SEGS Portal Nacional

Saúde

Gaming Disorder: quando a diversão vira doença?

  • Quarta, 09 Março 2022 10:24
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Flávia Vargas Ghiurghi
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
  • Imprimir

Segundo a 7ª edição da Pesquisa Game Brasil (PGB), em 2020, 73,4% dos brasileiros dizem jogar jogos eletrônicos, um crescimento de 7,1% em relação ao ano passado. Os jovens de 16 a 24 anos representam 32,5% deste público.

Depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o distúrbio em jogos eletrônicos como um problema de saúde mental, jogar deixou de ser uma simples brincadeira. Conforme a nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, a CID-11, o vício em jogos eletrônicos entrou para a lista de distúrbios de saúde mental sob a nomenclatura “Distúrbio de Games” (gaming disorder).

A OMS definiu essa patologia como um “padrão de comportamento persistente ou recorrente”, com uma gravidade suficiente para comprometer as áreas de funcionamento pessoal e social.

Ainda segundo um estudo publicado no Jornal de Psiquiatria da Austrália e Nova Zelândia, quase 2% da população mundial sofre de gaming disorder, equivalente a quase 154 milhões de pessoas. Até 2023, o mercado de games deve alcançar US$ 200 bilhões em faturamento no mundo. Segundo estimativa da Game Brasil, consultoria especializada no mercado digital, 7 em cada 10 brasileiros afirmam que jogam games eletrônicos.

Como diferenciar entretenimento de vício

Segundo a Dra. Danielle H. Admoni, psiquiatra da Infância e Adolescência na Escola Paulista de Medicina UNIFESP e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria); a dependência acaba gerando um colapso geral. “É como se o jogo tivesse se tornado a prioridade em sua vida, tanto que a pessoa não só prejudica o desempenho escolar, como se afasta de amigos e familiares. Em um nível mais grave, o jovem se isola no quarto, esquece de comer, deixa de tomar banho e fica noites em claro jogando”.

“Há uma grande perda de controle sobre aspectos relacionados aos jogos, como duração e frequência das sessões; e a continuidade do vínculo com jogos mesmo com as consequências negativas”, reforça Stella Azulay, Fundadora e Diretora da Escola de Pais XD, Educadora Parental pela Positive Discipline Association, especialista em Análise de Perfil e Neurociência Comportamental.

Dificilmente, quem está acometido pelo vício em games percebe os sintomas. O comportamento na dependência está sempre associado ao prazer que os jogos proporcionam. Daí a importância de ficar atento às atitudes e mudanças possivelmente ocasionadas pelo distúrbio. Para ter esse acompanhamento, as especialistas apontam os principais sinais de alerta:

- Jogar ininterruptamente, sem ter noção de horário

- Deixar de fazer atividades escolares para jogar

- Faltar frequentemente às aulas, pois passou a noite jogando

- Deixar de sair com os amigos e familiares, pois prefere jogar

- Estar sempre cansado e com sono

- Mostrar-se irritado, agitado e angustiado quando estiver afastado do jogo (um sinal importante que configura abstinência)

Tratamento

A ajuda da família deve ser baseada no bom senso, já que apenas proibir os jogos só irá agravar os sintomas. “Outros erros comuns são julgar, criticar e até compará-lo com o irmão, que não tem o mesmo problema. O caminho é tentar trazer racionalidade, mostrando os prejuízos que o excesso de jogos está gerando, como as notas baixas na escola. A partir daí, começar a negociar o tempo nos games e estimular outras atividades que foram preteridas, fazendo com que o jogo vá perdendo a importância afetiva”, aconselha Stella Azulay.

Caso o vício esteja em um nível bastante avançado, será difícil que o jovem consiga promover as mudanças sozinho. “Se ele define um limite para jogar, mas nunca consegue cumprir, o sofrimento cresce. Essa é a hora de buscar ajuda profissional, antes que o quadro se agrave”, pontua Danielle Admoni.

Segundo ela, o reconhecimento do vício em games como um distúrbio mental é um importante salto para tomar medidas de prevenção e tratamento. “A classificação dá legitimidade ao problema, que pode vir a ser um transtorno mental como qualquer outro”.

Para buscar ajuda, confira algumas opções:

- Ambulatório de Dependências do Comportamento do Proad/Unifesp (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo)

- Programa Ambulatorial do Jogo (PRO-AMJO) do IPq-HC-FMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo)

- Jogadores Anônimos


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+SAUDE ::

Abr 01, 2026 Saúde

Abril Marrom alerta para o cuidado com doenças que…

Abr 01, 2026 Saúde

Botox e cirurgias plásticas: como funciona o seguro…

Abr 01, 2026 Saúde

Páscoa sem culpa: como aproveitar a data de forma…

Mar 31, 2026 Saúde

"Efeito Zoom": videoconferências e redes sociais…

Mar 31, 2026 Saúde

Saúde de pessoas trans vai além da identidade de gênero…

Mar 31, 2026 Saúde

Canetas emagrecedoras e Páscoa: Como evitar excessos e…

Mar 30, 2026 Saúde

Exposição constante à própria imagem aumenta procura…

Mar 30, 2026 Saúde

Ginecomastia não é gordura: a confusão que atrasa o…

Mar 30, 2026 Saúde

Terrorismo nutricional serve banquete de desinformação…

Mar 27, 2026 Saúde

Endometriose: Entender a dor é o primeiro passo para o…

Mar 27, 2026 Saúde

Os impactos do excesso de chocolate na pele, na…

Mar 27, 2026 Saúde

Medicina de precisão aumenta pressão por testes capazes…

Mar 26, 2026 Saúde

Medicina do estilo de vida: o que é e por que está…

Mar 26, 2026 Saúde

Chegada do outono alerta para aumento de doenças…

Mar 26, 2026 Saúde

Fome fora de hora e queda de energia? Saiba quando isso…

Mar 25, 2026 Saúde

Câncer de colo do útero está entre os mais incidentes…

Mais SAUDE>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version