SEGS Portal Nacional

Agro

Setor de fertilizantes busca reduzir a dependência por insumos externos

  • Terça, 17 Agosto 2021 09:11
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  ETC Comunicação
  • SEGS.com.br - Categoria: Agro
  • Imprimir

 Com uma produção de alimentos para mais de 1,4 bilhão de pessoas e consumo anual de 40 milhões de toneladas de insumos para a produção de fertilizantes – nitrogênio, potássio e fosfatos (NPK) – o Brasil tem pouco tempo para reverter ou pelo menos reduzir a dependência de 80% do mercado externo para esses minerais, fundamentais para a produção agrícola nacional. Segundo o pesquisador da Embrapa, Eder Martins, um dos participantes do painel “Minerais estratégicos e agrominerais” do Simexmin 2021, após um pico de produção em 2060, esses produtos tendem a reduzir a oferta, nos anos seguintes.

Ele ressalta que a migração para os Bio Insumos, produtos a base de minerais encontrados no país, é a saída caseira para esse colapso anunciado, tendo em vista que a demanda por fertilizantes cresce 6% no país a cada ano, para acompanhar os aumentos sucessivos de produtividade. O Programa Nacional de Bio Insumos, lançado em 2020 pelo governo federal, já está presente em 15 milhões de hectares de propriedades rurais e o nível de recompra é superior a 80%. “Podemos começar da mineração que já existe, como as plantas produtoras de brita. São 9,5 mil pedreiras ativas e 9 mil com potencial para produtos agrícolas”, afirma.

Ainda conforme Martins, a estimativa é de que, entre 5 e 10 anos, a demanda duplique para remineralizadores produzidos com minerais encontrados no país e que podem contribuir para o manejo da fertilidade do solo, atendendo à exigência das diferentes culturas. Os minerais silicáticos, por exemplo, têm curva mais próxima das necessidades da plantação e, ao longo dos anos, respondem positivamente em nutrientes e melhoria do solo, conforme resultado de pesquisas já realizadas.

Estratégicos

As oportunidades para a mineração não se encerram por aí. Segundo o chefe de Departamento de Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marcelo Almeida, os chamados metais de uso tecnológico – lítio, cobalto, cobre, níquel, grafita, terras raras, urânio e outros – também têm registrado demanda crescente nos últimos anos, por serem considerados estratégicos e portadores de futuro, já que atendem as necessidades de mercados em constante desenvolvimento, como ressaltou o chefe do Departamento de Recurso Minerais da CPRM, Marcelo Almeida.

Apenas para o lítio, mineral usado na confecção de baterias, houve um crescimento de 46% nas reservas e de 98% na produção no país, desde 2016. Quanto ao cobre, há 13 áreas distritos em análise para esse metal. Já a grafita, que tem um programa nacional próprio, são 887 pontos cadastrados em 31 províncias de interesse. “A evolução tecnológica e as transições de energias vão puxar a demanda por minérios estratégicos e críticos. Ampliar descobertas de novos depósitos e de novos elementos e fazer pesquisas em descarte de mineração são algumas das iniciativas que demandam política pública alinhada aos interesses do Brasil, bem como o acesso a uma base de dados de consulta atualizada e integrada com dados econômicos e multifontes”, avalia.

Entre os metais tecnológicos, a grafita brasileira é outro destaque. Pesquisas com esse material têm sido promissoras, visto que o material encontrado no país tem um formato do tipo flake, que corresponde a apenas 25% das reservas mundiais. Segundo a pesquisadora em Geociências do CPRM, Débora Matos, que trabalha em parceria com o professor e pesquisador Antônio Carlos Pedrosa Soares, esse pode ser um diferencial competitivo para o produto nacional, inclusive no mercado externo.

“É um material que tem sido estudado há muito tempo e ganhou destaque em 2004. O grafeno tem alta propriedade de retenção de energia, tudo o que a indústria quer”, adianta. Atualmente há duas plantas nacionais explorando o produto. Uma delas é o Projeto MGGrafeno, iniciativa conjunta entre UFMG e CDTN, com financiamento da Codemge. Há também o CTNano, centro de tecnologia em nanutubos de carbono e grafeno, na UFMG.

Case

A produção de sulfato de potássio, insumo para a produção de fertilizantes, a partir do aproveitamento da glauconita é um dos exemplos de como a pesquisa mineral pode solucionar internamente as demandas do agronegócio. O diretor presidente da Kallium Mineração, Ricardo Dequech, relata que iniciou a implantação da planta em Dores do Indaiá, há três anos, após sete para desenvolvimento e os resultados são promissores. “Minas Gerais tem uma reserva de 1,5 bilhão de toneladas e esse material nunca foi aproveitado em função da falta de tecnologia para abertura química, um processo químico que garante 70% de aproveitamento do potássio da glauconita”, explica.

Outro destaque da planta é a sustentabilidade ambiental, visto que todos os subprodutos da operação são reaproveitados e a lavra não causa qualquer impacto. “Não há resíduo sólido e nem gás, que é reaproveitado na planta de ácido sulfúrico. Não temos afluente em água ou contaminação na região. Com um ajuste fino do processo, é possível aproveitar até as cinzas da queima de eucalipto, que podem ser transformadas em produto para compostagem ou aplicação na agricultura”, prevê.

Os mediadores do painel foram a pesquisadora em Geociências (SGB/CPRM), Magda Bergnamm e o engenheiro químico Renato Costa.

SIMEXMIN 2021 – Pela primeira vez em formato 100% virtual, o IX Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral é um evento da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral (ADIMB), que congrega 54 organizações públicas e privadas do setor mineral brasileiro. Nesta edição, o programa inclui 12 painéis com mais de 40 palestras realizadas entre 9 e 12 de agosto. Com mais de 900 inscritos, o evento tem patrocínios de diversas empresas do setor mineral. Todas as apresentações estarão disponíveis para os inscritos na plataforma digital após a conclusão do evento. As inscrições no SIMEXMIN 2021 podem ser feitas através do link


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+AGRO ::

Mar 04, 2026 Agro

Tempo seco compromete canaviais e soluções biológicas…

Mar 03, 2026 Agro

Mastite no período chuvoso: como o contato com o barro…

Mar 02, 2026 Agro

Híbrido de milho com tecnologia e tratamento de semente…

Fev 27, 2026 Agro

Doenças respiratórias em aves exigem atenção ao manejo…

Fev 26, 2026 Agro

Clima do Cerrado está favorável ao desenvolvimento do…

Fev 25, 2026 Agro

Robô que demonstra pulverização e laboratório prático…

Fev 24, 2026 Agro

Descoberta científica da Biotrop pode redefinir o…

Fev 23, 2026 Agro

Cultural e comportamental: os desafios invisíveis do…

Fev 20, 2026 Agro

Nova geração de tecnologias auxilia plantas a se…

Fev 19, 2026 Agro

Cultivo de couve-flor exige materiais mais adaptados…

Fev 18, 2026 Agro

Suplementação de bovinos de corte garante mais carcaça…

Fev 13, 2026 Agro

Agricultura brasileira e norte-americana compartilham…

Fev 12, 2026 Agro

Embriologia aplicada: como os primeiros dias de vida do…

Fev 11, 2026 Agro

Com crescimento da área plantada, sorgo ganha…

Fev 10, 2026 Agro

Calor, chuvas intensas e perda de padrão desafiam o…

Fev 09, 2026 Agro

Alga marinha é aliada da agricultura contra a seca e a…

Mais AGRO>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version