Como o consórcio pode ajudar no planejamento financeiro familiar no Brasil
Por Tatiana Schuchovsky Reichmann*
Planejar o futuro deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade para muitas famílias brasileiras. Em um cenário marcado por juros elevados, pressão da inflação sobre o orçamento e crédito cada vez mais caro e escasso, a forma como se realizam grandes projetos, como a compra da casa própria, de um veículo ou o investimento em educação e serviços, faz toda a diferença para a saúde financeira no longo prazo. E é nesse contexto que o consórcio se consolida como uma ferramenta estratégica de planejamento.
Os números positivos do setor provam que os consumidores estão aderindo à modalidade em ritmo crescente. De acordo com dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), nos onze meses de 2025, o segmento movimentou R$ 467 bilhões em negócios, o que representa um crescimento de 31,9% em relação aos R$ 354,13 bilhões registrados no mesmo período de 2024, com adesões que somaram 4,78 milhões, alta de 14,6% frente às 4,17 milhões do ano anterior.
A alta nas buscas se deve a um dos principais atributos do produto, a compra planejada. Diferentemente do financiamento tradicional, ela não se baseia na lógica da urgência e do endividamento, mas na organização e no compromisso mensal com um objetivo bem definido. Ao aderir a um consórcio, a família assume parcelas personalizadas ao seu orçamento e sem a incidência de juros, o que torna o custo final significativamente menor quando comparado a outras formas de crédito. Aqui, inclusive, vale destacar que, segundo informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgadas em janeiro de 2026, o nível de endividamento de dezembro de 2025 (78,9%) foi o maior para o mês em toda a série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Outro ponto central do consórcio é o estímulo à disciplina financeira. A solução funciona em uma estratégia de médio e longo prazo, incentivando o hábito de poupar de forma estruturada. Assim, ao longo dos meses, o pagamento regular das parcelas cria uma cultura de organização e responsabilidade com o dinheiro, fundamentos essenciais para a educação financeira das famílias. Diante disso, mais do que proporcionar a aquisição um bem ou serviço, o produto contribui para a construção de uma relação mais consciente e equilibrada com as finanças.
Em tempos de juros altos, essa característica se torna ainda mais relevante. Enquanto os formatos tradicionais de liberação de crédito podem transformar um sonho em um passivo oneroso, com parcelas crescentes e impacto direto no orçamento familiar, o consórcio oferece previsibilidade, uma vez que as famílias sabem exatamente quanto vão pagar e por quanto tempo, preservando a estabilidade financeira.
Além disso, a modalidade é uma alternativa democrática e versátil. Ela permite o acesso a bens de alto valor sem a necessidade de entrada e com flexibilidade de prazos e créditos, facilitando ainda mais o planejamento financeiro
Por fim, ao oferecer um caminho seguro, estruturado e econômico para a realização de objetivos, o consórcio vai além da aquisição de bens. Ele promove educação financeira, fortalece a cultura do planejamento e contribui para a estabilidade econômica no longo prazo. Em um país onde o endividamento ainda é um desafio, inclui-lo na organização das famílias brasileiras não é apenas uma escolha inteligente — é uma estratégia essencial para construir um futuro mais equilibrado e sustentável.
* Tatiana Schuchovsky Reichmann é administradora, especializada em gestão empresarial e CEO da Ademicon. Com 30 anos de atuação na empresa, lidera atualmente uma equipe de 450 colaboradores e 10 mil consultores de venda em todo o Brasil. Acredita que o consórcio é um meio de democratizar o acesso ao crédito e uma ferramenta de planejamento financeiro.
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