Os Riscos da Fase Amarela Para os Trabalhadores
Por Luiz Carlos Motta*
O recuo da fase verde para a fase amarela do Plano São Paulo, em função do avanço da pandemia da Covid-19 em nosso Estado, está causando uma grande preocupação entre os trabalhadores em geral e, em especial, junto aos 2 milhões e 700 mil comerciários paulistas. Eles estão diariamente na linha de frente, no atendimento ao público e, portanto, muito expostos e vulneráveis à contaminação.
As restrições impostas pelo Governo Estadual, embora necessárias, atingem o comércio em geral e, segundo especialistas, podem dar um resultado contrário. A redução no horário do comércio e no volume de pessoas atendidas, podem sim, provocar aglomerações, ainda mais no mês de dezembro, e, desta forma, em vez de conter, pode aumentar o número de pessoas contaminadas.
Soma-se a isso o comportamento de alguns proprietários de estabelecimentos comerciais que não respeitam os protocolos sanitários exigidos pela Organização Mundial da Saúde para proteger trabalhadores e clientes. Em todos os municípios, há relatos de casos em que o espaço entre um cliente e outro não é respeitado, máscaras não são fornecidas pelas empresas e nem álcool em gel.
Um efeito colateral a ser discutido é que a fase amarela poderá trazer o aumento do desemprego com a continuidade de falências e fechamentos de estabelecimentos comerciais, conforme admitem várias representações patronais. Já atingimos um perigoso patamar de quase 15 milhões de desempregados em todo o país e não vemos programas governamentais ativos para manter os postos de trabalho de um lado, e de outro, recuperar os empregos perdidos.
Nem mesmo projetos de capacitação estão sendo oferecidos aos desempregados. Faltam também iniciativas para apoiar principalmente às micro, pequenas e médias empresas, muitas delas familiares e que empregam uma grande massa de trabalhadores.
Comerciários precisam ser ouvidos
Medidas como as da fase amarela que provocam mudanças profundas na vida das pessoas e das empresas precisam ser discutidas com antecedência, com todos os segmentos envolvidos, com o objetivo de obter melhores resultados. É uma categoria que tem muito a colaborar para o combate à pandemia contribuindo com o Estado e com o País.
O combate ao vírus é responsabilidade de todos nós. Precisamos recuperar a economia, o emprego e a renda. Mas precisamos também, respeitar os acordos, preservar as preciosas vidas dos trabalhadores, suas famílias e a vida da população em geral.
*Luiz Carlos Motta é Presidente da Fecomerciários, da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) e Deputado Federal (PL/SP)
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