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Arquitetura fora do eixo: Santa Catarina leva nova geração de projetos à Bienal em SP

  • Terça, 24 Março 2026 18:09
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Daniela Ceccon
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Com curadoria exclusivamente catarinense, pavilhão assinado pelo arquiteto Jeferson Branco coloca o estado como um novo polo emergente de arquitetura, design e urbanismo no país.

Durante décadas, Santa Catarina foi apresentada ao Brasil por um repertório cultural relativamente previsível, associado sobretudo à herança europeia e às paisagens turísticas do litoral. Esse enquadramento acabou deixando em segundo plano a produção da boa arquitetura do estado, distante dos centros do debate nacional, tradicionalmente concentrados no eixo Rio–São Paulo. Na arquitetura contemporânea, porém, uma nova geração de profissionais e projetos começa a reposicionar Santa Catarina como um polo emergente de produção arquitetônica no país.

É justamente essa mudança de perspectiva que Santa Catarina leva agora à primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira, que ocorre entre 25 de março e 30 de abril no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

O espaço dedicado a Santa Catarina tem assinatura do arquiteto catarinense Jeferson Branco e propõe uma leitura provocativa de um território criativo, diverso e em transformação, que vem fomentando o surgimento de uma nova produção arquitetônica fora do eixo tradicional. “A proposta do pavilhão é mostrar que não somos apenas um estado de tradição, pelo contrário: somos também um laboratório contemporâneo de arquitetura, design e pensamento urbano”, afirma Branco.

O projeto integra o Pavilhão Brasil, eixo da Bienal que reúne representações dos 27 estados brasileiros. Cada profissional conquistou o espaço através de um concurso público de projetos, com o desafio de apresentar uma interpretação própria sobre território, cultura e produção arquitetônica, em diálogo com o bioma de sua região. No caso catarinense, a estratégia foi clara: transformar o espaço em uma narrativa sobre o presente e o futuro da produção arquitetônica contemporânea.

“Quando pensamos no pavilhão de Santa Catarina, a ideia não era simplesmente representar o estado, mas provocar uma conversa sobre como novas ideias de cidade estão surgindo no Brasil, muitas vezes fora dos centros tradicionais da arquitetura”, explica Branco. “O cenário catarinense passou por um crescimento urbano muito intenso nas últimas décadas, e isso abriu espaço para experiências muito interessantes quando falamos de design e planejamento urbano.”

A participação catarinense na Bienal conta com patrocínio master da incorporadora FHaus e do bairro planejado Colinas de Camboriú, que viabilizam a realização do espaço e reforçam a conexão entre arquitetura autoral, planejamento urbano e desenvolvimento contemporâneo das cidades.

O espaço

A curadoria do pavilhão reúne exclusivamente criadores catarinenses e apresenta um panorama da produção contemporânea do estado, com a participação de cerca de 45 designers e 25 artistas. O conjunto inclui nomes reconhecidos nacionalmente, como o designer Jader Almeida e a artista Lilia Trisotto, além de estúdios e iniciativas que vêm ganhando destaque na nova geração do design brasileiro, como Lucas Recchia, Mitushi Cerâmicas, Estúdio Prosa e a dupla Hostins & Borges.

O projeto expográfico foi concebido como uma espécie de casa contemporânea aberta ao público, organizada em planta fluida e sem divisões rígidas. A proposta permite uma visitação em 360 graus, estimulando o visitante a circular livremente entre ambientes como living, cozinha, suíte e home office, que funcionam como suportes narrativos para apresentar projetos, objetos e iniciativas criativas do estado.

No centro do espaço está um cubo expositivo que organiza a experiência do visitante. Revestido com obras do artista catarinense Walmor Corrêa, que retratam a flora da Mata Atlântica, baseado na pesquisa e catalogação das bromélias encabeçadas pelo Padre e Botânico de Itajaí, Raulino Reitz. O volume simboliza a relação profunda entre o território catarinense e sua paisagem natural. Ao redor desse núcleo, o restante do pavilhão se desdobra como um campo aberto de encontros entre arquitetura, design, arte e indústria.

“A intenção da curadoria foi revelar a diversidade de influências culturais que formam Santa Catarina, da relação com a Mata Atlântica ao dinamismo industrial, passando pela produção artística e pelo pensamento arquitetônico contemporâneo”, explica Branco.

