Fechamento do 1º trimestre testa maturidade da gestão nas empresas brasileiras
Organização de dados e integração entre áreas se tornam decisivas para lidar com a rotina financeira em meio às mudanças da reforma tributária
O fechamento do primeiro trimestre do ano costuma ser um dos momentos mais críticos para as empresas avaliarem resultados financeiros, revisar estratégias e ajustar projeções. Em 2026, porém, esse processo ganhou uma camada extra de complexidade onde, além de consolidar números e analisar desempenho, muitas organizações também precisam lidar com os primeiros impactos operacionais da transição da reforma tributária brasileira, que começou em janeiro e deve se estender ao longo da próxima década.
A mudança no sistema de tributos sobre consumo, que institui novos mecanismos como a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tende a alterar fluxos contábeis, fiscais e financeiros das companhias, exigindo maior integração de dados e revisão de processos internos. De acordo com levantamento “Panorama do Contas a Pagar 2026”, realizado pela Qive em parceria com a Opinion Box, 40% das empresas brasileiras ainda não iniciaram os trabalhos para adaptar seus processos e sistemas à reforma tributária, enquanto apenas 38% começaram o mapeamento dos impactos operacionais.
Nesse contexto, a qualidade das informações e a capacidade de integração entre áreas passam a ser fatores determinantes para que empresas consigam fechar resultados com segurança e tomar decisões rápidas. Conforme Alvaro Chaves, CEO da Areco, empresa de tecnologia e consultoria com ecossistema próprio de soluções de gestão empresarial, o fechamento do trimestre sempre foi um momento de diagnóstico da operação.
“A diferença agora é que ele acontece em paralelo a uma transformação estrutural do sistema tributário, o que aumenta a pressão por dados confiáveis e processos mais organizados”, explica o CEO. Segundo ele, organizações que ainda operam com dados descentralizados ou controles paralelos enfrentam mais dificuldades para consolidar informações financeiras e fiscais em períodos de análise mais intensos, como o fechamento de trimestre.
“Quando as informações estão espalhadas entre planilhas e sistemas diferentes, o fechamento financeiro vira um processo mais demorado e sujeito a inconsistências. Diante de um cenário de mudanças regulatórias, isso aumenta o risco de retrabalho e compromete a velocidade da tomada de decisão”, complementa Alvaro.
A necessidade de maior organização interna também aparece em pesquisas sobre gestão empresarial no país. Estudo da Fundação Dom Cabral em parceria com a Grant Thornton Brasil aponta que mais de 70% das empresas brasileiras afirmam ter acelerado investimentos em tecnologia e digitalização de processos nos últimos anos, justamente para melhorar controle financeiro, governança e eficiência operacional.
Para Chaves, o avanço da tecnologia de gestão ajuda empresas a transformar o fechamento financeiro em uma ferramenta estratégica, e não apenas em uma obrigação contábil.
“Quando os dados estão integrados e atualizados em tempo real, o fechamento passa a orientar decisões sobre custos, fluxo de caixa e planejamento tributário. Isso se torna ainda mais relevante em um momento em que o ambiente regulatório está mudando rapidamente”, destaca o especialista.
Com a transição da reforma tributária prevista para ocorrer de forma gradual até 2033, o especialista aponta que os próximos trimestres continuarão exigindo maior disciplina na organização de informações financeiras e fiscais.
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