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Paisagismo ganha força no mercado imobiliário ao transformar a experiência de morar

  • Sexta, 08 Mai 2026 18:36
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Débora Nogueira
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Obra assinada pela paisagista Bruna Lucchesi

Projetos paisagísticos deixam de ser apenas ornamentais e passam a influenciar convívio, percepção de valor e atratividade de empreendimentos residenciais.

Como o paisagismo passou a valorizar imóveis e transformar a experiência de morar.

Mais do que um recurso estético, o paisagismo vem ganhando peso estratégico nos projetos residenciais ao influenciar a forma como os espaços são vividos, percebidos e valorizados. Em um mercado em que morar bem já não se resume a metragem, localização ou acabamento, o verde passou a ocupar um lugar central na experiência cotidiana e na atratividade dos empreendimentos.

Esse movimento tem reflexos concretos. Segundo publicação da Virginia Tech (Virginia Polytechnic Institute and State University), um paisagismo bem concebido pode elevar o valor percebido de um imóvel em até 12,7% em alguns casos. Já levantamento recente citado pela National Association of REALTORS®, com base em relatório da National Association of Landscape Professionals, reforça que intervenções externas e paisagísticas seguem fortemente associadas à satisfação do morador e ao potencial de retorno na revenda.

É nesse contexto que se destaca o trabalho da paisagista Bruna Lucchesi. Em vez de composições rígidas ou meramente ornamentais, seus projetos apostam em uma leitura mais orgânica do paisagismo, pensada para acolher a rotina, favorecer a permanência e devolver aos ambientes uma dimensão sensorial. Com texturas naturais, volumes mais livres, materiais orgânicos e sofisticação discreta, Bruna trata o jardim não como moldura, mas como parte efetiva da experiência de habitar. “Meu trabalho parte desse resgate do natural. No Villa Borghese, a proposta foi justamente devolver vida, aconchego e permanência a uma área verde que voltou a ocupar um lugar real na experiência dos moradores”, declara a paisagista.

Um exemplo concreto pode ser observado no Condomínio Villa Borghese, no Morumbi, onde o paisagismo da área externa foi assinado por Bruna. Segundo a síndica Lyna Jenner, moradora do condomínio há 20 anos e responsável pela gestão há seis, a área verde, antes pouco valorizada e sem vitalidade, passou a ocupar outro lugar na vida dos moradores depois da intervenção. O espaço foi ressignificado como área de convívio, encontro e permanência: crianças fazem piqueniques no gramado, jovens se reúnem em um lounge criado em meio ao verde, e famílias usam o salão de festas com vista para o jardim como cenário para celebrações. O paisagismo se tornou, segundo ela, motivo de orgulho coletivo entre os moradores.

Na percepção da gestão do condomínio, a transformação foi além da paisagem. Lyna também associa o novo desenho das áreas externas a uma valorização mais ampla do empreendimento, tanto na imagem construída junto aos moradores quanto na atratividade percebida por quem chega ao local. Segundo seu relato, ao longo dos últimos anos as unidades praticamente dobraram de preço, impulsionadas também pelo novo padrão visual, pela qualificação das áreas comuns e pela presença mais marcante do paisagismo na identidade do condomínio.

Essa leitura encontra eco no mercado imobiliário. Para Julia Citino de Arruda Botelho, CEO da Matchpoint Real Estate Matching, o pós-pandemia reposicionou o olhar do comprador, que passou a atribuir mais valor a elementos ligados à qualidade de vida e ao uso inteligente das áreas compartilhadas. Nesse novo repertório de desejo, jardins, vegetação e espaços de convivência assumem papel estratégico. Com 20 anos de experiência no setor, a executiva ressalta que, ainda que nem sempre seja simples converter esse impacto em um índice exato de valorização, o efeito sobre a liquidez é perceptível: imóveis com esse tipo de atributo despertam mais interesse e tendem a ser vendidos com maior rapidez.

O paisagismo, já com status de protagonista, aparece no trabalho de Bruna Lucchesi, como um elemento capaz de ir além da beleza e interferir diretamente na qualidade do morar. Seus projetos tratam a natureza como presença estruturante: algo que suaviza o excesso urbano, estimula o convívio, acolhe a rotina e amplia a percepção de valor do imóvel.

 


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