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O agro cada mais feminino: número de mulheres em cargos de destaque no setor cresce 38%

  • Segunda, 17 Outubro 2022 18:37
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Anderson Costa
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Liliane Queiroz, também conhecida como Dama do Agro, é produtora rural em Uaní (MG)

 Pesquisa revela que elas estão em todas as áreas do agronegócio vencendo desafios e trazendo novos olhares, como a importância da sustentabilidade

Além de pop e tecnológico, o agronegócio está cada vez mais feminino. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de estabelecimentos rurais administrados por mulheres teve um aumento de 38% num período de 12 anos, entre 1998 e 2020. Esse crescimento demonstra que neste dia 15 de outubro, Dia Internacional das Mulheres Rurais, elas têm papel fundamental no atual sucesso do setor.

Uma pesquisa de 2021, realizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), mostra que 59,2% das mulheres que atuam na área são proprietárias ou sócias; 30,5% fazem parte da diretoria e atuam como gerentes, administradoras ou coordenadoras; e 10,4% são funcionárias e colaboradoras. Além disso, 57% participam ativamente de sindicatos e associações rurais. Os números demonstram que as mulheres estão em todas as áreas do agronegócio, seja em funções administrativas, técnicas ou que exijam força.

Em Goiás, a responsável pela coordenação das equipes para montagem de sistemas de irrigação do Grupo Pivot, um dos líderes nacionais no segmento de maquinários e irrigação agrícola, a engenheira agrícola Kari Araújo, de 32 anos, reconhece que ainda há resistência masculina ao trabalho da mulher no campo, principalmente em posições de comando.

Para ela, o que tem ajudado a mudar essa cultura de desconfiança é o fato de grandes empresas, como a Pivot, colocarem mulheres em funções e cargos que há alguns anos eram preenchidos só por homens. “Felizmente isso tem mudado muito. Diferente do que era há algumas décadas, você tem muito mais mulheres no campo trabalhando de igual para igual com os homens, inclusive em funções de chefia”, destaca a engenheira.

Comandando 25 homens em suas equipes de montagem, Kari conta que atua com irrigação agrícola há seis anos e que está sempre em campo, seja com os técnicos ou com os clientes. “Dentre as minhas atribuições aqui na Pivot, estão a de orientar e acompanhar essas equipes durante a montagem dos sistemas de irrigação nas fazendas; repassar as fichas técnicas de todos os sistemas com os quais trabalhamos; programar treinamentos; também sou responsável em dar um feedback para os clientes, esclarecendo algumas dúvidas”, descreve Kari.

Dama do agro

Conhecida como a Dama do Agro, na região de Unaí, noroeste de Minas Gerais, a empresária e produtora rural Liliane Queiroz, de 41 anos, é uma prova de que a presença das mulheres no agronegócio é tendência e sinônimo de sucesso. Vencedora do prêmio Mulheres do Agro de 2021, premiação idealizada pela Bayer e pela ABAG, Liliane, que veio do interior paulista para Minas aos 17 anos, quando se casou, conta que há 24 anos se dedica inteiramente ao agro, participando inclusive na lida diária das fazendas que administra junto com seu marido.

“Atuo no administrativo, mas faço questão de estar presente no operacional. Então, se precisar ir vacinar o gado eu vou, se for preciso montar a cavalo eu monto, se tiver que pilotar um trator eu também faço. Eu, por exemplo, tenho carteira de caminhão, preciso ter justamente porque faço muita coisa operacional. Mas apesar disso tudo, a gente não deixa de ter uma unha feita, de usar um batom, um anel, um brinco. É esse toque feminino que convive muito bem com o ambiente rústico da fazenda que eu adoro”, destaca a produtora, ao relatar um pouco de sua rotina diária.

Junto com o marido, Liliane administra cerca de 2 mil hectares de área nas duas fazendas da família: Primavera e São José. Segundo ela, a maior parte das terras são de seu sogro, e ela e o marido arrendam. Numa das propriedades, eles produzem soja, sorgo, milho, e em alguns anos, plantam feijão. Já no setor da pecuária, eles criam uma versão do gado Nelore PO, o Nelore Dama, que leva o nome de sua marca registrada, a Dama do Agro. “Também trabalhamos com sistema de recria e engorda”, completa.

Conquistando espaço

Sobre a existência de preconceito em relação à presença da mulher no setor, a Dama do Agro admite que ainda há resistência por parte de alguns, mas, segundo ela, isso nunca impediu sua paixão pelo campo. Para ela, a mulher conquista seu espaço buscando aprender sobre tudo numa fazenda, e quando necessário, se impor. "Hoje a mulher precisa ter uma postura, precisa ser respeitada, não só no campo, mas em qualquer lugar e em qualquer área", defende.

Para Liliane, as mulheres no agro podem trazer uma visão muito mais ampla do negócio e mais cuidadosas, se preocupando com a produtividade, mas também com a sustentabilidade. “A mulher tem um olhar mais amplo do agronegócio. Conseguimos enxergar e perceber de uma vez só todos os setores, e de uma maneira muito zelosa e cautelosa. Você tem, por exemplo, a questão da sustentabilidade, que é um assunto que a mulher encara muito bem”, avalia.

Boa influência

Apesar de não trabalhar como influencer, Liliane admite que acaba exercendo esse papel pelo respeito que conquistou na comunidade do agronegócio em sua região. Ela é dona de um perfil no Instagram com mais de 10 mil seguidores, onde mostra o dia a dia na fazenda. “É um perfil voltado para o agronegócio. Agora mesmo, que estamos na época de plantio, eu mostro algumas tecnologias novas que estamos adotando na fazenda. Faço lives para demonstrar o funcionamento dessas máquinas novas, mostramos como é o nosso processo produtivo. A gente também dá um espaço especial para prática de sustentabilidade dentro do agro”, revela Liliane.

Para Liliane, a sua presença e de outras mulheres no agro pode ser uma boa influência para as próximas gerações. “As meninas de hoje em dia já conseguem enxergar que são, sim, capazes”, pontua. Mas a produtora rural também lembra que as mulheres não conseguem fazer tudo sozinhas e nem os homens, portanto, não se trata de uma relação de competitividade entre gêneros. “Acho que a entrada da mulher no agronegócio veio para fortalecer ainda mais o trabalho. Homens e mulheres precisam caminhar lado a lado e não um na frente e outro atrás”, finaliza a Dama do Agro.


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