SEGS Portal Nacional

Saúde

Depressão: pesquisa recente abre novas oportunidades de tratamentos

  • Segunda, 01 Agosto 2022 18:07
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Ana Carolina Silva
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
  • Imprimir

Especialista em auriculoterapia, Lirane Suliano, explica como a técnica que não utiliza medicamentos pode auxiliar no tratamento do estresse, ansiedade e depressão

Um levantamento realizado por uma organização global de saúde pública em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) mostrou que a incidência do diagnóstico de depressão cresceu 40% no Brasil entre o período pré-pandemia e o primeiro trimestre de 2022. De maneira geral, o tratamento para depressão, entre outras estratégias, usa antidepressivos – que equilibram a serotonina, um neurotransmissor também conhecido como “hormônio da felicidade”. Mas, uma pesquisa divulgada na revista científica inglesa "Molecular Psychiatry" apontou que a depressão não está necessariamente ligada aos baixos níveis desse hormônio. O estudo reabre as possibilidades de diferentes tratamentos para lidar com a doença, além dos remédios já utilizados. Nesse sentido, a Dra. Lirane Suliano, especialista em auriculoterapia neurofisiológica, explica que a técnica pode ser uma aliada para tratar a enfermidade.

“A partir do momento em que há um estímulo no pavilhão auricular, o sistema nervoso é ativado, desencadeando reações no paciente, dentre elas, uma sensação de bem-estar. A depressão pode ser caracterizada por um conjunto de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos que podem estar relacionados com a insônia, que pode ser uma manifestação de um quadro depressivo. Por isso é importante avaliar o paciente de forma global, enumerando as queixas que ele apresenta, como, por exemplo, problemas gastrointestinais e dor crônica, áreas em que a auriculoterapia tem resultados muito efetivos e rápidos. Dessa forma, é possível tratar sintomas que estão diretamente relacionados com quadros clínicos depressivos, melhorando a qualidade de vida do paciente e atuando no equilíbrio do organismo, favorecendo no tratamento da depressão”, explica Lirane Suliano.

Reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 1978 e disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006, a auriculoterapia é um recurso terapêutico natural com eficácia comprovada por centenas de artigos científicos. Não à toa, o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (Bireme/Opas/OMS) realizam uma série de estudos sobre como a prática contribui para o cuidado de diferentes problemas de saúde. A própria Dra. Lirane Suliano também é uma das pesquisadoras que atua na busca de comprovações científicas dos benefícios da técnica. Em um dos seus artigos, ela comprova por meio de neuroimagens, como o cérebro reage quando é aplicada a auriculoterapia.

Sobre a pesquisa “The serotonin theory of depression: a systematic umbrella review of the evidence”, divulgada recentemente, Lirane destaca que a pesquisa promoveu uma reviravolta no assunto, mas que certamente será motivo de pesquisas futuras, dada a complexidade do tema, pois pelo que foi apontado pelos pesquisadores ingleses não há evidências convincentes de que a depressão esteja associada a desequilíbrios químicos, em especial da serotonina, como se acreditava anteriormente. Outro ponto importante revelado pela pesquisa é que a quantidade de eventos estressantes que acometem uma pessoa oferece maiores chances de desencadear a depressão, e em especial no quesito estresse e ansiedade há inúmeros trabalhos científicos que comprovam a eficácia da auriculoterapia, inclusive em profissionais que trabalham em locais estressantes, como é o caso dos enfermeiros.

“Isso porque a auriculoterapia atua de forma natural no equilíbrio do cortisol, o chamado hormônio do estresse. Além disso, restabelece a qualidade de sono e equilibra o sistema imunológico. Suas propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e de relaxamento muscular contribuem para aumentar o bem-estar e a qualidade de vida retirando a dor sem o uso de medicamentos e sem efeitos colaterais. É importante lembrar que ao reduzir a dor, o estresse, a ansiedade, regularizar a qualidade do sono e o funcionamento do intestino estamos contribuindo para o bem-estar das pessoas. E se os pesquisadores apontoam o estresse como um fator de risco para a depressão, ao reduzir o estresse reduzimos esse risco, sem que o paciente precise fazer uso de medicamentos. Aliás, esse é um aspecto relevante na medida em que percebemos o aumento no consumo de ansiolíticos e antidepressivos, como sertralina e fluoxetina, que podem causar reações adversas como insônia, tontura, dor de cabeça, diarreia e náusea e muitas vezes impedir a rotina normal das pessoas. Mas é preciso fazer um alerta aos leitores: a depressão é uma doença grave, que deve ser diagnosticada somente por profissionais especializados, assim como a prescrição de medicamentos deve ocorrer de forma criteriosa por esses profissionais e embora a pesquisa realizada pelos ingleses tenha apresentado resultados surpreendentes sobre o tema, a verdade é que ainda temos muito para aprender quando o assunto é o cérebro humano”, finaliza Lirane.

Leia a pesquisa sobre depressão na revista científica Molecular Psychiatry.

Sobre Lirane Suliano

É cirurgiã-dentista, mestre e doutora pela UFPR. Especialista em Acupuntura e docente da pós-graduação nas áreas de Auriculoterapia, Eletroacupuntura e Laser puntura, já ministrou aulas para mais de 6 mil alunos, desde 2010, quando iniciou como docente de acupuntura e auriculoterapia em universidades. Autora do livro “Atlas de Auriculoterapia de A a Z”, obra em sua 5ª Edição, é hoje referência no Brasil no ensino dessa técnica, sendo responsável pela criação da pós-graduação em Auriculoterapia Neurofisiológica, na Universidade Focus, em Cascavel, no Paraná, e por cursos on-line, formando profissionais no Brasil e em diversos países, dentre eles, Argentina, Canadá, Alemanha, Irlanda, Itália, Malásia, México, Holanda, Panamá, Portugal, Ruanda, Emirados Árabes, Uruguai e Estados Unidos. A especialista já ultrapassou as fronteiras brasileiras e teve a oportunidade de compartilhar seus conhecimentos em Congressos internacionais dos quais participou na Universidade de Harvard; em Beijing, na China; Munique, Chicago, Barcelona e Dubai.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+SAUDE ::

Mar 30, 2026 Saúde

Exposição constante à própria imagem aumenta procura…

Mar 30, 2026 Saúde

Ginecomastia não é gordura: a confusão que atrasa o…

Mar 30, 2026 Saúde

Terrorismo nutricional serve banquete de desinformação…

Mar 27, 2026 Saúde

Endometriose: Entender a dor é o primeiro passo para o…

Mar 27, 2026 Saúde

Os impactos do excesso de chocolate na pele, na…

Mar 27, 2026 Saúde

Medicina de precisão aumenta pressão por testes capazes…

Mar 26, 2026 Saúde

Medicina do estilo de vida: o que é e por que está…

Mar 26, 2026 Saúde

Chegada do outono alerta para aumento de doenças…

Mar 26, 2026 Saúde

Fome fora de hora e queda de energia? Saiba quando isso…

Mar 25, 2026 Saúde

Câncer de colo do útero está entre os mais incidentes…

Mar 25, 2026 Saúde

Nem todo mundo precisa emagrecer: o risco invisível…

Mar 25, 2026 Saúde

Outono intensifica preocupação com doenças…

Mar 24, 2026 Saúde

Enfrentamento do câncer de mama requer aplicação…

Mar 24, 2026 Saúde

Saúde bucal na infância: 41% das crianças sofrem com…

Mar 24, 2026 Saúde

Tosse persistente: quando é hora de procurar um…

Mar 23, 2026 Saúde

Hipertensão mascarada: quando a pressão parece normal…

Mais SAUDE>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version