Negócios em Risco: O Impacto dos Desastres Climáticos na Vida do Empresário Brasileiro
Desastres climáticos causaram mais de R$ 400 bilhões em prejuízos no Brasil nos últimos 10 anos, conforme levantamento feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). Com o aumento de enchentes, secas, ondas de calor e fenômenos como o El Niño, o impacto direto sobre empresas vai desde pequenos negócios a grandes indústrias.
“Na prática, esses eventos geram efeitos imediatos no dia a dia dos negócios. Enchentes podem interromper estradas e atrasar entregas. Secas reduzem a oferta de insumos agrícolas, enquanto ondas de calor elevam custos com energia e impactam a produtividade”, explica Gabriel Buzzi, sócio de Risco e Sustentabilidade da Baker Tilly Brasil.
O El Niño, por exemplo, é um aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial que altera a circulação dos ventos e muda padrões de chuva e temperatura no mundo. No Brasil, gera extremos: enquanto algumas regiões têm chuvas intensas, outras enfrentam seca.
Para 2026, a previsão é de maior impacto no Sul, com aumento das chuvas que tem previsão de retorno, costuma intensificar extremos climáticos no país, agravando tanto períodos de seca quanto de chuvas intensas, dependendo da região.
Além do impacto operacional, há também pressão crescente por transparência. Com a entrada em vigor das normas internacionais, empresas passaram a ser cobradas a identificar, mensurar e divulgar como os riscos climáticos afetam seus resultados financeiros.
“O clima deixou de ser uma variável externa e passou a ser um fator direto de risco empresarial. Um evento extremo pode comprometer a cadeia de suprimentos, pressionar custos e afetar o resultado financeiro. E isso precisa ser tratado de forma estruturada”, afirma Gabriel.
Os impactos variam conforme o setor. No varejo, enchentes podem comprometer o abastecimento e elevar preços. Na indústria, desastres afetam produção e logística. Já no agronegócio, secas, excesso de chuva e eventos como o El Niño influenciam diretamente a produtividade e a receita.
Um exemplo prático: uma rede de supermercados pode enfrentar alta no preço de hortifrutigranjeiros após períodos de seca ou chuva intensa. Com isso, as margens diminuem e o comportamento do consumidor muda. Em situações mais críticas, lojas podem fechar temporariamente por causa de alagamentos.
“A discussão não é mais se os eventos climáticos vão afetar os negócios, mas quando e com qual intensidade. Empresas preparadas conseguem responder melhor e preservar valor”, finaliza Buzzi.
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