O avanço das insurtechs e o futuro do corretor de seguros no Brasil
Por Diego Maia
O mercado de seguros brasileiro está passando por uma transformação silenciosa — mas profunda. Nos últimos anos, as chamadas insurtechs ganharam espaço aceleradamente, mudando a forma como seguros são vendidos, contratados e até percebidos pelos consumidores. Plataformas digitais, inteligência artificial, contratação online, análise automatizada de risco e atendimento instantâneo deixaram de ser tendência e passaram a fazer parte da realidade do setor.
E isso levanta uma pergunta inevitável: a permanência do corretor de seguros será ameaçada? A minha resposta é objetiva: não. Mas o corretor que insistir em trabalhar como há dez anos correrá risco, sim.
Os números ajudam a explicar por que o tema ganhou relevância. Segundo dados da Distrito Insurtech Report, o Brasil já ultrapassou a marca de 200 insurtechs em operação, atuando em segmentos como: seguros automotivos; vida; saúde; proteção; residencial; seguros empresariais; e análise de dados e prevenção de riscos.
O avanço é impulsionado principalmente pelo novo perfil do consumidor: mais digital, mais imediatista e menos tolerante à burocracia. Uma pesquisa da PwC revelou que mais de 60% dos consumidores brasileiros preferem processos digitais simplificados na contratação de serviços financeiros, incluindo seguros. E isso muda completamente o jogo.
Cotação rápida, contratação online, atendimento imediato e linguagem simples geram conveniência. Por outro lado, o mercado de seguros possui uma característica que nenhuma tecnologia conseguiu eliminar: a necessidade de confiança.
Seguro não é compra por impulso. É uma decisão emocional ligada à proteção, patrimônio, saúde, família e futuro e é justamente nesse aspecto que o corretor continua sendo extremamente relevante.
O profissional que apenas “faz cotação” já é substituído, pois a tecnologia faz isso mais rápido. Já aquele que se posiciona como um consultor, que orienta, explica, educa e auxilia, emplaca melhores resultados. Um outro levantamento, da Capgemini Research Institute, aponta que mais de 70% dos clientes preferem a interação humana em decisões financeiras complexas, onde o seguro se enquadra, inclusive.
As insurtechs também criaram oportunidades
Considerar as insurtechs apenas como concorrentes é um erro estratégico, pois na prática, elas também abriram portas. Simplificaram processos, reduziram burocracia, aceleraram emissão de apólices, facilitaram comparações e ampliaram o acesso do consumidor ao mercado de seguros, aquecendo o setor.
A diferença é que com a inovação, se antes o consumidor dependia exclusivamente do corretor para obter informação, hoje ele já chega mais informado, conectado e exigente. Por isso, o corretor que produzir conteúdo, esclarecer dúvidas, orientar clientes e construir presença digital nas redes sociais se transformará em referência.
Existe ainda muito o que ser conquistado no setor, pois o Brasil tem baixa penetração de seguros comparado a países desenvolvidos. Dados da CNseg mostram que o mercado segurador representa cerca de 6% do PIB.
Diante de uma perspectiva de crescimento exponencial, o corretor bem sucedido será o que se adaptar à tecnologia, aproveitar a facilidade da automação na jornada de vendas e que paralelamente cultivar relações sólidas e duradouras com seus clientes. O profissional moderno não vende somente apólices, mas tranquilidade.
*Diego Maia é considerado o Especialista em vendas número 1 do Brasil, palestrante de vendas mais contratado do país, autor de 8 livros publicados (dentre eles o livro “O Corretor de Seguros e a Nova Forma de Vender”) e apresentador do Podcast de Vendas do Diego Maia. É fundador da CDPV — Companhia de Palestras.
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