A receita da felicidade
*Por Beatriz Breves
Felicidade, qual ser humano que não quer ser feliz? Arrisco-me a dizer que a felicidade talvez seja um dos sentimentos mais cobiçados entre as pessoas.
Há quem diga que felicidade não existe. Há quem diga que felicidade só acontece em alguns momentos. Mas há também quem diga que felicidade é um sentimento que se instala permanentemente ao fundo, na vida da gente.
Muitas pessoas perguntam: Como alguém pode ser feliz? Qual seria a receita para alcançar a felicidade?
A verdade é que não existe uma fórmula pronta. E isso porque não há uma receita única capaz de servir a todos. O ser humano não é uma máquina na qual se insere um programa que funciona da mesma maneira em todos os sistemas. Cada ser humano é único em sua sensibilidade e subjetividade. Por isso, o caminho é cada um buscar dentro de si os ingredientes para ser feliz.
De fato, dinheiro não compra felicidade, mas é inegável que a falta de dinheiro, quando não se tem o mínimo para as necessidades básicas, por exemplo, se há fome, miséria ou a ausência do mínimo para viver com dignidade, a tendência é nos afastarmos, e muito, da felicidade.
A felicidade é um entre os milhares de sentimentos que coexistem, se misturam e se influenciam mutuamente, embora a maioria das pessoas desconheça essa complexidade. Seria como se cada indivíduo fosse o maestro de sua própria orquestra de sentimentos, regendo a peça musical do seu Eu, composta por sentimentos que variam em intensidade, ritmo e profundidade.
Portanto, ser feliz é aprender a se ouvir enquanto pessoa e assim se tornar capaz de ir compondo o seu Eu com cada vez mais qualidade. Ser feliz é também, e antes de tudo, se reconhecer humano, com tudo o que envolve ser humano — solidariedade, egoísmo, esperança, desilusão, enfim, um ser sensível que é e pertence à natureza. Ser feliz é dia a dia poder explorar e, assim, ampliar o reconhecimento interno do mundo dos sentimentos.
E é dessa forma que a receita se faz pessoal e individualizada, se revelando na capacidade de aprender a transitar pelos sentimentos e, assim, reger a música em permanente construção que cada um de nós é.
Quando a noite chegar, vale perguntar a si mesmo o que fez ao longo do dia e, mais ainda, o que sentiu em cada uma dessas ações. Esse simples gesto abre a oportunidade de reconhecer que, muito mais do que um corpo material, somos um complexo vibracional, capaz de perceber sensações e sentimentos.
Enfim, a felicidade é um conjunto de sentimentos e, ao mesmo tempo, um esteio para eles, assim como o resultado de sua própria interação. O sentimento de felicidade é, na verdade, uma aliança com a vida; uma complexidade interna que nos permite experimentar a alegria de viver, aquela alegria simples e profunda que, quando se manifesta, nos faz verdadeiramente felizes.
Beatriz Breves é psicóloga, psicanalista e escritora, autora do livro Eu Fractal – conheça-te a ti mesmo.
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