Nova lei amplia responsabilidade das empresas na saúde do trabalhador
Mudança na CLT obriga divulgação de campanhas e acesso a exames preventivos
O governo federal sancionou uma lei que amplia as obrigações das empresas no campo da saúde do trabalhador. A partir desta semana, empregadores de todo o país passam a ser responsáveis por informar seus funcionários sobre campanhas oficiais de vacinação e sobre formas de acesso a serviços de diagnóstico de diferentes tipos de câncer. A medida altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e insere o tema da prevenção como parte da rotina corporativa, com diretrizes alinhadas às recomendações do Ministério da Saúde.
Para o advogado Thayan Fernando Ferreira especialista no direito de saúde e no direito público, membro da Comissão de Direito Médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados, a mudança representa um avanço relevante na legislação. “Com a alteração, a CLT passa a contar com o artigo 169-A, que determina que as empresas não apenas divulguem essas informações, mas também promovam ações de sensibilização entre seus funcionários. Além disso, as orientações deverão seguir as recomendações do Ministério da Saúde, inclusive com esclarecimentos sobre o acesso a serviços de diagnóstico. A iniciativa reforça o papel das empresas na promoção da saúde e contribui para a detecção precoce de doenças”, esclarece.
A nova legislação também modifica regras relacionadas à ausência justificada no trabalho. De acordo com Thayan, o texto amplia a transparência sobre direitos já existentes. “A lei também altera o artigo 473 da CLT, incluindo a exigência de que o empregador comunique formalmente os funcionários sobre a possibilidade de ausência para cuidados com a saúde, especialmente para a realização de exames preventivos, sem prejuízo da remuneração. Essa previsão tende a reduzir barreiras que ainda dificultam o acesso de trabalhadores a consultas e exames”, explica.
Na prática, a norma busca integrar políticas públicas de saúde ao ambiente corporativo. A exigência de campanhas informativas e ações educativas deve incentivar a adesão a programas de vacinação e a realização de exames periódicos, o que pode impactar indicadores de saúde no médio e longo prazo. “Ao estimular o acesso à informação e garantir condições para o cuidado preventivo, a medida beneficia não apenas o trabalhador, mas também a coletividade dentro das empresas, com prováveis reflexos na redução de afastamentos e no aumento da produtividade”, conclui Thayan.
O movimento ocorre em paralelo a iniciativas voltadas à ampliação do acesso a tratamentos no sistema público. Recentemente, uma parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD foi anunciada com o objetivo de viabilizar a produção de terapias inovadoras contra o câncer no Brasil, o que reforça a estratégia de atuação integrada entre prevenção, diagnóstico e tratamento no país.
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