SEGS Portal Nacional

Saúde

Trombose e Covid-19: médica hematologista explica a relação

  • Quinta, 24 Agosto 2023 18:20
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Cintia Miyuki
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
  • Imprimir

Covid-19 está associada ao aumento do risco de trombose - Freepik

Infecção de Covid-19 favorece formação de coágulos sanguíneos, podendo causar complicações graves; médica hematologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz responde perguntas sobre o tema

A trombose é uma doença que ocorre quando ocorre a formação de um coágulo sanguíneo, que bloqueia o fluxo de sangue, causando dor e inchaço na região afetada. Por se tratar de uma doença perigosa, que pode causar complicações graves, profissionais de saúde promovem anualmente, no dia 13 de outubro, o Dia Mundial de Trombose, para alertar e conscientizar a população. Desde 2020 e da pandemia de Covid-19, a formação de coágulos sanguíneos tem sido apontada como umas das complicações mais preocupantes causadas pela infecção. Com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre a ocorrência de trombose em pacientes com Covid-19, ou aqueles que já tiveram a doença, a Dra. Daniela Palheiro, médica hematologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, responde perguntas sobre o tema, incluindo causas, medidas de prevenção e tratamento.

Como a Covid-19 está associada ao aumento do risco de trombose em pacientes?

O aumento do risco de trombose se dá por diversas causas, como inflamação sistêmica. A Covid-19 pode desencadear uma resposta inflamatória excessiva no corpo, conhecida como "tempestade de citocinas", afetando a função do sistema de coagulação e favorecendo a formação de coágulos. Os coágulos sanguíneos, também chamados de trombos, prejudicam a circulação, podendo levar a complicações graves, como ataques cardíacos, derrames e embolia pulmonar. Outro fator importante é a lesão endotelial causada pelo vírus nas células que revestem os vasos sanguíneos, o que também favorece a formação de coágulos.

Quais grupos de pacientes com Covid-19 têm um risco particularmente elevado de trombose?

Pacientes hospitalizados em estado grave apresentam risco mais elevado de desenvolver trombose, devido a vários fatores, incluindo inflamação, imobilização prolongada, intervenções médicas invasivas e maior exposição a fatores de risco. Além disso, pacientes com doenças cardiovasculares pré-existentes, como doença cardíaca coronária, hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, e pacientes com comorbidades, como diabetes, obesidade e neoplasias, idosos e mulheres grávidas também estão entre os grupos de risco.

Quais são os sintomas de trombose que os pacientes com Covid-19 ou que já tiveram a doença devem ficar atentos?

Os sintomas de trombose variam dependendo do local onde o coágulo sanguíneo se forma. É importante observar que os sintomas de trombose em pacientes com Covid-19 ou em pessoas que já tiveram a doença são semelhantes aos sintomas de trombose em outras situações. Quadros de trombose venosa profunda (TVP) nas veias das pernas ou braços podem levar a inchaço, dor ou sensibilidade, vermelhidão, ou sensação de calor na área afetada. No caso da embolia pulmonar (EP), que ocorre quando um coágulo é transportado até os pulmões por meio da circulação, os sintomas podem ser súbitos e graves, como falta de ar intensa, dor no peito, tosse com sangue e batimento cardíaco acelerado.

Quais são as medidas de prevenção adotadas em pacientes com Covid-19 para evitar o risco de trombose?

Durante a pandemia, muitos hospitais adotaram protocolos de anticoagulação profilática para pacientes hospitalizados com Covid-19, especialmente aqueles em estado grave, incluindo a administração de doses baixas de anticoagulantes, como heparina de baixo peso molecular, para reduzir o risco de formação de coágulos. Em casos de pacientes que não podiam receber heparina, dispositivos de compressão pneumática intermitente eram usados para ajudar a prevenir a formação de coágulos em pacientes com Covid-19 que estavam imobilizados ou tinham risco elevado de trombose. Além disso, os profissionais de saúde avaliam o risco de trombose em paciente com Covid-19, com base em fatores como idade, histórico médico, gravidade da doença e presença de outras comorbidades. Pacientes de alto risco para trombose podem precisar de profilaxia após a alta hospitalar.

Como é feito o tratamento de pacientes com Covid-19 que desenvolvem trombose?

O tratamento padrão para a trombose envolve o uso de anticoagulantes, como heparina de baixo peso molecular, ou anticoagulantes orais diretos por 3 a 6 meses. Durante a COVID-19 uso de antagonistas de vitamina K é dificultado por interações com outros medicamentos, que podem interferir na eficácia e segurança, por isso em geral não são a primeira escolha. Os anticoagulantes ajudam a prevenir a formação de coágulos adicionais e reduzem o risco de complicações pós-trombóticas. Além do tratamento específico da trombose, os pacientes podem precisar de oxigênio suplementar, tratamento direcionado para complicações respiratórias ou cardiovasculares associadas à doença.

