, Sarah Stefan Rabelo. Para ela, a realidade na qual está inserida quebra o paradigma do senso comum que diz que as mulheres não costumam se dar bem no dia a dia. “Temos um ambiente de trabalho harmonioso e enxergo como diferencial, a resiliência. As mulheres não entregam os pontos diante dos desafios”, destaca.
Nas obras
Detalhista. Essa é outra característica feminina apontada como diferencial pela arquiteta da construtora, Lia Galera, que trabalha junto com Sarah, e comanda uma equipe de quatro mulheres. “Temos naturalmente um olhar mais sensível para o trabalho, principalmente no que diz respeito ao acabamento. Por isso nossa opinião sempre é solicitada, isso mostra nosso valor”, diz Lia.
Sarah conta que tem uma relação de respeito tanto no comando de sua equipe - composta por nove pessoas, entre homens e mulheres -, quanto com a diretoria. “Quando entro em uma obra ninguém se assusta, não é mais uma novidade uma mulher engenheira. Mas quando visito outras empresas, onde as mulheres não são valorizadas, sinto o espanto das colegas quando falo que ocupo cargo de comando”, relembra Sarah.
Lia também relembra que quando entrou nessa área da construção civil, há cerca de nove anos as coisas foram mais difíceis. “Na primeira construtora que trabalhei fui a primeira arquiteta, tive que buscar espaço e mostrar a importância da minha função. Na Brasal, onde estou há um ano, a adaptação já foi mais fácil, fui recebida com respeito e acolhimento por todos”, conta.
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