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Doce sabor, efeito devastador: Como o vape age na saúde bucal

  • Quinta, 15 Mai 2025 18:07
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Karol Romagnoli
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Reprodução internet

 Após relato de Deolane Bezerra, especialistas reforçam que a boca é uma das primeiras a sentir os efeitos do vape

Criado como alternativa ao cigarro tradicional e vendido sob a promessa de menos danos à saúde, o cigarro eletrônico rapidamente virou febre entre os brasileiros, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Com design moderno, sabores e a falsa ideia de que são inofensivos, os vapes ocupam o centro de um problema de saúde que vai além dos pulmões: os prejuízos causados à boca são visíveis nos consultórios odontológicos.

Divulgado em novembro do ano passado, pesquisa realizada pelo Instituto do Coração (Incor) em parceria com a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) apontou que o vício em cigarros eletrônicos, leva o organismo a uma exposição de nicotina equivalente a 120 cigarros. “Existe uma ilusão de segurança em torno do vape. Mas os compostos químicos presentes nesses dispositivos alteram profundamente o equilíbrio do ambiente bucal. Em pouco tempo, já é possível observar os prejuízos clínicos nos pacientes”, alerta o ortodontista Wagner Alviano, mestre e doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O vapor inalado resseca a mucosa oral, altera o pH da boca, favorece a proliferação de bactérias e pode acelerar o desenvolvimento de cáries, gengivite e periodontite. Segundo o especialista, é cada vez mais comum encontrar jovens com retração gengival, manchas nos dentes e até lesões na mucosa bucal. “São quadros que, há alguns anos, víamos com mais frequência em adultos fumantes”, pontua.

O impacto do vape na saúde também entrou recentemente no debate público após a influenciadora e advogada Deolane Bezerra relatar, nas redes sociais, que acordou com dores no peito e decidiu descartar todos os cigarros eletrônicos que possuía. O episódio repercutiu amplamente na imprensa e reforçou o alerta sobre os efeitos colaterais ainda subestimados desses dispositivos, especialmente entre o público jovem que acompanha figuras públicas e tende a replicar hábitos sem considerar os riscos envolvidos para a saúde no geral.

Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualizado em 2023, aponta que o uso de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) cresceu cerca de 20% entre adolescentes de 13 a 17 anos em países da América Latina. No Brasil, mesmo com a venda proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, o consumo segue em alta. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que 2 em cada 10 jovens já experimentaram o vape, geralmente adquiridos em comércios informais ou por meio de redes sociais. Além da nicotina concentrada, que reforça a dependência química, os dispositivos eletrônicos contêm substâncias como propilenoglicol e glicerina vegetal, que, aquecidas, formam um vapor capaz de causar inflamações, úlceras e alterações celulares em diferentes áreas da cavidade oral.

A situação é ainda mais delicada para quem faz tratamento ortodôntico. “Pacientes que usam aparelhos fixos ou alinhadores removíveis enfrentam riscos aumentados. A mucosa fica mais sensível, o acúmulo de biofilme cresce e o processo inflamatório pode comprometer tanto a adesão ao tratamento quanto os resultados a longo prazo”, explica Alviano.

Embora o uso de cigarros eletrônicos seja permitido em alguns países sob a justificativa de reduzir danos do tabagismo, diversas entidades de saúde têm recuado diante das evidências crescentes sobre os riscos. O Reino Unido, por exemplo, já discute medidas para frear o acesso de jovens aos vapes. No Brasil, a Anvisa reforçou em abril deste ano a proibição da comercialização, importação e propaganda desses produtos, destacando os danos comprovados à saúde.

“Estamos diante de um retrocesso silencioso. Um hábito novo, que se vende como moderno, está provocando danos que a odontologia já conhece bem em uma geração que deveria estar livre do tabaco. Precisamos incluir a saúde bucal com mais força nessa conversa”, conclui o ortodontista.

Mais do que um modismo, o cigarro eletrônico representa um desafio invisível e progressivo. E, no corpo humano, é a boca que costuma emitir os primeiros sinais de alerta.

Sobre

Wagner Alviano é mestre e doutor em Ortodontia pela UFRJ, com vasta experiência na área. Sendo o único credenciador de ortodontistas para o sistema Invisalign na América Latina. Sua trajetória com a marca começou em 2015, quando percebeu a necessidade de capacitação dos profissionais para melhor utilização da tecnologia. Criou um curso pioneiro que revolucionou o credenciamento, aumentando significativamente a taxa de ativação dos dentistas no uso do tratamento. Hoje, lidera um time de 24 professores e tem atuação internacional, sendo reconhecido como Faculty pela Align.


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