“O estado sempre teve uma produção criativa muito potente. O que estamos fazendo aqui é colocar essa produção em diálogo com o Brasil, mostrando que o estado também está ajudando a pensar o futuro das cidades.”

Para o arquiteto Leonardo Zanatta, responsável pela concepção expográfica da Bienal, a presença catarinense sinaliza a emergência de novos polos de arquitetura e urbanismo no país. “A Bienal é um território onde diferentes linguagens se encontram para pensar novas formas de cidade. Ter o estado tão bem representado projeta essa produção para o cenário nacional e reforça o papel de Santa Catarina nesse novo mapa da arquitetura brasileira”, afirma.

Novos urbanismos

Esse movimento também começa a se refletir no campo do urbanismo e do mercado imobiliário, com projetos que buscam repensar a relação entre arquitetura, paisagem e vida urbana. Entre os projetos que materializam a visão está o Colinas de Camboriú, primeiro bairro planejado ao lado de Balneário Camboriú, no litoral norte catarinense, apresentado na Bienal como exemplo de urbanismo contemporâneo. Concebido a partir de princípios de planejamento urbano, integração com a paisagem e valorização do espaço público, o projeto representa uma geração de empreendimentos que busca ir além do modelo tradicional de loteamentos e condomínios fechados — ou da verticalização extrema que marcou o crescimento recente da região.

“Quando o Colinas nasceu, como projeto e conceito, a ideia sempre foi redesenhar a cidade com o nosso espaço e pensar nela como um ecossistema. Não apenas construir imóveis, mas pensar em como as pessoas vivem, circulam e convivem nos espaços urbanos”, afirma Luian Silvestre, sócia do projeto. “Projetos como o Colinas ajudam a materializar a discussão que está no centro da Bienal e mostrar que o planejamento urbano pode ir além da lógica tradicional do mercado imobiliário brasileiro. Precisamos pensar a cidade de forma mais integrada, com qualidade de vida, espaço público e relação com a paisagem.”

Com potencial de desenvolvimento estimado em R$ 10 bilhões ao longo de sua consolidação, o Colinas vem sendo planejado como um ecossistema urbano que reúne moradia, serviços, comércio, áreas verdes e equipamentos de convivência.

A presença do Colinas no pavilhão também reflete uma mudança mais ampla no mercado imobiliário catarinense: o avanço de projetos que valorizam arquitetura autoral e planejamento urbano como diferencial desde a concepção. Nesse contexto, a incorporadora FHaus atua como apoiadora do Pavilhão de Santa Catarina.

“Existe uma nova geração de projetos no Brasil que entende a arquitetura como parte essencial da experiência urbana”, destaca Clécio Fonseca, um dos sócios fundadores da FHaus. “Apoiar a presença de Santa Catarina na Bienal é também apoiar essa discussão sobre como queremos construir as cidades do futuro.”

A empresa nasce com a proposta de desenvolver empreendimentos que colocam arquitetura e design no centro do conceito dos projetos. Sua primeira entrega, o Athene Garden, é assinado pelo arquiteto Leonardo Zanatta, responsável também pelo projeto expográfico da Bienal.

“O Athene vem como um contraponto à lógica do volume e do excesso - justamente o que defende o pavilhão de SC, em uma visão renovada do que é arquitetura de bem-viver para o estado. Nunca pensamos em disputar títulos de ‘maior VGV’ ou ‘prédio mais alto’. Nosso objetivo, desde o início, foi propor um modelo de moradia alinhado a uma demanda mais madura, que busca qualidade ambiental e saúde como premissas de projeto”, afirma Thomas Barichello Fischer, também sócio-fundador da FHaus.

Agenda na Bienal

Além da participação no Pavilhão de Santa Catarina, o Colinas de Camboriú e a incorporadora FHaus também promovem dois encontros dentro da programação da Bienal de Arquitetura Brasileira, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

No dia 6 de abril, será realizado um encontro voltado ao mercado imobiliário, reunindo corretores e profissionais do setor para apresentar o conceito urbanístico do Colinas e discutir novas perspectivas para o desenvolvimento de cidades no Brasil. Já no dia 8 de abril, o arquiteto Jeferson Branco participa de uma palestra na programação da Bienal.

Após a apresentação, Colinas e FHaus promovem um encontro no espaço de Santa Catarina, aberto a convidados, para ampliar o debate sobre arquitetura, urbanismo e inovação no desenvolvimento das cidades.


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