O hábito de comunicação que protegerá reputações em 2026
Dupla checagem de intenção: menos reatividade e mais responsabilidade no debate público
Giovana Pedroso
TEDx Speaker, jornalista e especialista em comunicação
São 6h42 da manhã.
Marina, gestora de RH, acorda com o despertador, pega o celular ainda na cama e, antes mesmo de levantar, vê 12 mensagens não lidas no WhatsApp. Três são do diretor. Duas do jurídico. Outras do time de comunicação.
“Você viu isso?”, perguntam.
Ainda sonolenta, ela clica no link.
Um comentário político em tom agressivo, feito por um colaborador (fora do horário de trabalho e em um perfil pessoal) começou a circular rapidamente.
Em poucas horas, os prints já estavam em grupos, clientes marcavam a empresa nas redes e os funcionários se dividiam nos bastidores: alguns defendendo a “liberdade de expressão”, outros se sentindo ofendidos e inseguros.
Não há crime. Tampouco um discurso explícito de ódio. Mas há impacto.
O comentário não foi feito em nome da marca, mas atinge diretamente sua reputação.
Antes mesmo das 9h da manhã, a gestora já responde perguntas difíceis, em tempo recorde:
- A empresa vai se posicionar?
- O colaborador será advertido?
- Isso fere o código de conduta?
O que é preciso ensinar
Costumo dizer nas minhas palestras, que nos entregaram o celular, mas não o manual de boas práticas. É por esse motivo que, no início de um ano eleitoral, as empresas precisarão ajudar os seus times a compreenderem o impacto do que dizem.
Será cada vez mais necessário ensinar não apenas a checar se algo é verdadeiro, mas se é necessário.
É aqui que nasce a urgência da Dupla Checagem de Intenção.
Longe de ser censura, trata-se de um hábito que promove maturidade na comunicação interpessoal. Porque em 2026, o problema não será apenas o que as pessoas dizem,
mas o porquê dizem. E o que isso provoca.
A Dupla Checagem de Intenção é um hábito reflexivo que consiste em perguntar, antes de publicar ou comentar na internet:
Qual é o meu real objetivo ao dizer isso?
Dizer isso tornará as coisas melhores para mim e para o mundo?
Fundamentada na Comunicação Não Violenta, na filosofia socrática e em práticas de comunicação consciente, ela se apresenta como uma ferramenta simples e poderosa para organizações, marcas e pessoas navegarem em um ambiente digital dividido e ruidoso.
Em 2026, o risco não estará em falar demais.
Estará em falar sem intenção clara em ambientes públicos demais.
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