Liderança e gestão de pessoas: por que ainda investimos tanto em processos e pouco em talentos
*Diogo Vasconcellos
Assim como boa parte da população, já tive vários líderes ao longo da minha jornada profissional. Gostei ou reclamei mais de uns do que de outros (quem nunca?), mas o fato é que aprendi com todos eles. Mesmo com aqueles que não foram as lideranças mais positivas, trago aprendizados relevantes.
É possível que isso ocorra, em grande medida, por ter direcionado minha carreira para cargos de gestão. Na prática, comecei a sentir as mesmas dores e desafios que eles sentiam. O importante, porém, são os aprendizados e o legado que fica, nos possibilitando trabalhar no nosso próprio desenvolvimento. É com essa motivação que busco construir minha carreira: entendendo meu papel enquanto líder e o impacto disso no dia a dia dos times, buscando ser 1% melhor a cada dia.
O peso da liderança nos números
Essa percepção pessoal é corroborada pelo mercado. É amplamente difundido que a maioria das pessoas pede demissão do chefe, não da empresa. Esse cenário demonstra o impacto direto da gestão: enquanto uma liderança positiva atrai e retém talentos, uma negativa os afasta, comprometendo o clima da área e a organização como um todo. Mas se a liderança impacta a retenção, o que dizer do engajamento?
Uma pesquisa conduzida pelas empresas Flash, Talenses Group e a FGV identificou a relevância da confiança nesse processo. Considerando que a liderança direta é a face da empresa para o funcionário, fica fácil entender que o engajamento é pré-requisito para um bom desempenho.
Saúde Mental e Bem-estar
Os dados sobre o bem-estar brasileiro também acendem um alerta. No reporte anual do Zenklub, o Índice de Bem-estar Corporativo (IBC) apurado foi de 65,4, abaixo do mínimo de 78 considerado saudável. O estudo aponta que os relacionamentos no trabalho e o papel das lideranças são fundamentais para promover um ambiente seguro e saudável.
A Gallup, em sua análise global de 2023, reforça essa tese com números impressionantes:
- Apenas 23% dos funcionários estão engajados globalmente.
- O desengajamento representa um custo global de USD 8,9 trilhões anuais.
- Por outro lado, times engajados aumentam a lucratividade em 23% e o bem-estar em 68%.
O Líder também precisa de suporte
A pesquisa aponta que os gestores possuem influência de até 70% no engajamento dos times. No Brasil, onde o índice de engajamento está em 31%, especialistas destacam a urgência do desenvolvimento de soft skills para os líderes.
Contudo, há um ponto crucial: esses mesmos gestores também precisam de apoio. Afinal, eles também são funcionários e demandam suporte para permanecerem motivados. Essa abordagem deve ser sistêmica, do CEO ao assistente.
Naturalmente, partimos da premissa de que lidamos com pessoas dispostas a realizar um bom trabalho. Para aqueles que não se portam adequadamente, o caminho natural é a busca por novos rumos.
Em suma: os gestores são os catalisadores do engajamento. Investir neles não é apenas uma escolha empática, é essencial para o sucesso organizacional e o alto desempenho das equipes.
* Diogo Vasconcellos - Eleito Executivo de TI do ano e Executivo de Destaque em IA em 2024, Investidor Anjo e Startup Advisor, autor do livro "Liderança de Tecnologia em Cenários Complexos"
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