SEGS Portal Nacional

Saúde

O medo paralisante que impede o tratamento das doenças crônicas em tempos de Covid-19, por Andréa Ladislau, doutora em psicanálise

  • Terça, 23 Junho 2020 10:30
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Rodrigo Arantes
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
  • Imprimir

O universo da saúde no Brasil e no mundo passa por transformações muito peculiares em tempos de pandemia. Com praticamente três meses de isolamento social e ainda vivendo dias de incertezas e atualizações constantes dos cuidados e protocolos para se evitar a contaminação pelo Coronavírus, um outro inimigo vem se destacando entre a população: o medo paralisante.

Um medo que hoje impede pacientes de doenças crônicas, em tratamento contínuo antes da pandemia, de darem continuidade ao acompanhamento médico de rotina. Diabetes, hipertensão, obesidades e cardiopatias ganham destaque pela necessidade do controle adequado que, em função do medo extremo do contágio, provocou a paralisação e modificação do dia a dia de algumas pessoas.

Relatos dos especialistas demonstram que esse cenário é muito sério, pois sinais de agravamento de certas doenças estão sendo negligenciados. Um exemplo são os casos dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) que são considerados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a segunda maior causa de mortes no mundo. Uma doença extremamente grave, que exige que a busca pelo diagnóstico e tratamento seja feita com a maior brevidade, pois cerca de 1,9 milhões de neurônios podem morrer por minuto em caso de um ataque. E se o socorro não vier a tempo, seguindo os protocolos médicos específicos, o paciente pode vir a apresentar sequelas e demências irreversíveis.

Porém, por medo de buscar um estabelecimento de saúde e correr o risco de se contaminar com o Covid-19, os sintomas estão sendo ignorados e muitas pessoas chegam a morte por não serem socorridas a tempo. Situação parecida também vem ocorrendo com os casos de pacientes diagnosticados com dengue ou com diversos tipos de cardiopatas.

Essa fobia, caracterizada por pensamentos negativos e uma sensação de terror à exposição extrema ao vírus, faz com que o paciente alimente uma tendência a se esquivar do que é temido - omitindo muitas vezes dos familiares e amigos dores, sensações e sintomas graves, e comprometendo de forma profunda sua saúde. Um medo incômodo que possui bases psicológicas e fisiológicas, afetando o equilíbrio mental e a sobrevivência do paciente.

Aprender a administrar e controlar esse medo, tomando os cuidados necessários e seguindo as orientações de prevenção de contágio do Coronavírus, é um grande desafio para a atualidade. O que não se pode permitir é que a resposta adaptativa mental necessária, que deve ser benéfica, aliada à continuidade dos tratamentos de saúde do indivíduo, produza uma tempestade química de mudanças psíquicas e fisiológicas no organismo - a ponto de bloquear a capacidade mental do entendimento de que é necessário continuar a viver. O estresse paralisante deve ser eliminado para não alimentar o pânico e não transformar o ser em um refém de seus próprios anseios.

É muito importante não interromper os tratamentos continuados e também não deixar de sinalizar ou buscar ajuda de um médico quando perceber que algo está errado. É compreensível o sumiço dos hospitais e dos consultórios, mas as doenças são tão perigosas quanto o Covid-19. É claro e evidente que os cuidados para não se contaminar devem ser tomados e intensificados, pois a restrição de circulação permanece. Mas interromper um tratamento ou retardar um auxílio no aparecimento de um sintoma grave pode ser fatal. Entenda que emergências não podem ser ignoradas.

Enfim, psicologicamente falando, os problemas de saúde com risco de vida não podem ser potencializados pelo medo e pelo pânico. A busca por atendimento médico, em caso de necessidade, passa por uma questão de amor próprio e responsabilidade consigo mesmo - e não devem sofrer qualquer impedimento do cuidado, pois, em alguns casos, cada minuto é precioso para o sucesso do tratamento.

A necessidade da atenção médica regular não foi abolida pelo vírus. O que precisa ser abolido, ou pelo menos controlado, é o medo e a angústia que nos impede de seguir a vida. A adaptação a novos modelos de organização diária foi necessária para que possamos mitigar a curva de contágio. No entanto, devemos aprender a olhar para todas essas modificações com um senso de respeito a nós e ao próximo, valorizando ainda mais nossa vida e promovendo a saúde mental e o equilíbrio físico adequado ao nosso bem-estar.

Dra. Andréa Ladislau
Psicanalista

Doutora em Psicanálise
Palestrante
Colunista
Academia Fluminense de Letras
Gestora em saúde
Repres. Intern. (USA) da University Miesperanza


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+SAUDE ::

Mar 27, 2026 Saúde

Endometriose: Entender a dor é o primeiro passo para o…

Mar 27, 2026 Saúde

Os impactos do excesso de chocolate na pele, na…

Mar 27, 2026 Saúde

Medicina de precisão aumenta pressão por testes capazes…

Mar 26, 2026 Saúde

Medicina do estilo de vida: o que é e por que está…

Mar 26, 2026 Saúde

Chegada do outono alerta para aumento de doenças…

Mar 26, 2026 Saúde

Fome fora de hora e queda de energia? Saiba quando isso…

Mar 25, 2026 Saúde

Câncer de colo do útero está entre os mais incidentes…

Mar 25, 2026 Saúde

Nem todo mundo precisa emagrecer: o risco invisível…

Mar 25, 2026 Saúde

Outono intensifica preocupação com doenças…

Mar 24, 2026 Saúde

Enfrentamento do câncer de mama requer aplicação…

Mar 24, 2026 Saúde

Saúde bucal na infância: 41% das crianças sofrem com…

Mar 24, 2026 Saúde

Tosse persistente: quando é hora de procurar um…

Mar 23, 2026 Saúde

Hipertensão mascarada: quando a pressão parece normal…

Mar 23, 2026 Saúde

Nutrição adequada, atividade física e cuidado integrado…

Mar 23, 2026 Saúde

Tosse por mais de três semanas não é normal e pode…

Mar 20, 2026 Saúde

Nova diretriz internacional faz recomendação contra…

Mais SAUDE>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version