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Depressão e ansiedade são doenças multifatoriais; médica explica como lidar com o quadro

  • Quarta, 02 Junho 2021 11:03
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Yara Simões
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Estudo australiano mostrou que há pelo menos 509 genes que influenciam tanto no desenvolvimento da depressão quanto da ansiedade

De repente, bateu um sentimento de tristeza intensa e parece que a vida está passando em branco e preto. E a sensação não é passageira: ela dura semanas, meses e parece que tudo perdeu o sentido, até mesmo das atividades que antes eram muito prazerosas. Esta é uma descrição muito comum de pacientes que sofrem de depressão, doença que acomete 16,3 milhões de brasileiros, segundo dados do Instituto Brasieiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já para o quadro de ansiedade, os números são ainda mais alarmantes: 86,5% da população, de acordo com o Ministério da Saúde.

“Embora a depressão e a ansiedade sejam doenças similares e que costumam surgir juntas, elas são diferentes. A primeira está associada à perda de prazer, enquanto a segunda gera irritabilidade constante”, revela a Dra. Lívia Salomé, médica especialista em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard e vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

Segundo a médica explica, a mente humana é subproduto da atividade cerebral em relação a um outro sistema do corpo. A depressão e a ansiedade representam o adoecimento deste subproduto, traduzida em um transtorno mental. “Sabemos que as causas de ambas as doenças são multifatoriais. Elas incluem desde eventos de estresse, características da personalidade, conflitos familiares até mudanças na composição química dos neurotransmissores e genética – ou seja, quem tem histórico familiar, tem maior probabilidade de desenvolver a doença”, explica a especialista.

Um estudo recente liderado pelo QIMR Berghofer Medical Research Institute, na Austrália, disponibilizado no periódico Nature Human Behaviour, mostrou que há pelo menos 509 genes que influenciam tanto no desenvolvimento da depressão quanto da ansiedade. Este foi o primeiro estudo a identificar tamanha quantidade de genes compartilhados por ambos os transtornos, indicando uma relação genética entre eles.

Conforme esclarece a Dra. Lívia, o tratamento da depressão e da ansiedade são baseados em antidepressivos e psicoterapia. “Tudo vai depender da intensidade da doença. Somente um especialista pode determinar se há necessidade de tomar medicamentos ou o tempo necessário de terapia para que haja uma melhora significativa do quadro”. Ela lembra que os remédios funcionam como um apoio para uma recuperação mais acelerada, de modo que depois de um determinado período, o paciente consiga levar a sua vida por si só, sem a necessidade deles.

Mas, para a médica, vencer o distúrbio significa voltar a ser uma pessoa de hábitos saudáveis. “Realizar atividades físicas e investir em uma alimentação balanceada são exemplos de iniciativas importantes para combater a depressão e a ansiedade”, diz ela. Isso porque a prática esportiva traz mudanças bioquímicas no organismo e colabora para uma maior liberação de endorfinas, agindo nos neurotransmissores. Além, é claro, de possibilitar o contato social.

A médica indica ainda alguns alimentos que contribuem no combate às doenças. “São aqueles ricos em magnésio, tirosina, triptofano e vitaminas B e C. Eles auxiliam na produção de serotonina, o hormônio ligado à sensação de prazer. Entre eles, estão ovos, mel, frutos do mar e frutas, como banana, laranja, melancia e mamão”, aconselha Dra. Lívia.

Ela finaliza com orientações sobre outros cuidados que impactam na qualidade de vida e, consequentemente, no tratamento das duas doenças. “Uso de álcool e drogas, maus hábitos de sono e poucas relações sociais ou de má qualidade podem atrapalhar o tratamento, assim como o uso excessivo de aparelhos eletrônicos. Portanto, devem ser evitados”, alerta a médica.

“Também acho importante frisar que depressão e ansiedade não são frescuras, como muitas pessoas ainda dizem. Temos que quebrar esse tabu e pedir ajuda profissional. Um tratamento precoce é fundamental para devolver a qualidade de vida do paciente de forma breve e eficiente”, completa.

Sobre Dra. Lívia Salomé

Graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem especialização em Clínica Médica e certificação em Medicina do Estilo de Vida pelo American College of Lifestyle Medicine.

Atualmente, é vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).


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