Afinal, qual o impacto do lockdown?
Por Ernani Reis, analista da Capital Research
Em meio à pandemia de coronavírus, os EUA vêm mantendo o estado de emergência na tentativa de limitar a propagação do vírus em solo americano. Porém, a medida vem perdendo força mediante o aumento das preocupações em torno da atividade econômica e à eminente escalada do desemprego.
Nesta quinta-feira (26), o Departamento do Trabalho Americano divulgou a solicitação do seguro desemprego, apontando para um forte aumento de 3.283 milhões de pedidos iniciais ante a projeção de 1,5 milhão. O número marca um novo recorde para o mês de março, superando em quase cinco vezes a marca de 665 mil registrada em março de 2009, e o pico da chamada "Grande Recessão", na qual os pedidos de seguro desemprego chegaram a 695 mil.
Vale ressaltar que, na penúltima terça-feira (17), o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, declarou que, no pior cenário, a taxa de desemprego após a crise econômica provocada pelo coronavírus poderia chegar a 20% ainda este ano. Isso em um país que ostentava uma taxa de desocupação de 3,6% até o começo de março, o índice mais baixo nos últimos 50 anos.
Esse número, inclusive, era considerado um dos fatores que praticamente davam como certa a reeleição do presidente Donald Trump nas eleições de 2020. A previsão é tão ruim que, novamente, a título de comparação, superaria o auge da crise financeira de 2008, quando o desemprego alcançou 10% da população e se aproximaria do da "Grande Depressão" que se seguiu à quebra da bolsa de valores de 1929, quando a taxa mais alta registrada foi de 25%.
No entanto, havia quem projetasse um número ainda pior. O Citibank, por exemplo, previu um aumento de 4 milhões de reclamações de seguro-desemprego, o que não deixa de dar um sopro de esperança de que o pior talvez não se confirme.
De qualquer forma, os dados não deixam de validar as preocupações sobre o prolongamento do "toque de recolher", podendo resultar em uma crise pior que a de 2008 e custar milhões de postos de trabalho. Ainda assim, a discussão deve permanecer nos próximos dias e ganhar espaço conforme os números de infectados e mortos pela doença começarem a ceder.
O cálculo que envolve salvar vidas agora e prejudicar tantas outras com desemprego e falta de renda depois é cruel e realmente remete a um contexto de guerra, já citado por tantos governantes mundo afora. No entanto, não há outra coisa a se fazer a não ser tomar as medidas necessárias para conter a disseminação do vírus e pensar em minimizar os impactos econômicos agora e mais à frente, tendo em vista que a pandemia logo irá passar, já o seu efeito econômico deve permanecer por vários anos, visto que uma rápida retomada nos próximos meses é considerada cada vez mais improvável.
E o Brasil?
No Brasil, está programada para a tarde desta sexta-feira (27) a divulgação por parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do número de postos de trabalho gerados no mês de janeiro. A projeção vem se mantendo na evolução de 70 mil novos postos de trabalho e ganham peso frente ao atual cenário.
Se isso se repetir, o indicador pode sinalizar que estávamos no caminho certo da retomada econômica e servir como "vitamina" ao governo neste momento de crise, mas, caso decepcione, o número de desempregados pode aumentar ainda mais a pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro em busca de estímulos econômicos.
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