SEGS Portal Nacional

Agro

Sem mitos, a qualidade da carne suína e os incríveis benefícios à saúde

  • Terça, 15 Setembro 2020 13:43
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Sílvia Sibalde
  • SEGS.com.br - Categoria: Agro
  • Imprimir

Por Heloiza Nascimento*

A importância do consumo de carne na história e na saúde do homem não é um assunto recente. Foi estudada por antropólogos para entender nossa postura ereta e bípede, as mudanças no tamanho e na forma dos dentes, que nos permitiu rasgar e mastigar carne em vez de triturar folhas, frutas e cereais, e também para compreender a formação da estrutura social humana, formada por atividades como a caça e a domesticação de animais.

Pesquisa do arqueólogo americano M. Rosenberg descobriu que os primeiros homens de aldeias fixas (há 10 mil anos) tinham como principal fonte de alimento os suínos, e não cereais como a cevada e o trigo.

Vira e mexe, a saudabilidade da carne para o corpo humano é assunto em meios de comunicação. No meio científico e acadêmico, sua importância nutricional como alimento tem sido constantemente demonstrada.

O que os pesquisadores fazem hoje é a distinção entre carne vermelha não processada – como carne suína, bovina, vitela e cordeiro in natura – e carnes processadas ou industrializadas. Grandes estudos relacionados ao consumo de carne vermelha não processada não relatam associação do consumo de carne com causas de morte, incluindo doenças cardiovasculares ou câncer. Ensaios clínicos também demostram que, no contexto de dietas saudáveis para o coração, não há efeito diferente do consumo de carne branca e do de carne vermelha magra.

O papel da carne como fonte de proteína é claro. No entanto, a quantidade de proteína pode variar de acordo com o corte e a origem. O lombo suíno é considerado um dos cortes com maior teor proteico e menor teor de gordura.

* Valor nutricional da carne crua em 100 g.

Fonte: USDA Nutrient Database for Standard Reference.

No parâmetro microbiológico, as carnes, em geral, apresentam um excelente índice de qualidade dentre as proteínas de origem animal, com mais de 98% dos produtos dentro do padrão estabelecido pelo MAPA.

Fonte: Anuário dos Programas de Controle de Alimentos de Origem Animal do DIPOA – volume 5 – 2019.

A Organização Mundial da Saúde usa um índice denominado PDCAAS (escore químico de aminoácido corrigido pela digestibilidade proteica), sendo 1,00 o escore mais alto. O escore das carnes é de 0,92, enquanto feijão, lentilhas, ervilhas e grão de bico, que são amplamente considerados importantes fontes de proteína em dietas vegetarianas, pontuaram valores entre 0,57 e 0,71. As carnes também fornecem todos os aminoácidos essenciais, os que não são sintetizados pelo organismo e por isso precisam ser ingeridos.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a carne de porco é a mais consumida no mundo (36%), seguida por frango (33%), carne bovina (24%) e caprino/ovino (5%).

Aqui no Brasil, embora os volumes de carne suína para exportação este ano sejam recordes, o consumo interno ainda tem grande potencial para aumentar (em torno de 16 kg/pessoa/ano) comparado aos 52 kg/pessoa/ano consumidos na Sérvia ou aos 40 kg per capita da União Europeia.

O consumo de carnes, em especial o de carne suína, apresenta inúmeros benefícios, que incluem grande disponibilidade de vitaminas – é a melhor fonte de vitaminas do complexo B, ferro e zinco. Possui uma ampla quantidade de proteína de alto valor biológico, com excelente digestibilidade (nutrientes utilizados pelo corpo) e, além disso, é muito saborosa.

De preparo simples e diversificado, tem sido cada vez mais apreciada e utilizada pela gastronomia.

Motivos não faltam para incluir em nosso cardápio diário uma picanha suína, uma costelinha, um T-bone ou um carré.

* Médica-veterinária formada pela UFV, com MBA em Marketing pela FGV e mestranda em Ciência Animal pela UFMG, faz parte da equipe de assistentes técnicos de Suínos da Zoetis.

Bibliografia

Kappeler, R. E. (2013). Meat consumption and diet quality and mortality in NHANES III. European Journal of Clinical Nutrition volume, 67, pages 598-606.

Maki, K. C. (2012). Beef in an optimal lean diet study: Effects on lipids, lipoproteins, and apolipoproteins. American Journal of Clinical Nutrition, 95, 9-16.

Rosenberg, M. a. (1998). Early pig husbandry in southwestern Asia and its implications for modeling the origins of food production. In Nelson, S. (ed.). Ancestors for the Pigs, MASCA Research Papers in Science and Archaeology 15, University of Pennsylvania Museum of Archaeology and Anthropology, Philadelphia, 55-64.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+AGRO ::

Mar 26, 2026 Agro

Suplementar bovinos no período das águas vale a pena?

Mar 25, 2026 Agro

Corretivo de solo sustentável entra para o programa…

Mar 24, 2026 Agro

Plataforma colaborativa transforma dados em decisões e…

Mar 23, 2026 Agro

Alta dos custos no campo abre espaço para revisão de…

Mar 20, 2026 Agro

Controle de Salmonella e exigências de mercados…

Mar 19, 2026 Agro

Belgo Arames apresenta soluções de cercamento para…

Mar 18, 2026 Agro

Irrigação, ESG e o futuro do agro: por que produzir…

Mar 17, 2026 Agro

Alta produtividade da cenoura no inverno aumenta oferta…

Mar 16, 2026 Agro

Agronegócio americano tem oportunidades para a…

Mar 13, 2026 Agro

Produtores brasileiros já são remunerados por práticas…

Mar 12, 2026 Agro

Quem está roubando o desempenho do rebanho?

Mar 11, 2026 Agro

Venda de fazenda arrendada não retira os direitos do…

Mar 10, 2026 Agro

Bioinsumos ganham espaço na produção de frutas e…

Mar 09, 2026 Agro

Prevenção de doenças do milho no momento certo pode…

Mar 06, 2026 Agro

Mercado de fertilizantes cresce quase 10% em 2025 e…

Mar 05, 2026 Agro

Com Brasil no topo da exportação de carne mundial,…

Mais AGRO>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version