Produtores brasileiros já são remunerados por práticas regenerativas no campo
Programa conecta manejo sustentável à descarbonização da indústria e transforma sustentabilidade em receita direta para agricultores
A sustentabilidade deixou de ser promessa e passou a gerar receita direta para produtores brasileiros. Agricultores que adotam práticas regenerativas já estão sendo remunerados por resultados ambientais comprovados por meio do programa Source, iniciativa da multinacional Indigo AG, que conecta o manejo no campo aos compromissos de descarbonização de empresas ao longo da cadeia de alimentos.
No primeiro ciclo do programa no Brasil, contratos firmados nas safras 2024/25 e 2025/26 somam cerca de R$ 10 milhões, com produtores participantes em diferentes regiões do país e também na Argentina. O programa começou com quase 16 mil hectares inscritos — área equivalente a 28 mil campos de futebol — e projeta expansão nas próximas safras.
Criado para transformar práticas sustentáveis em valor econômico mensurável, o Source remunera agricultores que adotam manejo regenerativo, como plantio direto, rotação de culturas, uso de bioinsumos, plantas de cobertura e gestão avançada do solo. Essas práticas contribuem para a redução de emissões de CO₂, melhoram a saúde do solo e atendem às metas climáticas de empresas compradoras.
“Nosso programa funciona de forma escalável, segmentando os produtores conforme o nível de adoção de práticas sustentáveis. Quanto mais avançado o manejo, maior a remuneração. Essas ações preservam o ambiente, aumentam a produtividade e reduzem custos no longo prazo, além do ganho direto em rentabilidade”, afirma Reinaldo Bonnecarrere, VP Latam da Indigo.
Segundo Guilherme Raucci, responsável pelo programa na América Latina, o modelo cria uma conexão direta entre o produtor rural e o mercado corporativo global. “O que estamos construindo é uma ponte em que as ações no campo se traduzem em remuneração comprovada, conectando práticas regenerativas às metas de descarbonização de grandes empresas de alimentos e bebidas. Essa primeira fase consolida um novo modelo econômico para a sustentabilidade no agro brasileiro”, afirma.
Caso prático: remuneração e reconhecimento no campo
Entre os participantes do programa está o Grupo Teles, empresa agrícola de segunda geração com atuação em Goiás, Mato Grosso e Pará. O grupo cultiva 48 mil hectares de soja e cerca de 90 mil hectares por ano considerando as rotações de segunda safra, com milho, gergelim, sorgo e culturas de cobertura.
Para Lucas Teles, produtor e gestor do grupo, o principal resultado é a concretização de um reconhecimento econômico pelo manejo responsável. “Pela primeira vez recebemos diretamente pela adoção de práticas sustentáveis. Isso mostra que existe um reconhecimento real do trabalho do produtor”, afirma.
O grupo adota práticas como rotação de culturas, plantio direto, uso ampliado de biológicos, preservação de áreas nativas e manutenção de curvas de nível. “Sustentabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser condição para competitividade, acesso a crédito e permanência no mercado”, diz.
Modelo conecta campo, indústria e metas climáticas
O programa integra produtores rurais, indústria e metas corporativas de redução de emissões em um mesmo sistema de valor. Ao remunerar resultados ambientais mensuráveis, o modelo cria um mecanismo econômico para a transição da agricultura para padrões de menor emissão.
O Source já opera nos Estados Unidos e foi adaptado para a América do Sul considerando as especificidades agronômicas e produtivas de cada região. A iniciativa consolida o Brasil como um dos polos estratégicos na expansão de modelos de agricultura regenerativa em escala comercial.
Com contratos em execução e novas áreas em expansão, o programa posiciona o produtor como agente ativo da transição climática no sistema alimentar global.
Contexto global e mercado em expansão
O avanço da regulamentação do mercado de carbono no Brasil cria um ambiente favorável à valorização econômica das práticas regenerativas no campo. Nesse cenário, o programa Source representa um passo inicial dentro de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento de soluções climáticas baseadas na agricultura.
Globalmente, a empresa acumula quatro safras de programas de carbono nos Estados Unidos, com produtores remunerados pela remoção de mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ da atmosfera por meio do armazenamento de carbono no solo, seguindo metodologia científica certificada.
No início de 2026, foi anunciado um dos maiores acordos de carbono do setor, com a aquisição de 2,85 milhões de créditos gerados pelo programa ao longo de 12 anos. O projeto utiliza o Soil Enrichment Protocol do Climate Action Reserve e inclui créditos aprovados segundo os Core Carbon Principles do Integrity Council for the Voluntary Carbon Market.
“Estamos conectando produtores, indústria e mercado global em um sistema que transforma o cuidado com o solo em valor econômico e ambiental. Nosso objetivo é ampliar essa conexão na América Latina e avançar também com programas de créditos de carbono voltados à agricultura”, afirma Raucci.
Sobre a Indigo Ag
A Indigo Ag é uma empresa global de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para uma agricultura mais sustentável. Fundada em 2013, e já presente em 14 países, ela se destaca, dentre outros fatores, por ser uma das únicas no mundo desenvolvendo biológicos de alta performance a partir de microrganismos endofíticos associados a bioinformática e data science. Através do uso da ciência e da tecnologia a Indigo transforma a sustentabilidade em valor para agricultores, agronegócios e corporações. Mais informações no portal da Indigo.
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