SEGS Portal Nacional

Saúde

Só paracetamol? Por que é tão difícil prescrever medicamentos para gestantes

  • Quinta, 23 Mai 2024 18:27
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Enzo Feliciano
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
  • Imprimir

Créditos: Divulgação

Intervenção não medicamentosa pode ser saída para mulheres grávidas lidarem melhor com episódios de dor

“Grávida só pode tomar paracetamol”. A máxima, repetida à exaustão por grávidas e mulheres que outrora estiveram grávidas é um porto seguro para lidar com todos os tipos de queixas que podem aparecer em decorrência de uma gestação. Dor nas costas, dor de cabeça, febre e outros incômodos podem ser tratados com esse anti-inflamatório não esteroidal cujo uso é muito difundido no Brasil. No entanto, embora o paracetamol seja mesmo seguro, não é verdade que gestantes podem ingerir apenas esse tipo de medicamento enquanto estiverem esperando pelo bebê.

Dá para entender a preocupação em receitar qualquer droga para mulheres grávidas. Afinal, no passado já houve casos absurdos de medicamentos que, em maior ou menor grau, causavam problemas para o bebê. Talvez o maior exemplo dessa relação desastrosa tenha sido a talidomida. No final dos anos de 1950, esse fármaco era amplamente receitado para gestantes por conseguir conter um problema típico desse estado: as náuseas. Utilizado por uma quantidade imensa de mulheres grávidas, o medicamento parecia milagroso no combate a esse inconveniente gestacional. Mas havia um perigo escondido sob a eficácia da substância. A talidomida, hoje sabe-se bem, tem efeitos teratogênicos comprovados, ou seja, causa malformação congênita no feto. E foi assim que milhares de bebês nasceram com algum tipo de deficiência causada por um remédio que deveria apenas ajudar as mães a passar pela gestação.

O que é seguro

Seguro para mãe e bebê, o paracetamol se tornou a prescrição básica para gestantes. Mas o conhecimento sobre fármacos e seus efeitos na gestante e no feto e as habilidades de prescrição medicamentosa na gestação, orientada pelos sintomas e etiologias podem contribuir muito para que a mãe não precise passar por esse período em sofrimento. De acordo com obstetra e coordenador do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP), Marcos Takimura, “as gestantes podem utilizar diversos medicamentos, desde que apresentem evidências de segurança farmacológica, o que é definido por classificações de diversas instituições governamentais ligadas à saúde pública”. Ele explica que, até hoje, a mais utilizada é a classificação A, B, C, D, X, do FDA (Federal Drug Administration) - órgão americano que fiscaliza o setor. No hemisfério norte, essa classificação foi substituída pelo PLLR (Pregnancy and Lactation Labeling Rule), mas ela ainda é segura e muito utilizada no Brasil.

Que outros medicamentos podem ser usados?

“Esse é um tema muito espinhoso e repleto de controvérsias. As opiniões divergem entre profissionais, apesar de haver alguns consensos. A maioria dos obstetras precisa recorrer a manuais de prescrição médica na gravidez, além de buscar referências na própria experiência e na troca de informações com outros especialistas”, afirma Takimura. Entretanto, dependendo da intensidade e da causa da dor, há algumas opções de medicamento para serem usados na gravidez.

“Por exemplo, para dores de fraca intensidade, no Brasil se usa muito paracetamol e dipirona, apesar deste último ser contraindicado nos EUA. Para dores de maior intensidade, opiáceos, pelo menor tempo possível e dependendo da fase da gestação. Especificamente para dores em cólicas, escopolamina associado à dipirona e ao paracetamol. Para dores de cabeça com características de enxaqueca, cafeína associada à dipirona, e triptanos”, pontua o especialista. Ele afirma, ainda, que para dores musculares é possível usar relaxantes musculares sem associação com anti-inflamatórios. Já os anti-inflamatórios não hormonais devem ser evitados ao longo de toda a gravidez. Entretanto, essas prescrições precisam ser feitas pelo obstetra que acompanha a gestação e a automedicação é altamente contraindicada nessa fase.

Sem remédios

Além das opções de medicamentos, há uma ampla gama de intervenções não medicamentosas indicadas para gestantes. Elas passam por mudança de hábitos alimentares, cortando alimentos que causam intolerâncias digestivas ou cólicas, pela prática de atividades físicas leves e alongamentos articulares e até pela correção postural, que pode contribuir para melhorar os desvios de coluna que são habituais nesse período.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+SAUDE ::

Mar 26, 2026 Saúde

Medicina do estilo de vida: o que é e por que está…

Mar 26, 2026 Saúde

Chegada do outono alerta para aumento de doenças…

Mar 26, 2026 Saúde

Fome fora de hora e queda de energia? Saiba quando isso…

Mar 25, 2026 Saúde

Câncer de colo do útero está entre os mais incidentes…

Mar 25, 2026 Saúde

Nem todo mundo precisa emagrecer: o risco invisível…

Mar 25, 2026 Saúde

Outono intensifica preocupação com doenças…

Mar 24, 2026 Saúde

Enfrentamento do câncer de mama requer aplicação…

Mar 24, 2026 Saúde

Saúde bucal na infância: 41% das crianças sofrem com…

Mar 24, 2026 Saúde

Tosse persistente: quando é hora de procurar um…

Mar 23, 2026 Saúde

Hipertensão mascarada: quando a pressão parece normal…

Mar 23, 2026 Saúde

Nutrição adequada, atividade física e cuidado integrado…

Mar 23, 2026 Saúde

Tosse por mais de três semanas não é normal e pode…

Mar 20, 2026 Saúde

Nova diretriz internacional faz recomendação contra…

Mar 20, 2026 Saúde

4 estratégias que realmente ajudam no emagrecimento no…

Mar 20, 2026 Saúde

Além da higiene bucal: mitos e verdades sobre o mau…

Mar 19, 2026 Saúde

Queda de cabelo exige investigação e cuidados corretos…

Mais SAUDE>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version