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A importância da medicina preventiva para os recém-nascidos

  • Quinta, 01 Setembro 2022 12:15
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Alice Vieira
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Antonio Condino-Neto*

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sem a Covid-19, a expectativa de vida dos brasileiros teria crescido de 76,6 anos, em 2019, para 76,8 anos, em 2020, sendo um aumento de 2 meses e 26 dias. Em cinco anos, a expectativa de vida subiu 1,3 ano, enquanto em dez anos houve um crescimento de 3,3 anos.

Um dos fatores responsáveis por essa longevidade é a medicina preventiva, que consiste em evitar o desenvolvimento de doenças, reduzindo os impactos de eventuais problemas na saúde dos pacientes e, consequentemente, proporcionando uma melhor qualidade de vida para pessoas que fazem algum tipo de tratamento.

O conceito de medicina preventiva surgiu no século XX, com o objetivo de mudar o foco da prática médica, que se concentrava apenas no tratamento das doenças, para uma visão mais voltada à promoção da saúde. Essa área da saúde possui técnicas e estratégias voltadas para prevenção e intervenção precoce de doenças.

Por essa razão, o tratamento pode começar a partir de qualquer idade. O teste do pezinho é uma forma de medicina preventiva, sendo feito em crianças recém-nascidas e realizado a partir das gotas de sangue coletadas do calcanhar do bebê, permitindo identificar doenças graves assintomáticas ao nascimento e que podem causar sérios danos à saúde, caso não sejam diagnosticadas e tratadas precocemente.

Diante disso, as primeiras horas de vida de um recém-nascido são determinantes para a eventual descoberta de enfermidades, principalmente doenças relacionadas à imunodeficiência primária. Tratam-se de condições de difícil diagnóstico e que por vezes são assintomáticas ao nascimento. As melhores chances para quem sofre com essas doenças estão relacionadas ao diagnóstico precoce para que o melhor plano de tratamento e cuidado sejam iniciados o quanto antes.

Quando falamos sobre a importância da medicina preventiva para os recém-nascidos, fazer o teste do pezinho figura entre os fatores essenciais, visto que a realização do exame possibilita reduzir mortalidade, sequelas, sofrimento e custo social, causadas por doenças congênitas graves. Atualmente, o exame foi ampliado e envolve até 50 novas doenças raras, incluindo a triagem das imunodeficiências. Antes, o teste do pezinho englobava apenas seis doenças. O Governo Federal sancionou o Projeto de Lei em maio de 2021 e o Sistema Único de Saúde (SUS) ficou responsável pela implementação, que deve durar quatro anos.

Além do teste do pezinho, outras formas de medicina preventiva para recém-nascidos são a realização de exames periódicos de rotina desde o nascimento. O Ministério da Saúde sugere um calendário mínimo de consultas, sendo o total de sete nos primeiros 18 meses de vida. Aliado a isso, está o calendário de vacinação, que deve ser cumprido com responsabilidade e rigor pelos pais.

A medicina preventiva é um processo que pode ser construído ao longo da vida de uma pessoa, começando quando bebê e se estendendo até a terceira idade. O principal objetivo é tentar garantir saúde e qualidade de vida, evitando o desenvolvimento e agravamento de possíveis doenças que podem nos acometer ao longo dos anos.

Os primeiros 1000 dias de vida são determinantes no desenvolvimento da criança e futuro adulto. Devemos zelar por todas medidas de medicina preventiva cabíveis para a proteção da criança. Destacamos o teste do pezinho, feito logo ao nascimento. A sociedade brasileira deve estar atenta e exigir dos governantes o cumprimento da lei de ampliação da triagem neonatal, que como mencionei, passou de 6 para 50 doenças detectadas, dentre as quais a triagem dos erros inatos da imunidade.

*Antonio Condino-Neto, médico e pesquisador, é sócio-fundador da Immunogenic, primeiro laboratório especializado em triagem neonatal dos Erros Inatos da Imunidade por meio do teste do pezinho. Condino-Neto fez pós-doutorado em Medicina molecular na Universidade de Massachusetts, é PhD em Farmacologia pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), no qual foi Professor Titular e coordenador do Laboratório de Imunologia Humana. O especialista é livre docente pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Com mais de 35 anos de experiência, Condino-Neto atua, ainda, como Diretor na Fundação Jeffrey Modell São Paulo, instituição americana voltada para o conhecimento das Imunodeficiências Primárias, e é membro do Comitê de Erros Inatos da Imunidade (EII) da Academia Americana de Asma Alergia e Imunologia.


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