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Saúde Mental: Depressão e ansiedade podem causar diversos males físicos

  • Terça, 24 Janeiro 2023 18:21
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Pollyana Cabral
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Acolher, dialogar e compartilhar os problemas têm resultados terapêuticos e podem melhorar o quadro físico e emocional em pessoas com tais males

Janeiro é o mês ligado a necessidade de conscientização para doenças que atingem todas as idades e classes sociais: a depressão e a ansiedade. De acordo com estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo (9,3%) e o segundo maior das Américas em depressão (5,8%). São dados alarmantes. Estar em dia com a saúde mental e ter consciência de que o problema existe é o primeiro passo e o mais difícil para um indivíduo.

No contexto familiar, de trabalho e financeiro do Brasil e todo o mundo de hoje, é muito comum os transtornos de comportamento como a ansiedade e os sintomas depressivos. “É comum o paciente se acostumar e achar que este é o seu estado normal. Em muitas das vezes, ele não percebe a gravidade da situação e passa a subestimar o que está passando, o que pode afetar a sua qualidade de vida”, explica Thiago Taya, médico Neurologista e Neuroimunologista do Hospital Brasília Águas Claras, pertencentes à Dasa, maior rede de saúde integrada do país.

Como esses sintomas não se instalam da noite para o dia na maioria das vezes, o diagnóstico costuma demorar e, quando ocorre, passa a impactar na vida cotidiana. Segundo o neurologista, a ansiedade e a depressão alteram o padrão de metabolismo cerebral, e assim, podem gerar sintomas neurológicos como defasagem no padrão de sono, desorganização de pensamento, dificuldade de manter a atenção, de memorizar ou de aprender coisas novas. “A pessoa passa a viver e agir de forma automática e pouco consciente em várias ocasiões, quadro que altera todo o desempenho profissional, acadêmico e até na sua vida pessoal, por exemplo “, explica.

O paciente precisa entender que não está bem e, principalmente, não subestimar os sintomas. E é difícil de acreditar em uma doença que não se vê, ou seja, que não demonstra alterações objetivas em exames corriqueiros, por exemplo, fazendo com que exista um preconceito em relação à estas condições, as quais não devem ser interpretadas como fraqueza do indivíduo, corpo mole, e sim algo sério, uma doença”, diz o médico.

Problemas com a saúde mental representam mais de um terço do processo de incapacidade em todo o mundo. “A ansiedade pode gerar consequências físicas, contribuindo para o surgimento de doenças neurológicas, cardiológicas e gastrointestinais, por exemplo. As pessoas precisam ter cautela para não se acostumarem aos sintomas, e uma reflexão do seu estado mental diário é uma boa forma de ter vigilância em relação a isto, e buscar tratamento e auxílio médico é sempre importante”, propõe Taya.

Coração e males associados – É comum surgirem sintomas similares a crises cardíacas nos portadores de ansiedade. “Quase diariamente temos casos no hospital de pacientes com problemas associados a crise de ansiedade, que podem evoluir a uma Síndrome do Pânico. O paciente tem sensações de taquicardia, falta de ar, dor no peito, confusão e sudorese, um quadro idêntico ao infarto ou ataque cardíaco”, analisa Nubia Vieira, cardiologista e diretora médica do Hospital Brasília unidade Águas Claras, pertencentes à Dasa, maior rede de saúde integrada do país. Segundo Núbia, tal situação tem chances de evoluir para uma cardiopatia real, e não apenas psicológica.

Outra possibilidade é a chamada “Síndrome do Coração Partido”, onde basicamente há uma liberação de substâncias químicas nocivas ao coração em uma situação extrema, de muito stress. “O coração entra em sofrimento, mesmo não havendo uma cardiopatia, até o ponto de o órgão ficar comprometido. Essa situação pode ser reversível, mas alguns pacientes não voltam ao que era antes, o que leva à hipertensão, descontrole na glicemia, arritmias mais graves, e outros sintomas idênticos a um infarto”, define Núbia Vieira. Segundo a cardiologista, o profissional precisa ter empatia e saber escutar o paciente, reconhecer os sintomas e, chegar a um diagnóstico de ansiedade, ou algo mais grave.

Dores gastrointestinais – Sabe-se que a comunicação entre o cérebro e o intestino é feita por uma espécie de rede neurológica. Qualquer sensação de desconforto emocional pode refletir no estomago e (ou) intestino, ou vice-versa. “É um eixo de mão dupla. Pacientes com alguma enfermidade psiquiátrica podem desenvolver quadros intestinais funcionais. Algumas pessoas chegam aqui com quadro de dor abdominal, diarreia etc. Este quadro de dor e desconforto provavelmente está ligado ao quadro emocional,” observa Zuleica Bortoli, gastroenterologista e coordenadora o Núcleo de Doenças Intestinais Complexas do Hospital Brasília Unidade Lago Sul e Hospital Brasília Unidade Águas Claras.

Segundo Bortoli, há uma necessidade de excluir a doença física (orgânica) para chegar diagnostico de doenca funcional ou com fundo emocional. Dessa forma, inicialmente são feitos exames laboratoriais associados ou não a exames endoscópicos e radiológicos, a depender de cada caso. “Precisamos fazer uma anamnese minuciosa para entender o contexto de vida do paciente. Excluir doenças físicas e, por consequência, chegar a um diagnóstico de doença funcional, relacionada ao quadro emocional. Nesse caso, sugerimos o tratamento psicológico e (ou) psiquiátrico em conjunto. Geralmente, após o início de terapias para depressão/ansiedade, estes pacientes deixam de usar medicamentos voltados para o desconforto gastrointestinal”, comenta Bortoli.


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