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Capacete de ventilação produzido no Brasil evita intubação e salva vidas

  • Segunda, 10 Mai 2021 10:00
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Andrea Funk
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Equipamento desenvolvido pela Life Tech Engenharia Hospitalar é aprovado pela Anvisa e já está em uso em 15 estados e 100 hospitais

Já utilizada em mais de 3.000 pacientes, a BRIC – Bolha de Respiração Individual Controlada, o primeiro produto tipo capacete nacional a ter aprovação da Anvisa, desenvolvida 100% no Brasil pela empresa Life Tech Engenharia Hospitalar, vem ajudando médicos e profissionais da saúde a evitar a intubação e a salvar vidas. Mais de 100 hospitais em 15 estados já fazem o uso da solução que apresenta bons resultados.

“No momento em que o País luta para dar atendimento aos pacientes por conta da falta de vagas e leitos de UTI, a BRIC tem sido uma aliada muito importante, pois, o capacete de ventilação, que serve de interface entre o paciente e o ventilador mecânico, ajuda a reduzir a inflamação pulmonar, melhora a oxigenação, previne a intubação e evita a ventilação mecânica invasiva”, afirma o engenheiro Guilherme Thiago de Souza, diretor geral da Life Tech Engenharia Hospitalar.

Um engenheiro na área da Saúde

A ideia da criação da BRIC teve seus primeiros passos dentro do Cluster Aeroespacial Brasileiro, um grupo de empresas estratégicas do setor aeroespacial, que tem como entidade gestora o Parque Tecnológico de São José dos Campos. Com o objetivo de dar uma devolutiva para a sociedade com os recursos da engenharia, uma equipe de engenheiros encontrou, no início da pandemia do novo coronavírus, a teoria da ventilação não invasiva e o conceito de helmet, que existe desde a década de 80, mas que não estava disponível no Brasil. Diante das dificuldades em encontrar componentes para operabilidade com o corpo humano e pela demora na tramitação, o engenheiro Guilherme Thiago de Sousa decidiu tocar sozinho o projeto para ganhar velocidade e eficiência. Logo, agilizou o processo criativo, construtivo e operacional de engenharia, além da industrialização e comercialização de um produto que iria impactar a área da saúde no Brasil: o capacete de ventilação, criado para evitar a intubação de pacientes com dificuldade respiratória contaminados pela Covid-19. O primeiro protótipo ficou pronto em 40 dias desde sua criação.

“Durante essa trajetória, pude conhecer histórias de diversos profissionais em todo o Brasil que vêm trabalhando incessantemente desde o começo da pandemia para atender a alta demanda e dar o máximo suporte em meio à escassez de recursos e infraestrutura. Reconhecer o papel do engenheiro, de poder trazer uma solução que funcione, é muito gratificante e especial”, afirma o diretor da Life Tech Engenharia Hospitalar. “Em função do BRIC, fui convidado a fazer um doutorado no departamento de pneumologia da faculdade de medicina da USP e estou trabalho em outro projeto vinculado a pneumo”, comenta.

“Será que funciona?”

Ao longo da pandemia, novos processos, terapias e medicamentos surgiram, com o intuito de serem eficazes a cada manifestação da doença. “Quando eu falava ‘desenvolvemos uma solução para a Covid-19’, já tinha uma conotação negativa. Os especialistas que desconheciam o equipamento tratavam com o lado da descrença e com a pergunta ‘será que funciona?’, comenta Guilherme.

Ele afirma que o alarde da maioria das soluções que apareceram na pandemia para o combate à doença não foram efetivas e nem validadas – eram doadas e ficavam no hospital. “Era uma série de entulho que não funcionava. Chegou a um ponto em que a equipe médica nem avaliava, apenas colocava de lado”, descreve Guilherme. “Um feedback que tivemos de diversas frentes da área médica foi que a equipe clínica estava tão saturada de ‘solução de alguém que fez’ e era algo que não resolvia”.

Tecnologia nova no Brasil, mas não no mundo

Equipamento similar era validado fora do país e já vinha sendo utilizado na Europa e nos Estados Unidos como um aliado no combate ao coronavírus. “Não chegava aqui porque o custo era inviável para trazê-lo. Então, não se conhecia o estado da técnica pelo preço do produto”, salienta.

Por ser uma técnica menos invasiva com baixo custo de produção, a Life Tech Engenharia Hospitalar passou a desenvolver e produzir o dispositivo em solo nacional. “Quando apresentamos as unidades aos hospitais, a grande frente de batalha atuando contra a Covid-19 não estava preparada para receber a tecnologia. Tivemos um trabalho muito forte de evangelização no mercado”, relembra.

Estudos comprovam sua eficiência

A taxa de mortalidade para pacientes intubados com Covid-19 é de 70% a 86%. Estudos da Universidade de Chicago sobre a tecnologia de ventilação baseada em capacetes demonstram que, com a utilização da BRIC, de 20% a 35% de pacientes com Covid-19 não necessitaram de intubação. Os estudos também revelam que o uso do capacete evita a intubação em 54% de pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

“A BRIC se torna uma aliada no combate à Covid-19, e também pode ser utilizada no tratamento de outras doenças respiratórias como influenza (H1N1), gripe aviária, gripe suína, SARS, etc.”, afirma Guilherme Thiago de Souza, ressaltando que a solução veio para ficar.

Primeiro capacete nacional liberado pela Anvisa

De acordo com o diretor, a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou a BRIC oficialmente um equipamento médico para uso em tratamentos, disponível para a aplicação em medicina de caráter irrestrito, podendo ser comercializado de forma legal.

“Com a liberação da Anvisa, reforçamos o posicionamento profissional da Life Tech Engenharia Hospitalar, de forma a trazer ao mercado de produtos hospitalares um equipamento profissional efetivo no combate à pandemia e desenvolvido, fabricado e homologado em tempo recorde no país”, explica.

Novos aprendizados para a medicina brasileira

Guilherme comenta que os impactos da BRIC no tratamento da Covid-19 foram positivos. “Conseguimos trazer uma solução de excelência mundial a um nível nacional e acessível às pessoas. O impacto foi extremamente positivo por ser um tratamento pela baixa invasividade e por não afetar tanto o paciente. Por ser compatível com um paciente acordado e reagindo e pelo curto espaço de tempo de resposta, o produto trouxe novas perspectivas para a área da pneumologia no Brasil”.

“Estive cerca de 80 horas dentro de UTIs Covid acompanhando pacientes e é inexplicável a gratidão e o sentimento de ver a melhora, recuperação e liberação de uma pessoa para sua vida normal. Somos extremamente gratos de constatar que o projeto realmente salva vidas e justifica todo o esforço, investimento e energia aplicados”, finaliza o engenheiro.


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