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Com mais de 20 mil casos anuais, câncer de boca e laringe estão entre os mais comuns nos homens

  • Segunda, 25 Julho 2022 18:41
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Moura Leite Netto
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Na próxima quarta (27) é celebrado o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço e, no Brasil, os principais alertas são para a alta incidência de tumores evitáveis que acometem a cavidade oral e a laringe. Outro agravante é a alta prevalência de diagnóstico tardio, que torna mais complexo o principal pilar de tratamentos destes tumores, a cirurgia, alerta a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)

Mais de 1,5 milhão de novos casos de câncer de cabeça e pescoço são registrados, todos os anos, no mundo, segundo o levantamento Globocan, do IARC, entidade que é o braço de pesquisa do câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS). O número de mortes anuais gira em torno de 460 mil pessoas. No Brasil, os dois tipos de tumores de cabeça e pescoço mais comum nos homens são de cavidade oral e laringe. Os dois tipos totalizam 22,8 mil casos (17,6 mil deles entre os homens). Considerando todos os tipos de câncer da região de cabeça e pescoço (lábios, cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal e tireoide), o número de casos anuais salta para 45 mil e mais de 10 mil mortes por ano.

Outro agravante é que os tumores de cabeça e pescoço – excetuando de tireoide – são diagnosticados tardiamente em 70% a 80% dos casos. A descoberta da doença em fase avançada torna o tratamento mais complexo e com menor chance de sucesso. As principais causas de câncer de cabeça e pescoço são conhecidas (tabagismo, consumo de álcool e infecção pelo vírus HPV) e, portanto, são doenças evitáveis. Além disso, a atenção aos sinais, também ajuda no diagnóstico precoce. Outras causas são lesões pré-malignas, baixa resposta imunológica e infecção pelo vírus Epstein-Barr.

Por haver evidências de quais são as etiologias (causas) da maioria dos subtipos de câncer de cabeça e pescoço, é importante que os médicos e demais profissionais de saúde de outras especialidades - como os dentistas – conheçam melhor os tumores de cabeça e pescoço e sejam capazes de contribuir com a descoberta mais precoce da doença, ressalta, o cirurgião oncológico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, Héber Salvador. Este, aliás, é um dos propósitos da campanha Julho Verde, em especial, do Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, celebrado nesta quarta (27).

Entre os sinais que demandam atenção de um especialista estão: ferida na boca que não cicatriza; manchas esbranquiçadas na boca; rouquidão persistente; dor de garganta que não melhora com o uso de antibiótico; dificuldade de deglutir, nódulos cervicais, sangramento ou secreção persistente pelo nariz; dor persistente no ouvido ou dificuldade para ouvir; dores de cabeça e tosse persistentes. “Diante de uma alteração incomum, como um nódulo no pescoço ou dificuldade prolongada de engolir ou respirar, o ideal é buscar atendimento especializado”, diz.

O cirurgião José Guilherme Vartanian, membro da comissão científica da Cabeça e Pescoço da SBCO, explica que o cirurgião oncológico de Cabeça e Pescoço atua no diagnóstico, assim como no tratamento cirúrgico curativo ou paliativo. “Importante destacar que o diagnóstico precoce resulta em melhor qualidade de vida para o paciente, pois lesões iniciais demandam tratamentos menos complexos, cirurgias menos extensas, com menores taxas de morbidade e mortalidade, além de menor complexidade de outras modalidades de tratamento, como radioterapia e quimioterapia”, afirma Vartanian.

A radioterapia pode ser utilizada tanto como o tratamento principal do câncer, como tratamento adjuvante (após a cirurgia), neoadjuvante (antes da cirurgia), bem como modalidade de tratamento paliativo, para alívio de sintomas da doença, como dor ou sangramento, assim como para o tratamento de metástases. Já a realização da quimioterapia antes da cirurgia para retirada do tumor é um artifício utilizado pelos médicos com a intenção de diminuir o tamanho do tumor para efetuar uma cirurgia menos radical e até, eventualmente, preservar o órgão acometido. É administrada após a cirurgia para destruir as células cancerígenas remanescentes do procedimento cirúrgico ou mesmo disseminadas, que não podem ser visualizadas pelos exames de imagem. A quimioterapia adjuvante pode reduzir o risco da recidiva.

Evolução das técnicas cirúrgicas traz opções menos invasivas

O procedimento cirúrgico depende do tipo e estadiamento da doença. Assim, uma cirurgia para tratamento de cistos branquiais será diferente daquela adotada para as glândulas salivares, por exemplo. “A evolução das técnicas cirúrgicas trouxe opções menos invasivas para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço”, diz Vartanian.

Atualmente, além da cirurgia aberta, tradicional, existem outras modalidades que podem ser aplicadas em alguns casos: a cirurgia minimamente invasiva (endoscópica), a microcirurgia transoral a laser e a cirurgia robótica, que propiciam menor tempo de recuperação e de internação, menor risco de sangramento, menos intercorrências e cortes menores. Para as cirurgias de base de crânio, por exemplo, pode ser utilizada ainda a técnica minimamente invasiva chamada endoscopia endonasal.

É importante contar com a experiência de um cirurgião oncológico que tenha habilidade de operar com todas essas técnicas para que ele, juntamente com a equipe multidisciplinar, faça uma avaliação minuciosa do caso para planejar o tratamento e tomar a decisão sobre a melhor estratégia cirúrgica a ser utilizada em cada caso, com o intuito curativo e com o cuidado de preservação das funções motoras, de deglutição e fala.

Sobre a SBCO - Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer. Sua missão é também promover educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira. É presidida pelo cirurgião oncológico Héber Salvador (2021-2023).


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