Processos desorganizados limitam escala e rentabilidade das empresas em Natal
Expansão dos negócios formais expõe gargalos operacionais comuns entre empresas da capital potiguar
Mesmo com o aumento no número de empresas formais, empresários de Natal convivem com um obstáculo recorrente que tem limitado a consolidação dos negócios: a falta de organização interna. Processos pouco definidos, rotinas informais e decisões concentradas na figura do dono ajudam a explicar por que muitas empresas conseguem abrir as portas, mas enfrentam dificuldade para ganhar escala e manter estabilidade ao longo do ano.
Dados do Sebrae indicam que o número de pequenos negócios na capital potiguar cresceu mais de 50% nos últimos cinco anos, consolidando a cidade como principal polo empresarial do Rio Grande do Norte. Levantamento do Mapa de Empresas do governo federal mostra que cerca de 38% das empresas ativas do estado estão concentradas em Natal, com predominância dos setores de serviços, comércio e turismo, segmentos mais sensíveis a falhas operacionais e margens apertadas.
Na prática, esse crescimento não tem sido acompanhado por uma estrutura de gestão capaz de sustentar a operação. Empresários relatam dificuldades para organizar equipes, padronizar rotinas e acompanhar resultados, especialmente no início do ano, quando as demandas se acumulam e novas metas entram em vigor. O resultado costuma ser retrabalho, atrasos e dependência constante do proprietário para resolver questões do dia a dia.
Para Hygor Lima, especialista em gestão de processos e fundador da Potencialize Resultados, o problema é estrutural e recorrente entre empresas locais. “O negócio até cresce, mas a organização interna não acompanha. A empresa vende mais, contrata mais gente, mas continua funcionando no improviso. Isso gera sobrecarga e trava o crescimento”, afirma.
Segundo ele, a falta de processos claros afeta diretamente a produtividade e a tomada de decisão. “Quando a operação depende da memória das pessoas ou da presença do dono, qualquer imprevisto vira um problema maior. O empresário passa mais tempo resolvendo urgências do que planejando”, avalia.
Estudos do Sebrae, com base no Global Entrepreneurship Monitor (GEM Brasil), apontam que falhas de gestão, ausência de planejamento e processos pouco estruturados estão entre os principais fatores associados ao fechamento precoce de pequenas empresas no país. Em mercados regionais com forte concentração de serviços, como o potiguar, esse impacto tende a ser ainda maior, já que a capacidade de absorver ineficiências é limitada.
Outro ponto frequente é a centralização das decisões. De acordo com Hygor, muitos empresários acabam se tornando o principal gargalo do próprio negócio. “Quando tudo precisa passar pelo dono, a empresa perde agilidade. Organizar processos é o que permite delegar com segurança e fazer o negócio funcionar mesmo sem o empresário o tempo todo na operação”, explica.
Essas questões estarão no centro dos debates do PXP 2026, que ocorre nos dias 6 e 7 de março, em Natal (RN). O encontro reúne empresários e gestores de escritórios contábeis para dois dias de imersão voltada à organização de processos, aumento de produtividade e construção de operações escaláveis. Promovido pela Potencialize Resultados, o evento acontece em um momento de pressão crescente sobre o setor, marcado pelo avanço da complexidade fiscal, pela digitalização das obrigações acessórias e pela exigência de entregas mais previsíveis por parte dos clientes.
Empresários apontam cinco formas de organizar a gestão no início do ano
Diante desse diagnóstico, especialistas defendem que a organização interna comece por medidas práticas, aplicáveis ao dia a dia das empresas locais.
- Identificar as atividades mais críticas da operação e onde ocorrem atrasos ou retrabalho
- Documentar rotinas essenciais para reduzir a dependência de conhecimento informal
- Criar indicadores simples para acompanhar prazos e qualidade das entregas
- Definir responsabilidades de forma clara para ampliar a autonomia das equipes
- Acompanhar a execução das mudanças para evitar que a organização fique apenas no papel
Para o especialista, empresas que avançam nessa direção conseguem reduzir erros e ganhar previsibilidade. “Processo não é burocracia. É clareza. Quando cada um sabe o que fazer, o empresário consegue sair do modo emergencial e pensar de forma mais estratégica”, diz.
O aumento da busca por apoio técnico e consultorias de gestão em Natal reflete essa necessidade de profissionalização. O cuidado, segundo Hygor, é evitar soluções genéricas. “Cada empresa tem uma realidade diferente. O que funciona é diagnóstico, organização gradual e acompanhamento constante”, pontua.
Na avaliação do especialista, discutir organização interna deixou de ser um tema secundário para o empresariado local. “Crescer sem organização custa caro. As empresas de Natal estão percebendo que estruturar processos é fundamental para sustentar o crescimento ao longo do ano”, conclui.
Sobre Hygor Lima
Hygor Lima é especialista em gestão de processos para o setor contábil e fundador da Potencialize Resultados, consultoria referência nacional na padronização de rotinas e aumento da produtividade em escritórios de contabilidade. Com mais de 13 anos de experiência na área, já apoiou centenas de empresas na estruturação de fluxos operacionais, redução de retrabalho e capacitação de equipes.
É o idealizador do Método DITA, sigla que significa Documentar, Implementar, Treinar e Aperfeiçoar, modelo utilizado por mais de 400 escritórios no país como base para organização interna e gestão com foco em autonomia e escala. A metodologia prevê estruturação de processos, definição de indicadores e acompanhamento sistemático dos resultados.
Além da atuação técnica, Hygor também é sócio do Energy Club, grupo que reúne nomes como Joel Jota, Jhonny Martins e Caio Carneiro. Tem presença constante como palestrante em eventos de negócios, onde aborda transformação organizacional, delegação estruturada e profissionalização de escritórios contábeis.
Para mais informações, visite o site, Instagram, TikTok ou pelo Linkedin.
Fontes consultadas
Sebrae
Global Entrepreneurship Monitor (GEM Brasil)
Mapa de Empresas Governo Federal
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