SEGS Portal Nacional

Agro

Bem-estar animal da cadeia produtiva – o que é e por que é fundamental para a qualidade do produto final

  • Quinta, 21 Outubro 2021 09:49
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Ana Caroline Carvalho
  • SEGS.com.br - Categoria: Agro
  • Imprimir

Por Adriane Zart*

Os bons pecuaristas sabem que não existe produção eficiente sem saúde e bem-estar animal. Já entenderam que, assim como para nós, humanos, o retorno produtivo de um animal que está bem e tranquilo no meio onde vive é muito maior e que não é difícil tornar os procedimentos de manejo mais eficientes. As boas práticas têm como objetivo maior fazerem com que os bovinos possam se expressar em sua potencialidade, num ambiente o mais favorável possível para seu comportamento natural. Todos esses cuidados têm influência direta no produto que chega à mesa. Isso é também respeito à relação homem-animal e ao consumidor, cada vez mais exigente quanto a essas questões.

Ninguém questiona que o bem-estar animal é algo fundamental na cadeia produtiva. E há uma clara tendência de que os consumidores tomem suas decisões com base em questionamentos éticos e um consumo mais consciente e informado. Mas será que estão dispostos a pagar por isso? Ou ainda, será que estão, de fato, atentos a isso na hora de comprar carne?

Em 2016, a ONG World Animal Protection apresentou um estudo sobre a percepção do consumidor a respeito do bem-estar animal em quatro países latino-americanos: Brasil, Chile, Colômbia e México, cujo objetivo era entender o pensamento dos consumidores sobre a questão do bem-estar dos animais de produção, analisando seus hábitos de compra e consumo de carne, leite e ovos, como se relacionam com a rotulagem de produtos, conhecimento sobre bem-estar animal, intenção de compra etc.

Dentre alguns resultados da pesquisa realizada aqui no Brasil, tivemos que 68% dos entrevistados disseram consumir carne pelo menos quatro vezes por semana. A qualidade apareceu por unanimidade como o atributo mais importante na escolha do consumidor em todos os países analisados. A produção com bem-estar animal, no entanto, figurou na 6ª posição nos quesitos de exigência dos consumidores entrevistados. E dois em cada três entrevistados declararam não ter conhecimento suficiente sobre a forma como se criam os animais destinados à produção de carne.

Apesar de desconhecer como os animais são criados e abatidos, mais da metade dos entrevistados no Brasil declarou que tem preocupação com o método de abate. Há ainda uma alta percepção (91% do público entrevistado) de que existe uma relação entre o bem-estar animal e a qualidade da carne; 74% dos entrevistados declararam acreditar que o sistema de produção de carne que se preocupa com o bem-estar animal tem menor impacto ambiental.

Esse estudo é só mais uma prova do quanto ainda somos ineficientes em mostrar aos consumidores COMO produzimos. Infelizmente, muitos acreditam que o sofrimento é uma constante na pecuária, do nascimento ao abate. Porém quem está presente no dia a dia das fazendas sabe o quanto cuidamos desses animais. Todos os dias, homens e mulheres no campo se dedicam a garantir saúde, alimento, água e descanso apropriado para que o gado tenha uma boa vida. Apesar de muitas vezes investirmos em tecnologias, produtos e estratégias para garantir o melhor alimento e a sanidade para nossos animais, falhamos justamente em entender seu comportamento e tornamos a nossa interação com eles estressante e desgastante para ambos, homem e animal, assim como também falhamos em comunicar aos consumidores toda a história e o zelo que existem por trás da produção de carne.

Há, portanto, um caminho a percorrermos na ponta da cadeia. Para dentro da porteira, eu diria que o pecuarista do futuro é aquele que se preocupa hoje em como seus animais são manejados na fazenda. É, sobretudo, aquele que tem orgulho de seu trabalho e a consciência tranquila a respeito do que é feito em sua propriedade. Entendo que, aqui, uma longa jornada vem sendo percorrida e que temos grandes oportunidades para tornar nossa produção ainda melhor e mais eficiente.

* Médica-veterinária, grande precursora no Brasil da técnica “Nada nas mãos” de manejo de gado e consultora da Zoetis.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+AGRO ::

Mar 27, 2026 Agro

Manejo biológico impulsiona a produtividade do sorgo

Mar 26, 2026 Agro

Suplementar bovinos no período das águas vale a pena?

Mar 25, 2026 Agro

Corretivo de solo sustentável entra para o programa…

Mar 24, 2026 Agro

Plataforma colaborativa transforma dados em decisões e…

Mar 23, 2026 Agro

Alta dos custos no campo abre espaço para revisão de…

Mar 20, 2026 Agro

Controle de Salmonella e exigências de mercados…

Mar 19, 2026 Agro

Belgo Arames apresenta soluções de cercamento para…

Mar 18, 2026 Agro

Irrigação, ESG e o futuro do agro: por que produzir…

Mar 17, 2026 Agro

Alta produtividade da cenoura no inverno aumenta oferta…

Mar 16, 2026 Agro

Agronegócio americano tem oportunidades para a…

Mar 13, 2026 Agro

Produtores brasileiros já são remunerados por práticas…

Mar 12, 2026 Agro

Quem está roubando o desempenho do rebanho?

Mar 11, 2026 Agro

Venda de fazenda arrendada não retira os direitos do…

Mar 10, 2026 Agro

Bioinsumos ganham espaço na produção de frutas e…

Mar 09, 2026 Agro

Prevenção de doenças do milho no momento certo pode…

Mar 06, 2026 Agro

Mercado de fertilizantes cresce quase 10% em 2025 e…

Mais AGRO>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version