SEGS Portal Nacional

Saúde

Pé Diabético é responsável por até 70% das amputações não traumáticas de membros inferiores

  • Segunda, 07 Novembro 2022 18:14
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Elenice Cóstola
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
  • Imprimir

Dear Digital - Divulgação

Condição se manifesta por meio de úlceras, lesões ou feridas que não cicatrizam

Em 14 de novembro é instituído o Dia Mundial do Diabetes, condição de alta ocorrência entre os brasileiros. Desenvolvida pela falta da insulina no sangue, ou pela resistência do organismo a este hormônio, a doença demanda atenção com o corpo, em especial com os membros inferiores. Diabéticos apresentam uma incidência anual de úlceras nos pés de 2% e um risco de 19 a 34% em desenvolvê-las ao longo da vida, aponta as Diretrizes do International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF) do 34º Congresso da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, de 2020.

A complicação mais frequente entre os pacientes é o Pé Diabético, que é responsável por 40 a 70% do total de amputações não traumáticas de membros inferiores na população geral. O Pé Diabético é caracterizado por alterações neurológicas nos pés, com o surgimento de úlceras e feridas. De acordo com o cirurgião vascular, integrante da Comissão de Pé Diabético e diretor da Seccional de Ribeirão Preto da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dr. Luciano Rocha Mendonça, por conta do diabetes, os ferimentos demoram a cicatrizar, o que torna o membro uma porta de entrada para infecções que são mais frequentes nesses pacientes, consequentemente, a incidência de amputações é alta. Seus sintomas são a perda de sensibilidade ou a sensação exacerbada de dor, diminuição da força, alteração da sudorese local - que provoca ressecamento e formação de calosidades -, queimação, pontadas, mudança da temperatura ou da cor do membro, além de dor ao andar (claudicação).

Esse distúrbio pode gerar ainda mais complicações, como, por exemplo, desvios ósseos. O mais comum são os dedos em garra, situação em que a área da planta do pé fica em contato com as saliências ósseas. Outra manifestação de Pé Diabético é o desenvolvimento do Pé de Charcot, uma alteração anatômica em que há o desabamento das estruturas ósseas no meio do pé, formando o chamado “pé em mata borrão”. Nos dois casos, ulcerações nas áreas de maior pressão podem se formar (mal perfurante plantar) e propiciar o aparecimento de infecções que são uma das principais causas de internação e mortalidade no paciente diabético.

As alterações metabólicas relacionadas ao diabetes aparecem após alguns anos nos portadores da doença. Portanto, quanto maior o tempo de doença, maior a chance de desenvolver complicações, principalmente naqueles pacientes que não apresentam o controle satisfatório. O atraso no diagnóstico – situação que se intensificou durante o período de isolamento social – também pode prejudicar o quadro. “Notamos na prática diária que a interrupção do tratamento dos pacientes e a diminuição da procura por atendimento médico durante a pandemia aumentou a gravidade da doença, refletindo, inclusive, no número de amputações dos membros”, analisa Dr. Mendonça.

Para a prevenção do Pé Diabético, o médico pode considerar a avaliação da sensibilidade por meio do teste do probe (filamentos de Semmes-Weinstein) e das condições circulatórias. “Pacientes sem histórico de feridas e com o teste do probe normal devem ser avaliados anualmente. Os que apresentarem alterações de sensibilidade no teste (perda de sensibilidade protetora), mas sem feridas, devem ser examinados a cada seis meses e orientados quanto ao uso de calçados especiais. Diabéticos com histórico de feridas já cicatrizadas devem ser avaliados a cada três meses”, orienta Dr. Luciano.

Segundo o profissional, para evitar o desenvolvimento dessa condição, é importante que o paciente diabético preste atenção na saúde dos pés e adote alguns cuidados:

