SEGS Portal Nacional

Saúde

Herpes zóster: uma doença difícil, mas que tem tratamento e conta com vacina eficaz

  • Terça, 16 Agosto 2022 10:26
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Daniela Figueiredo
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
  • Imprimir

Por Sandra Gomes de Barros *

Já ouviu falar de herpes zóster? Mais popularmente conhecido como “cobreiro”, o herpes zóster é uma doença que causa erupção cutânea dolorosa, quase sempre com o aparecimento de bolhas. Ela surge pela reativação do vírus varicela-zoster (que, por sua vez, é o causador da catapora), que em muitos casos persiste, adormecido, no organismo após a pessoa desenvolver a doença durante a infância ou a adolescência. Entre outros sintomas que podem surgir nos casos leves, há febre, dor de cabeça e tremores.

Contudo, justamente por não ser tão conhecida e por não exigir notificação junto aos agentes de saúde, pois não é contagiosa, a doença tem poucos dados oficiais disponíveis, então é difícil estabelecer um cenário preciso a seu respeito. Um estudo da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), publicado em 2021, mostrou que o número de casos de herpes zóster aumentou 35,4%, na média, de pouco mais de 30 casos/milhão de habitantes, antes da pandemia de Covid-19, para quase 41 casos/milhão de pessoas em 2020.

A complicação que mais preocupa nos quadros agudos de herpes zóster é a chamada neuralgia pós-herpética (NPH), que se caracteriza pela ocorrência de dor neuropática. O quadro causa sensação de queimação, agulhada, choque, formigamento ou adormecimento e pode comprometer bastante a qualidade de vida do paciente. A condição normalmente surge cerca de um mês depois do aparecimento das bolhas.

O risco de desenvolver o herpes zóster aumenta com a idade. Assim, pessoas idosas têm mais chance de ter a doença em sua forma mais grave, associada à NPH. Ao longo de toda a vida, cerca de 30% da população pode desenvolver a doença. Porém, ela também pode ser desencadeada por estresse e baixa imunidade, o que faz com que atinja muitas pessoas fora da principal população de risco. O fator emocional, que interfere na imunidade, é um caminho para explicar a reativação do vírus.

Além da possibilidade de a pessoa desenvolver a NPH, que vira uma dor crônica, o herpes zóster pode atingir cérebro e pulmões de pessoas incluídas na população mais vulneráveis, causando pneumonia, cegueira, encefalite e podendo levar a óbito. Vale lembrar, também, que é comum que pessoas idosas tomem diferentes remédios, o que facilita a interação medicamentosa e torna o tratamento ainda mais complexo.

O diagnóstico é realizado por exames clínicos e pela observação da evolução do quadro clínico-epidemiológico. O tratamento geralmente é realizado por meio do uso de antivirais e analgésicos, que devem ser prescritos por um médico de confiança.

Recentemente, foi disponibilizada no Brasil uma nova opção de vacina inativada recombinante contra o herpes zóster. A vacina Shingrix atua de maneira diferente da vacina até então disponível, a Zostavax – composta por vírus vivo atenuado. A Shingrix tem uma vantagem importante, pois é segura também para a população imunossuprimida em razão de doenças ou do uso de medicamentos imunossupressores – os quais, inclusive, aumentam as chances de desenvolvimento da doença. Indicada para adultos a partir de 50 anos de idade e para pessoas com mais de 18 anos com risco aumentado de herpes zóster, a proteção dessa vacina dura até 10 anos.

É muito importante que as pessoas dentro da faixa indicada se vacinem contra o herpes zóster. Além disso, também é essencial que as pessoas mais jovens, que dadas as crescentes exigências do mercado de trabalho, as complexidades no dia a dia das grandes cidades e as dificuldades de relacionamento tão típicas deste momento em que tudo é digital – inclusive a vida perfeita dos outros, não a nossa –, estão comprometendo a própria saúde mental. Fora dos grupos de risco, a manutenção da qualidade de vida e da saúde global, física e mental, é crítica para evitar o surgimento de herpes zoster.

* Sandra Gomes de Barros é infectologista e professora do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro – Unisa.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+SAUDE ::

Mar 30, 2026 Saúde

Exposição constante à própria imagem aumenta procura…

Mar 30, 2026 Saúde

Ginecomastia não é gordura: a confusão que atrasa o…

Mar 30, 2026 Saúde

Terrorismo nutricional serve banquete de desinformação…

Mar 27, 2026 Saúde

Endometriose: Entender a dor é o primeiro passo para o…

Mar 27, 2026 Saúde

Os impactos do excesso de chocolate na pele, na…

Mar 27, 2026 Saúde

Medicina de precisão aumenta pressão por testes capazes…

Mar 26, 2026 Saúde

Medicina do estilo de vida: o que é e por que está…

Mar 26, 2026 Saúde

Chegada do outono alerta para aumento de doenças…

Mar 26, 2026 Saúde

Fome fora de hora e queda de energia? Saiba quando isso…

Mar 25, 2026 Saúde

Câncer de colo do útero está entre os mais incidentes…

Mar 25, 2026 Saúde

Nem todo mundo precisa emagrecer: o risco invisível…

Mar 25, 2026 Saúde

Outono intensifica preocupação com doenças…

Mar 24, 2026 Saúde

Enfrentamento do câncer de mama requer aplicação…

Mar 24, 2026 Saúde

Saúde bucal na infância: 41% das crianças sofrem com…

Mar 24, 2026 Saúde

Tosse persistente: quando é hora de procurar um…

Mar 23, 2026 Saúde

Hipertensão mascarada: quando a pressão parece normal…

Mais SAUDE>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version