Os pacientes que se recuperaram da Covid-19 ainda apresentam risco elevado de trombose após a infecção aguda?

Pacientes com Covid-19 com complicações tromboembólicas têm maior risco de morte e podem ter a qualidade de vida afetada negativamente mesmo após a recuperação. Além disso, dados recentes relatam que o risco de tromboembolismo permanece alto até seis meses após a infecção por Covid-19. Pesquisas estão em andamento para estudar o risco de trombose a longo prazo em pacientes que tiveram Covid-19.

Quais são as recomendações para o acompanhamento a longo prazo de pacientes com histórico de trombose relacionada à Covid-19?

Os pacientes que sofreram trombose relacionada à Covid-19 devem continuar a fazer visitas médicas regulares para monitorar sua saúde cardiovascular. Durante as consultas, o médico pode fornecer orientações sobre tratamento e prevenção de tromboses e suas consequências. Uma medida importante para evitar a síndrome pós-trombótica em pacientes com histórico de TVP é o uso de meias elásticas de média compressão. Esta é uma medida simples que diminui sintomas como dor crônica, edema, alterações na colocação da pele, veias varicosas e úlceras no membro. Exames de sangue e imagem periódicos também podem ser realizados para monitorar a saúde dos pacientes. A adoção de um estilo de vida saudável, incluindo dieta equilibrada, atividade física regular, abstenção do tabaco e do álcool em excesso, podem ajudar a reduzir o risco de trombose e melhorar a saúde cardiovascular.

Há alguma relação entre a vacina de Covid-19 e casos de trombose?

As vacinas para Covid-19 Astrazeneca e Janssen que usam adenovírus foram relacionadas a um fenômeno muito raro de trombose com trombocitopenia após a primeira dose, também conhecido como VITT, de causa completamente diferente das tromboses usuais. A doença se desenvolve a partir da produção de anticorpos que podem levar a trombose em lugares incomuns, como vasos cerebrais e abdominais até 30 dias depois da vacinação. No entanto, no início da campanha de vacinação em 2021, estudos mostraram que o risco de desenvolver trombose após tomar a vacina era muito menor que após contrair Covid-19. As vacinas desempenharam papel crucial na redução da mortalidade e dos casos graves de Covid-19 no Brasil e no mundo. Em relação ao risco de desenvolver trombose após vacinação, os trabalhos não mostraram risco aumentado, mesmo após vacinas de RNA bivalentes para Covid-19, usadas atualmente. Vale ressaltar que pacientes que já tiveram trombose por outros motivos não tem risco aumentado para desenvolverem VITT, e, portanto, não apresentam contraindicação para vacinação.

Sobre o Dia Mundial da Trombose – No dia 13 de outubro é lembrado o Dia Mundial da Trombose, que tem como objetivo aumentar a consciência sobre a trombose entre profissionais da saúde, pacientes e entidades do governo e do terceiro setor. No entanto, devemos estar em alerta para essa afecção todos os dias. Em âmbito global, a campanha desta efeméride é liderada pela Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH, na sigla em inglês) e, no Brasil, por entidades médicas, entre as quais se destaca a Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH). Para saber mais, acesse o site do Dia Mundial da Trombose e também o site da SBTH.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+SAUDE ::

Mar 27, 2026 Saúde

Endometriose: Entender a dor é o primeiro passo para o…

Mar 27, 2026 Saúde

Os impactos do excesso de chocolate na pele, na…

Mar 27, 2026 Saúde

Medicina de precisão aumenta pressão por testes capazes…

Mar 26, 2026 Saúde

Medicina do estilo de vida: o que é e por que está…

Mar 26, 2026 Saúde

Chegada do outono alerta para aumento de doenças…

Mar 26, 2026 Saúde

Fome fora de hora e queda de energia? Saiba quando isso…

Mar 25, 2026 Saúde

Câncer de colo do útero está entre os mais incidentes…

Mar 25, 2026 Saúde

Nem todo mundo precisa emagrecer: o risco invisível…

Mar 25, 2026 Saúde

Outono intensifica preocupação com doenças…

Mar 24, 2026 Saúde

Enfrentamento do câncer de mama requer aplicação…

Mar 24, 2026 Saúde

Saúde bucal na infância: 41% das crianças sofrem com…

Mar 24, 2026 Saúde

Tosse persistente: quando é hora de procurar um…

Mar 23, 2026 Saúde

Hipertensão mascarada: quando a pressão parece normal…

Mar 23, 2026 Saúde

Nutrição adequada, atividade física e cuidado integrado…

Mar 23, 2026 Saúde

Tosse por mais de três semanas não é normal e pode…

Mar 20, 2026 Saúde

Nova diretriz internacional faz recomendação contra…

Mais SAUDE>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version