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Descoberta científica da Biotrop pode redefinir o manejo do bicudo-do-algodoeiro no Brasil

  • Terça, 24 Fevereiro 2026 18:09
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Irvin Dias
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Foto: bicudo-do-algodoeiro

Pequeno e temido: medindo apenas de 4 a 9 mm, o bicudo-do-algodoeiro é um besouro, da família Curculionidae, de hábito lento para caminhar e que raramente voa. Apesar destas características, seu nome científico indica o poder devastador: Anthonomus grandis.

Anthonomus, a classificação do gênero, refere-se a um grupo de insetos do tipo gorgulho, que apresentam “rostrum” avantajado, e grandis, nome da espécie, vem do latim “grande” ou “importante”, em referência ao impacto econômico que esse inseto causa. Altamente resiliente e de difícil acesso nas plantas de algodão, o inseto se alimenta das flores, botões florais, maçãs e capulho do algodão, podendo provocar prejuízos de até 70% na produtividade.

“A temperatura e a alta umidade do ar colaboram para que o ciclo de desenvolvimento do bicudo-do-algodoeiro seja rápido e sua proliferação acelerada”, explica Lauany Cavalcante dos Santos, engenheira agrônoma e coordenadora de marketing da Biotrop, empresa líder em soluções biológicas e naturais para o agronegócio. “Ele fica protegido dentro da maçã do algodão. Para um controle eficaz, o desafio é acessar a praga logo no início da sua proliferação”, destaca a engenheira agrônoma.

A resposta que veio da natureza – Em uma de suas expedições periódicas aos biomas brasileiros, voltadas à prospecção de novos microrganismos com potencial para beneficiar a agricultura nacional, pesquisadores da Biotrop encontraram no Pantanal brasileiro uma maçã de algodão caída sobre o solo, com o interior tomado por fungos. “Ali tinha um bicudo-do-algodoeiro totalmente colonizado por um fungo entomopatogênico e isso intrigou os pesquisadores, porque este fungo estava esporulando (reproduzindo) em um cenário de clima totalmente adverso para ele, demonstrando elevada resiliência contra uma praga igualmente resistente”, explica a agrônoma.

Lauany pontua que esta resiliência também é provada pelo fato deste fungo ter sobrevivido em um ambiente quente e úmido, como o Pantanal, provavelmente após cerca de 15 a 20 aplicações de inseticida químico. “Era esperado que ele estivesse sem atividade e que o bicudo-do-algodoeiro estivesse vivo. Então, nossos pesquisadores enxergaram ali uma oportunidade e uma resposta”, destaca.

A partir dessa descoberta, os pesquisadores da Biotrop desenvolveram uma formulação líquida em óleo dispersível, utilizando cepa exclusiva deste fungo, o Cordyceps javanica, anteriormente conhecido como (Isaria), que, devido à sua robustez e virulência, mostrou-se capaz de conter a proliferação do bicudo-do-algodoeiro.

Nesta solução biológica, as sementes do fungo, os conídios, ficam numa base oleosa e são ativados no pulverizador, em contato com a água. “Uma vez aplicado na lavoura, este fungo inicia seu processo de germinação, que é muito parecido com uma semente germinando no solo. Só que ele germina no inseto, causando sua morte”, explica Lauany.

Novo marco na história da cotonicultura – Em breve disponível no mercado, a nova solução bioinseticida da Biotrop está em processo final de registro e representa um avanço de inovação e eficiência no manejo do algodão.

Além do bicudo-do-algodoeiro, a solução tem potencial de atuação na cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). “Um dos maiores benefícios das soluções biológicas é justamente sua característica de amplo espectro de ação, atuando tanto no alvo principal quanto em outros alvos, sem interferir no equilíbrio ambiental”, pontua Lauany Cavalcanti.

Com este lançamento, a Biotrop está prestes a avançar mais uma fronteira da inovação aplicada aos biológicos e à cotonicultura do Brasil, referência global na produção de fibras de alto padrão e que superou o marco de maior exportador de algodão do mundo na safra 2023/24, entregando ao produtor uma solução eficaz no controle deste que é um dos principais desafios do produtor de algodão do Brasil.

 


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