Como bares estão reposicionando a experiência de socializar
Novo comportamento urbano abraça programas mais longos e conversáveis e uma atenção crescente à qualidade do tempo compartilhado
Durante décadas, sair para beber significou essencialmente consumir álcool. Hoje, o copo já não sustenta sozinho o motivo do encontro. Em grandes cidades, bares autorais vêm sendo pensados como espaços de convivência, onde a experiência (e não apenas a bebida) organiza a forma como as pessoas se encontram, conversam e permanecem. Esse movimento acompanha mudanças mais amplas no comportamento urbano: o enfraquecimento da lógica da balada, a busca por programas mais longos e conversáveis, e uma atenção crescente à qualidade do tempo compartilhado. Neste cenário, bares deixam de ser pontos de passagem e assumem o papel de destino.
Inaugurado em novembro de 2025 em Curitiba, o Testarossa se insere nesse contexto ao propor uma experiência que começa antes do primeiro drink e se estende ao longo da noite. Com capacidade para 60 pessoas, o bar foi concebido como um espaço contínuo, organizado em cinco diferentes zonas de permanência que modulam a vivência do cliente. Não há pista de dança nem estímulos excessivos: luz, música e mobiliário acompanham o ritmo da conversa. “A gente não queria criar um lugar de consumo rápido, mas um espaço onde as pessoas tenham vontade de ficar”, afirma o bartender Ariel Todeschini, eleito o melhor do Brasil no World Class 2025. “O bar precisa acompanhar o tempo da conversa, não atropelar”, ressalta o profissional.
A arquitetura funciona como mediadora dessa socialização. O balcão aproxima cliente e bartender, a sala de estar convida à permanência e mesas compartilhadas estimulam encontros coletivos. Tudo acontece dentro de um mesmo ambiente, com transições sutis que influenciam o ritmo da noite. Essa lógica também se reflete no serviço e na coquetelaria. Drinks pensados para serem bebidos com calma, perfis sensoriais equilibrados e uma narrativa clara por trás da carta ajudam a ampliar a experiência. “Quando a pessoa entende o que está bebendo, ela se envolve mais. O drink vira parte da conversa”, explica Todeschini.
A hospitalidade, porém, começa antes mesmo do coquetel. No Testarossa, água com e sem gás é servida de forma espontânea e contínua, sem custo. A decisão revela uma ética que desloca o foco da embriaguez para o bem-estar e a permanência. “A experiência não melhora quando a pessoa bebe mais, melhora quando ela se sente bem para ficar”, diz. Mais do que uma tendência, esse novo modelo responde a uma mudança de expectativa. O público já não busca apenas entretenimento, mas contexto, significado e pertencimento, e o bar passa a ser um espaço de relação, não apenas entre pessoas, mas entre pessoas e o lugar. “A gente percebeu que as pessoas não querem mais apenas sair, elas querem se reconhecer no lugar onde estão. Quando o espaço acolhe, o resto acontece naturalmente”, complementa Ariel Todeschini
O Testarossa funciona na Rua Júlia da Costa (nº 551), no Centro de Curitiba (PR), de quinta a segunda, das 19h30 às 02h. Para mais informações, acesse o perfil oficial no Instagram.
Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
<::::::::::::::::::::>