Vai contratar seguro no varejo? Veja como grandes empresas economizam e ampliam cobertura
Mapear perfil de risco é uma das táticas para conseguir bom contrato; desconfiança é uma das principais barreiras na contratação de seguros no Brasil, segundo a Susep
O seguro mais barato e abrangente quase nunca é o melhor. Esse é um dos princípios que as corporações levam em consideração na hora de contratar um grande seguro, e essas estratégias podem ser usadas pelo consumidor individual para garantir um contrato mais eficiente para proteger sua casa, seu carro ou sua saúde, por exemplo.
De acordo com o relatório Acesso ao Seguro no Brasil, da Susep (Superintendência de Seguros Privados), a falta de conhecimento e a desconfiança do consumidor, além do custo elevado, são apontados como as principais barreiras para a expansão do seguro no Brasil.
Para Débora Schalch, sócia-fundadora do Schalch Sociedade de Advogados (SSA), o primeiro passo para superar a desconfiança e pagar um valor justo em um seguro sob medida no varejo reside exatamente no conhecimento dos riscos do setor de atuação profissional, do estilo de vida e dos bens pessoais.
"O conhecimento profundo dos riscos é o que permite transformar o seguro de um custo burocrático em um investimento estratégico para preservação de patrimônio e de vidas. Esse conceito de adequação universal norteia grandes riscos corporativos e pode e deve ser usado por pessoas físicas na avaliação de seus contratos”, afirma a advogada. “Isso permite que a transferência do risco seja legítima e funcional para todas as partes envolvidas, mitigando conflitos, reclamações e perda de confiança.”
Por exemplo, se o interessado em contratar um seguro de residência mora em local com risco de enchente, ou com muita queda de energia, é importante ter coberturas que contemplem esses riscos e as consequências relacionadas. “Neste caso, o valor pago pode até ser maior, mas o prejuízo financeiro de repor eletrodomésticos queimados ou móveis perdidos será infinitamente superior à diferença paga na apólice", explica.
As dicas dos grandes
A advogada defende que o interessado em fazer um seguro sob medida no varejo, que atenda às demandas do segurado e evite surpresas na hora do sinistro, pode se apropriar de estratégias de planejamento e avaliação similares às usadas em grandes seguros.
Débora Schalch: Um dos erros mais comuns que leva à negativa ou demora de indenização é a omissão de dados no questionário de risco. Crédito: Divulgação
1. Mapeie detalhadamente seu perfil de risco
Grandes empresas fazem um mapeamento detalhado para garantir que não estão subcontratando (pouca cobertura) ou pagando por excesso de coberturas desnecessárias. Aplique este método ao seu dia a dia, fazendo uma lista com os detalhes do perfil do que você está segurando e das ameaças reais. Exemplos:
Para a casa ou apartamento: avalie os riscos da sua localização, se está em área de enchente, altos índices de roubo na região etc. Se possui sistema de segurança e o valor real de itens específicos, como joias. Não foque só no básico, como incêndio;
Para o carro: considere a frequência de uso, com trabalho e lazer, os locais onde o veículo pernoita e o risco da região de circulação;
Para a família e vida: avalie o impacto da perda de sua capacidade de trabalho, a dependência financeira de seus familiares e a necessidade de cobertura para doenças graves.
Uma análise técnica detalhada da matriz de riscos que permite buscar soluções personalizadas e evitar o excesso de coberturas desnecessárias, ou o erro de preenchimento que anularia a apólice.
2. Transparência nas informações
Um dos erros mais comuns que leva à negativa ou demora de indenização é a omissão de dados no questionário de risco. O seguro só é válido se o segurado for assertivo ao responder sobre o perfil de uso ou estado do bem.
Seja objetivo: seja honesto sobre quem dirige o veículo, se há histórico de doenças na família para seguro de vida, ou se a casa fica desocupada por longos períodos. A omissão ou inexatidão pode resultar na perda total do direito à indenização e, em casos extremos, como fraude;
Dados importam: se o seu perfil de risco mudou, por exemplo (começou a usar o carro para trabalho de aplicativo, ou reformou a casa), comunique imediatamente à seguradora para reajustar a apólice.
3. Revisão técnica além do preço
O seguro adequado exige mais do que a simples comparação de prêmios e coberturas básicas. É preciso garantir que a proteção escolhida seja juridicamente adequada e funcional.
O essencial: revise as cláusulas da apólice, especialmente as exclusões, ou seja, os riscos que não estão cobertos. Verifique as contragarantias, que são as condições que você deve cumprir para que o seguro seja válido;
Prevenção de conflitos: atuar de forma preventiva na revisão de contratos minimiza o risco de litígios. Em caso de sinistro complexo ou dúvidas, buscar suporte jurídico especializado pode garantir que a transferência de risco seja legítima, mitigando a perda de confiança.
“A análise técnica detalhada da matriz de riscos é o que diferencia um contrato eficiente de uma apólice com cláusulas excessivamente técnicas que acabam por desmotivar a adesão. Quando o segurado compreende as ameaças reais ao seu patrimônio ou à sua capacidade laboral, ele se torna capaz de buscar soluções personalizadas e evitar a subcontratação ou o excesso de coberturas desnecessárias”, conclui a especialista.
Sobre a SSA
Fundada em 1991 em São Paulo, a Schalch Sociedade de Advogados (SSA) é reconhecida como um dos mais conceituados escritórios na área do Direito Securitário. A SSA presta assessoria jurídica especializada a empresas, nacionais e estrangeiras, atuando no consultivo e no contencioso, em todos os ramos e modalidades de operações de seguro, oferecendo assessoria especializada em regulações de sinistros, subscrição, mapeamento, gestão e mitigação de riscos corporativos e setoriais, atuando em arbitragens e mediações no Brasil e no exterior. Mais informações podem ser obtidas no site do escritório.
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