SEGS Portal Nacional

Demais

Multitarefa: a corrida que ninguém vence

  • Quinta, 23 Outubro 2025 18:28
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Carolaine Oliveira de Souza
  • SEGS.com.br - Categoria: Demais
  • Imprimir

Divulgação | Freepik

Por: Lucas Freire

Vivemos em um tempo em que ser produtivo se tornou sinônimo de valor pessoal. A rotina acelerada, os prazos curtos e a exigência por resultados fazem com que muitos se orgulhem de conseguir "dar conta de tudo". Mas, por trás dessa imagem de eficiência, há um esgotamento crescente que poucos reconhecem, e menos ainda ousam nomear.

O hábito de realizar várias tarefas ao mesmo tempo parece um sinal de competência. Na verdade, é o contrário. Pesquisas em neurociência mostram que o cérebro não faz multitarefa de verdade: ele apenas alterna rapidamente entre tarefas, perdendo até 40% da eficiência no processo. É como tentar ouvir várias músicas ao mesmo tempo: o som vira ruído, e nada se aproveita por completo.

Essa busca constante por produtividade nasce de uma cultura que nos ensinou desde cedo que nosso valor está no que entregamos, não no que vivemos. É como se fôssemos máquinas em manutenção permanente, sempre precisando provar que ainda funcionamos. O descanso, o tédio e até o silêncio passam a ser vistos como desperdício de tempo.

Assim, mesmo quando o corpo para, a mente continua em movimento, pulando de um pensamento a outro, incapaz de desligar. A tecnologia, que deveria facilitar a vida, acaba ampliando essa dinâmica, e estamos sempre disponíveis, conectados e distraídos.

O resultado é uma sensação de cansaço permanente. Dormir não basta, relaxar parece impossível, e a ideia de tempo livre perde completamente o sentido. Você acorda cansado, passa o dia cansado e dorme cansado, sonhando com as tarefas do dia seguinte.

Com o tempo, essa rotina cobra um preço alto, e geralmente em lugares que você não esperava. A pressa rouba a presença. Você está com seu filho, mas pensando na reunião de amanhã. Está no jantar, mas checando e-mails. Está na cama, mas o cérebro já montou a agenda da semana que vem. A necessidade de estar sempre ocupado impede que se perceba o essencial: que vida é essa, afinal, em que você não está realmente presente em lugar nenhum?

Aqui entra algo que muda completamente o jogo, mas que quase ninguém te conta: o play (em português, seria algo como "brincar", mas a palavra não traduz a complexidade do fenômeno). Play não é "atividade de integração" da empresa. Não é aquele videogame no escritório que ninguém usa por medo de parecer improdutivo. Play é um estado biopsicossocial que envolve corpo, mente e relações, tirando você do modo sobrevivência e colocando no modo viver de verdade.

Pense comigo: quando foi a última vez que você fez algo completamente "inútil"? Algo que não ia render um post, melhorar seu currículo, queimar calorias mensuráveis ou aumentar sua produtividade? Algo gloriosa e magnificamente inútil? É exatamente aí que mora o antídoto para a exaustão coletiva.

A ironia cruel é que vivemos cercados de "entretenimento": Netflix infinito, TikTok sem fim, jogos, séries, memes. Mas isso não é play genuíno. É distração algorítmica, consumo passivo que mantém você ocupado sem renovar suas energias.

Desacelerar, hoje, é quase um ato de coragem, de rebeldia até. Concentrar-se em uma única coisa. Desligar o celular por algumas horas. Permitir-se o tédio. Simplesmente não fazer nada pode parecer simples, mas exige resistência contra uma cultura que glorifica o excesso e mede seu valor pelo quanto você aguenta.

A verdadeira eficiência não está em fazer mais, mas em escolher o que realmente merece atenção. Reconhecer que seu cérebro não foi projetado para essa corrida maluca de estímulos constantes. Ele foi desenhado para alternar entre foco intenso e recuperação real, entre trabalho e play, entre fazer e ser.

Talvez a solução não esteja em produzir sem parar, mas em reencontrar o ritmo natural das coisas, aquele em que o tempo não é inimigo, e sim um espaço para existir com mais clareza, leveza e presença. Lembre-se sempre: quanto mais você tentar dar conta de tudo, mais esquecerá de dar conta de si mesmo.

--

Lucas Freire é psicólogo e autor de "Exaustos: Imaginando saídas para o cansaço diário"


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+DEMAIS ::

Fev 06, 2026 Demais

Visto americano: quatro dicas essenciais para conseguir…

Fev 06, 2026 Demais

Aluguel por temporada no Carnaval exige atenção…

Fev 06, 2026 Demais

Como acertar na maquiagem de carnaval

Fev 06, 2026 Demais

Do confete ao bar de drinks: Carnaval pode virar tema…

Fev 06, 2026 Demais

Acessórios de moda para o Carnaval 2026: 5 dicas de…

Fev 06, 2026 Demais

Azimut Yachts exporta 15% da produção e transforma a…

Fev 06, 2026 Demais

Carnaval 2026 aquece locações por temporada e advogado…

Fev 06, 2026 Demais

Saúde também entra no bloco: rede de clínicas reforça…

Fev 05, 2026 Demais

​Mais frescor, menos consumo: como acertar na escolha…

Fev 05, 2026 Demais

Climatização eficiente se torna essencial em grandes…

Fev 05, 2026 Demais

A nova lógica de expansão no franchising brasileiro

Fev 05, 2026 Demais

Parallel apresenta o "Vermuteo": quinta-feira é dia de…

Fev 05, 2026 Demais

Mais quentinho, mais suculento e mais saboroso:…

Fev 05, 2026 Demais

Hora de trocar o colchão: descubra os sinais de que ele…

Fev 05, 2026 Demais

Cirrus apresenta o novo Vision Jet G3

Fev 05, 2026 Demais

Alternativas ao glitter ganham espaço na maquiagem e no…

Mais DEMAIS>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version