Sutiã errado pode causar dores nas costas, no pescoço e nos ombros; veja como acertar na escolha
Peça inadequada pode comprometer sustentação, postura e conforto no dia a dia; a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto explica por que esse erro é mais comum do que parece
Ele aperta, marca, escorrega, incomoda e, no fim do dia, a única vontade é tirar a peça o mais rápido possível. Para muita gente, isso parece normal. Mas não deveria ser. O uso de um sutiã inadequado pode estar por trás de dores nas costas, tensão nos ombros, desconforto no pescoço e sensação constante de peso no corpo, problemas que muitas mulheres sentem, mas nem sempre associam à lingerie.
Mais do que uma peça íntima, o sutiã exerce função de sustentação. Quando essa função falha, o corpo sente. E sente em áreas que já costumam acumular sobrecarga ao longo da rotina, como cervical, ombros e parte superior das costas.
Segundo a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, esse é um erro mais comum do que parece. “Muitas mulheres escolhem o sutiã pela estética, pelo bojo ou pelo costume de usar sempre o mesmo tamanho. Só que, quando a peça não sustenta corretamente ou distribui mal o peso das mamas, o corpo começa a compensar. Essa compensação pode gerar tensão muscular, desconforto e dor”, explica.
O incômodo que muita gente normalizou
Chegar em casa e sentir alívio imediato ao tirar o sutiã não deveria ser regra. Marcas profundas nos ombros, sensação de aperto nas costelas, dor no pescoço e desconforto nas costas são sinais de que a peça talvez não esteja funcionando como deveria.
“O problema é que esse tipo de incômodo foi naturalizado. Muitas mulheres acham que sentir dor faz parte do uso do sutiã, principalmente quando têm mamas maiores. Mas o corpo não deveria passar horas sob tensão por causa de uma peça que, em tese, serve para oferecer suporte”, afirma Mariana Milazzotto.
Quando a escolha errada pesa no corpo
Na prática, o sutiã inadequado pode concentrar carga demais nas alças, comprimir a região torácica, falhar na sustentação e alterar a forma como o corpo se organiza ao longo do dia. O resultado pode aparecer em forma de dor, rigidez e má postura.
Isso acontece porque, quando a sustentação não é eficiente, a musculatura entra em ação para compensar. Ombros se tensionam, a cervical sobrecarrega, o tronco perde alinhamento e o desconforto se instala, muitas vezes de forma progressiva.
“Nem sempre o sutiã é a única causa da dor, mas ele pode ser um fator importante de manutenção da sobrecarga, especialmente em mulheres que já têm tensão muscular acumulada, rotina sedentária ou mamas mais pesadas”, explica a fisioterapeuta.
Os sinais de que o sutiã pode estar errado
Nem sempre a peça inadequada fica evidente no provador. Muitas vezes, o erro aparece só depois de horas de uso.
Vale prestar atenção em sinais como:
- alças que deixam marcas profundas;
- bojo que aperta ou sobra demais;
- faixa das costas que sobe;
- alças que caem o tempo todo;
- sensação de peso excessivo nas mamas;
- dor nos ombros, no pescoço ou nas costas ao fim do dia;
- alívio imediato ao retirar a peça.
Para Mariana, esses sinais mostram que a sustentação está falhando. “Quando a peça está certa, ela se acomoda bem, distribui o peso e não exige que o corpo passe o tempo todo tentando se adaptar a ela”, diz.
Como escolher melhor
Acertar na escolha do sutiã passa menos por seguir cegamente uma numeração e mais por observar como a peça veste e funciona no corpo real. Isso inclui sustentação, ajuste, conforto e distribuição adequada de peso.
Alguns pontos ajudam:
- a faixa deve ficar firme e reta nas costas;
- as alças precisam sustentar sem cavar os ombros;
- o bojo deve acomodar a mama sem comprimir nem sobrar;
- modelos muito delicados podem não oferecer suporte suficiente para mamas volumosas;
- a peça não deve limitar a respiração nem provocar dor.
“Muitas mulheres seguem usando o mesmo tamanho por anos, mesmo depois de mudanças no corpo, no peso, na rotina hormonal ou na elasticidade da própria peça. Só que o ajuste precisa acompanhar essas mudanças”, explica Mariana Milazzotto.
Não é só estética, é conforto e saúde
A escolha do sutiã ainda costuma ficar restrita à moda, ao visual e ao caimento da roupa. Mas, para a fisioterapeuta, esse olhar é insuficiente. A peça também precisa ser pensada como parte do conforto corporal e da rotina funcional da mulher.
“Quando o sutiã respeita o corpo, ele ajuda. Quando aperta, pesa, marca ou exige compensação muscular o tempo todo, ele deixa de ser apenas um detalhe e passa a ser uma fonte diária de desconforto”, afirma.
No fim das contas, acertar no sutiã ideal não é exagero. É uma decisão que pode melhorar a sustentação, reduzir a dor e fazer diferença real na forma como o corpo atravessa o dia.
Sobre a Dra. Mariana Milazzotto
Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, mestre em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais no atendimento a mulheres com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. É referência no Brasil por sua abordagem humanizada e baseada em evidências científicas.
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