Falta de alinhamento de competências compromete metas empresariais
Janeiro concentra decisões estratégicas nas empresas, mas a revisão do mapa de competências ainda fica em segundo plano e gera desalinhamentos que impactam contratações, desempenho e resultados ao longo do ano.
Janeiro é o mês em que as empresas definem metas, estruturas e prioridades para o ano. O problema é que, em muitas organizações, essas decisões acontecem antes da revisão do mapa de competências — criando um desalinhamento que só aparece quando o ano já está em curso e os resultados não acompanham o planejamento.
Tradicionalmente visto como um documento técnico, o mapa de competências muitas vezes é tratado como uma etapa secundária do planejamento estratégico de pessoas. Na prática, isso faz com que áreas de RH passem boa parte do ano operando em modo corretivo, ajustando contratações, treinamentos e estruturas que já nasceram desalinhadas das reais necessidades do negócio.
Estudos globais indicam que a lacuna de competências é um risco direto à competitividade das empresas. Segundo o World Economic Forum, 44% das habilidades dos profissionais devem mudar até 2027, e 50% dos trabalhadores precisarão de requalificação para continuar relevantes. Já a CEO Survey da PwC mostra que a escassez de competências está entre os principais riscos estratégicos apontados por líderes empresariais para o crescimento dos negócios.
“Revisar o mapa de competências, é uma atividade crítica para o plano estratégico de pessoas e deve ser realizdo antes da definição das prioridades da área. Quando o RH entra tarde nesse processo, a corre o risco de passar o ano inteiro corrigindo rota”, afirma Patricia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil, grupo detentor do Pandapé.
Outro equívoco recorrente é limitar a revisão às competências técnicas. Habilidades comportamentais, capacidade analítica, adaptação a ambientes digitais e competências ligadas à tomada de decisão passaram a ser determinantes em praticamente todos os setores. Ignorar esse conjunto mais amplo de competências compromete não apenas as contratações, mas também o desenvolvimento e a avaliação de desempenho ao longo do ano.
Para Patricia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil, revisar competências é um exercício de elevado valor agregado. “É nesse momento que o RH conecta a estratégia do negócio com as pessoas. Quando essa conversa não acontece no momento certo, o planejamento nasce desalinhado e os ajustes acabam sendo mais caros e desgastantes”, afirma.
A tecnologia tem papel central nesse processo. Plataformas de RH permitem integrar dados de recrutamento, desempenho e movimentações internas, oferecendo uma visão mais clara sobre lacunas de competências e potenciais internos. Com isso, o RH deixa de atuar apenas de forma reativa e passa a antecipar riscos e necessidades ao longo do ano.
Mais do que um ritual de início de ano, a revisão do mapa de competências se consolida como uma ferramenta estratégica para sustentar decisões ao longo de todo o ciclo anual. Em um cenário de mudanças rápidas e pressão por resultados, planejar o ano sem revisar competências deixou de ser uma falha operacional, e passou a ser um risco estratégico.
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