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Hábitos impostos pelo isolamento social prolongado podem levar a repercussões a longo prazo na saúde mental

  • Quarta, 15 Setembro 2021 10:37
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  João A. S. Suckow
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Segundo especialista do Hospital São José, de Tijucas, o transtorno de pânico, ansiedade e depressão estão entre as condições psicopatológicas de maior incidência durante a pandemia

As restrições de isolamento impostas pela pandemia, e reforçadas pela adoção do regime de home office por muitos setores, contribuíram expressivamente para a diminuição da circulação de pessoas e, consequentemente, para a redução da taxa de transmissão do novo coronavírus. Mesmo propondo maior segurança àqueles que ainda precisam sair de casa neste cenário, o isolamento social, a longo prazo, pode levar a nocivas repercussões psicológicas na ausência dos devidos cuidados. Um estudo publicado em 2021, pelo instituto Ipsos, identificou que 53% dos brasileiros entrevistados relataram uma piora na saúde mental e emocional durante a pandemia. O levantamento foi encomendado pelo Fórum Mundial Econômico e, entre os trinta países contemplados, a porcentagem calculada para o Brasil foi a quinta maior. Por isso, a adoção de cuidados preventivos com relação à saúde física e mental são essenciais enquanto retornarmos gradativamente às atividades presenciais.

Por mais que o home office e o ensino à distância tenham oferecido maior conforto para aqueles que podem usufruir desta modalidade de interação profissional ou acadêmica, é preciso ficar atento ao surgimento de novos hábitos capazes de contribuir para a incidência de complicações que afetam o bem-estar da mente. De acordo com o Dr. Ramon Santos, psiquiatra do Hospital São José, de Tijucas, o transtorno de pânico, ansiedade e depressão estão entre as condições psicopatológicas de maior prevalência em meio à pandemia. “Aumentaram os casos de transtorno de pânico, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno por ansiedade de doença, esta última definida como preocupação ou medo de ter ou adquirir uma doença grave, uma variante da hipocondria”, adiciona. Segundo o especialista, um dos motivos centrais por trás deste fenômeno é que, durante o isolamento social, a prática de atividades físicas e a participação em grupos (recreativos, religiosos, profissionais, entre outros), perderam força significativamente como estratégias de manutenção da saúde mental.

Por isso, é importante ficar atento ao surgimento de qualquer sinal que possa indicar a presença de condições desta natureza. No caso do transtorno de ansiedade, por exemplo, os sintomas mais frequentes são a falta de concentração, pensamento agitado, hiperatividade, alta irritabilidade, constante preocupação, fadiga e suor, que, muitas vezes, são acompanhados pela falta de ar, respiração acelerada e palpitações. “O indivíduo acometido pode acabar se tornando incapaz de exercer suas atividades cotidianas. Isso pode prejudicar tanto o seu desempenho no trabalho como seus relacionamentos pessoais. Surgem ideias obsessivas e pensamentos ‘intrusivos’ que causam sofrimento”, completa. Vale notar que a ansiedade exacerbada pode ser um indício associado à depressão e, devido à similaridade na manifestação dos sintomas destas condições, o agendamento de uma consulta com um especialista é essencial para garantir um diagnóstico preciso e precoce.

No caso de um diagnóstico confirmado, o tratamento indicado pode ser psicoterapêutico ou medicamentoso, muitas vezes mesclando diferentes aspectos de ambas as alternativas para garantir maior eficiência. “Pode ser realizada a terapia psicofarmacológica (medicamento) e a psicoterapia. Na verdade, o acompanhamento multidisciplinar envolvendo educador físico, psicólogo, terapeuta ocupacional e outros profissionais é o tratamento recomendado”, afirma o Dr. Santos. É importante lembrar que determinadas condições que afetam a mente, como a depressão, podem levar a uma maior vulnerabilidade frente à COVID-19, visto que o indivíduo acometido apresenta uma conduta indiferente aos cuidados de asseio no que se refere às normas das autoridades sanitárias, como lavar as mãos e higienizar adequadamente as compras e roupas. Além disso, o estresse emocional a longo prazo produz substâncias químicas (hormônios) que diminuem a nossa resposta imunológica como, por exemplo, o hormônio cortisol, presente nos estados crônicos de ansiedade e depressão.

Quando o assunto é a prevenção destas complicações, existem diversas ações e hábitos que podem ser incorporados ao cotidiano para garantir a manutenção da saúde mental neste cenário. “Meditação, atividade física com distanciamento social, não permanecer sistematicamente exposto a notícias ansiogênicas que exploram a cultura midiática do medo, alimentação saudável, espiritualidade/religiosidade respeitando as normas das autoridades sanitárias, estão entre as medidas preventivas de maior efetividade. Há um leque de alternativas que cada um pode buscar reforçar ou descobrir”, finaliza o especialista. Vale notar que o Hospital São José, de Tijucas, contempla o atendimento psiquiátrico em seu ambulatório, que foi adaptado dentro das recomendações da Organização Mundial da Saúde para garantir maior segurança aos pacientes e visitantes que precisam do serviço.


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