- Não fumar;
- Examinar entre os dedos e inspecionar diariamente se há bolhas, cortes e arranhões. O uso de um espelho pode ajudar a ver a base dos pés. Notificar um médico caso tenha a presença de lesões;
- Lavar os pés diariamente e enxugar cuidadosamente entre os dedos;
- Evitar temperaturas extremas. Antes do banho, testar a temperatura da água com a mão, o cotovelo ou um termômetro;
- Aquecer os pés utilizando meias. Não usar bolsas de água quente, almofadas aquecidas ou cobertor elétrico;
- Não andar descalço sobre superfícies como areia da praia ou em torno de piscinas;
- Não usar substâncias químicas para remoção de calos e calosidades, emplastro de milho ou soluções antissépticas fortes;
- Inspecionar o interior dos sapatos, à procura de corpos estranhos, pontas de pregos, rompimentos da forração, áreas ásperas ou presença de secreções;
- Os sapatos devem ser confortáveis, desde a sua aquisição. Dê preferência aos feitos de couro e de fornecedores que entendam sobre o Pé Diabético;
- Tênis de corrida ou especiais para caminhar podem ser usados, após conversar com seu médico;
- Não usar sapatos sem meias. Evite calçados com tiras entre os dedos;
- As unhas devem ser cortadas seguindo seus contornos. Não lesionar a cutícula. Não cortar calos e calosidades.

“A prevalência do diabete mellitus é alta, e vem crescendo muito, principalmente a do tipo 2, que está associada a resistência à insulina, provocada pela obesidade. Dessa forma, a educação alimentar é importantíssima, e o cuidado com o paciente diabético deve sempre ser multidisciplinar. Muitos desses pacientes acabam evoluindo com retinopatia e a neuropatia diabética, ou seja, o paciente não enxerga bem e tem a sensibilidade dos pés diminuída. Isso prejudica muito o autocuidado, sendo necessário a participação ativa dos familiares”, comenta o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Dr. Fabio H. Rossi.

Ainda, segundo Dr. Fabio, nos estágios mais avançados podem ocorrer alterações no formato dos pés e o aparecimento de feridas que, quando associadas à isquemia vascular, se tornam a principal causa de amputação dos membros em nossa sociedade. “Nesse momento, a ação do cirurgião vascular é importantíssima, pois, por meio dos cuidados locais da ferida e, sobretudo, com a revascularização do membro isquêmico, é possível evitar amputações maiores, que levam a um prognóstico de sobrevida sombrio, muito semelhante ao câncer metastático”, reforça o presidente da SBACV-SP.

Em todos os casos, o acompanhamento médico adequado é essencial para o monitoramento do diabetes e suas complicações, e para proporcionar qualidade de vida ao paciente. A SBACV-SP tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular para toda a população. Para outras informações acesse o site e siga as redes sociais da Sociedade (Facebook e Instagram).

Sobre a SBACV-SP

A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo – SBACV-SP, entidade sem fins lucrativos, é a Regional oficial da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) no estado de São Paulo. A entidade representa os médicos que atuam nas especialidades de Angiologia e de Cirurgia Vascular, nas áreas de atuação de Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular, Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia, Ecografia Vascular e outras áreas afins às especialidades.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+SAUDE ::

Mar 27, 2026 Saúde

Endometriose: Entender a dor é o primeiro passo para o…

Mar 27, 2026 Saúde

Os impactos do excesso de chocolate na pele, na…

Mar 27, 2026 Saúde

Medicina de precisão aumenta pressão por testes capazes…

Mar 26, 2026 Saúde

Medicina do estilo de vida: o que é e por que está…

Mar 26, 2026 Saúde

Chegada do outono alerta para aumento de doenças…

Mar 26, 2026 Saúde

Fome fora de hora e queda de energia? Saiba quando isso…

Mar 25, 2026 Saúde

Câncer de colo do útero está entre os mais incidentes…

Mar 25, 2026 Saúde

Nem todo mundo precisa emagrecer: o risco invisível…

Mar 25, 2026 Saúde

Outono intensifica preocupação com doenças…

Mar 24, 2026 Saúde

Enfrentamento do câncer de mama requer aplicação…

Mar 24, 2026 Saúde

Saúde bucal na infância: 41% das crianças sofrem com…

Mar 24, 2026 Saúde

Tosse persistente: quando é hora de procurar um…

Mar 23, 2026 Saúde

Hipertensão mascarada: quando a pressão parece normal…

Mar 23, 2026 Saúde

Nutrição adequada, atividade física e cuidado integrado…

Mar 23, 2026 Saúde

Tosse por mais de três semanas não é normal e pode…

Mar 20, 2026 Saúde

Nova diretriz internacional faz recomendação contra…

Mais SAUDE>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version