IA baseada em agentes acelera criação de malware e permite ataques avançados em poucos dias, aponta Check Point Software
Um único desenvolvedor gerou 88 mil linhas de código malicioso em menos de uma semana com apoio de IA, enquanto 90% das empresas que usam IA generativa já registram atividades de alto risco em seus prompts
Um novo relatório da Check Point Research (CPR), a divisão de Inteligência de Ameaças da Check Point Software, revela uma mudança, nos últimos dois meses, na forma como a inteligência artificial (IA) está moldando o cenário de ameaças cibernéticas, passando da incorporação da IA em toda a cadeia de ataque para a exploração direta de mecanismos de agentes de IA.
Trata-se de uma mudança estrutural, na qual a IA deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a desempenhar um papel cada vez mais central na forma como ataques modernos são concebidos e executados. Nesse contexto, o avanço para modelos de Agentic AI (IA agêntica) reflete a evolução da IA de apoio ao desenvolvimento para um componente ativo dentro das operações de ataques.
Entre as principais descobertas dos pesquisadores da CPR, o relatório aponta que o desenvolvimento de malware com apoio de IA já atingiu maturidade operacional. Em janeiro de 2026, a equipe da CPR identificou o VoidLink, um framework avançado que marca uma nova fase de malware sofisticado criado com suporte de IA. Com mais de 30 módulos e cerca de 88 mil linhas de código, o sistema foi desenvolvido por um único indivíduo em um período significativamente reduzido, com uso de um ambiente de desenvolvimento baseado em IA.
Esse caso demonstra como a IA permite que um único indivíduo produza resultados que antes exigiam equipes completas de desenvolvimento. A análise também mostra que o uso de IA no desenvolvimento já está tão integrado que nem sempre é perceptível no produto final, devendo ser considerado desde o início das análises. Além disso, a IA começa a aparecer como componente operacional em tempo real nas cadeias de ataque, com agentes autônomos executando tarefas de pesquisa de segurança e modelos de linguagem classificando e interagindo com alvos em escala dentro de fluxos automatizados.
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é a evolução do uso de IA além de comandos diretos, com a exploração de arquiteturas de agentes de IA. Técnicas de jailbreak (burlar controles de segurança) estão migrando de abordagens baseadas em prompts para a exploração de mecanismos estruturais desses sistemas. Um exemplo é o uso de arquivos de configuração em ambientes como Claude Code para redefinir o comportamento de agentes e contornar controles de segurança. Paralelamente, a adoção de IA nas empresas amplia a superfície de ataque.
IA como superfície de ataque amplia exposição corporativa
A análise do uso de ferramentas de IA generativa em redes corporativas indica que um em cada 31 prompts apresentou risco elevado de vazamento de dados sensíveis, impactando 90% das organizações que utilizam essas tecnologias.
A mesma adoção acelerada de IA que impulsiona ganhos de produtividade também cria novas vulnerabilidades. Entre janeiro e fevereiro de 2026, o uso corporativo de ferramentas de IA generativa continuou a crescer em escala, aumentando o volume de dados sensíveis trafegando nesses sistemas. O estudo mostra que cerca de 3,2% dos prompts analisados envolviam risco elevado de exposição de informações confidenciais, incluindo dados regulados, código-fonte e conteúdos estratégicos. Esse risco não está concentrado em casos isolados, mas distribuído amplamente, atingindo a grande maioria das empresas que adotam IA no dia a dia.
Além disso, 16% dos prompts continham informações potencialmente sensíveis, indicando um padrão mais amplo de uso que pode resultar em exposição regulatória ou perda de propriedade intelectual. O cenário é agravado pelo crescimento do uso simultâneo de múltiplas ferramentas, com empresas utilizando, em média, dez soluções de IA generativa e colaboradores gerando cerca de 69 prompts por mês. À medida que o volume de interações aumenta, cresce proporcionalmente o risco de incidentes, reforçando a necessidade de políticas de segurança, visibilidade e controles preventivos em tempo real.
IA redefine o ritmo e a escala das ameaças cibernéticas
Segundo Sergey Shykevich, gerente do grupo de inteligência de ameaças da Check Point Research, o uso de IA deve ser considerado em praticamente todas as etapas do ciclo de ataque, desde o desenvolvimento de malware até a análise de ameaças, mesmo quando não é visível. “Para as organizações, isso significa que as ameaças evoluem mais rapidamente e se tornam mais adaptáveis e escaláveis. A combinação de agentes de IA, frameworks de ataques de código aberto e a redução das barreiras de entrada reduz significativamente o tempo entre a concepção e a operacionalização de ataques, exigindo uma abordagem de segurança mais proativa e contínua.”
O período analisado também indica que o ecossistema de cibercrime está nos estágios iniciais de uma transformação estrutural, impulsionada pela adoção de modelos baseados em agentes, que já haviam impactado o desenvolvimento de software legítimo ao longo de 2025 e agora começam a se refletir no cenário de ameaças. A diferença central não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada.
Enquanto abordagens estruturadas permitem a criação de soluções altamente sofisticadas, o uso desorganizado de IA ainda apresenta limitações de qualidade. Esse cenário reflete um momento de transição, já que metodologias mais avançadas tendem a se tornar amplamente acessíveis. Nesse contexto, a presença de IA deve ser tratada como premissa em análises de ameaças, atribuição e investigações forenses. A tendência é que a combinação de ferramentas baseadas em agentes, frameworks de código aberto e a maior facilidade de acesso continue reduzindo o tempo entre o desenvolvimento e a execução de ataques, o que torna a defesa proativa e a adaptação contínua cada vez mais essenciais para as organizações.
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Sobre a Check Point Software Technologies Ltd.
A Check Point Software Technologies Ltd é líder global em cibersegurança, protegendo mais de 100.000 organizações em todo o mundo. Sua missão é proteger a transformação de IA das empresas. Com uma abordagem de prevenção em primeiro lugar e uma arquitetura de ecossistema aberto, a Check Point apoia as organizações a bloquear ameaças avançadas, priorizar exposições e automatizar operações de segurança em ambientes digitais complexos.
A arquitetura unificada simplifica a proteção em redes híbridas, ambientes de múltiplas nuvens, ambientes de trabalho digitais e sistemas de IA. Estruturada em torno de quatro pilares estratégicos, Hybrid Mesh Network Security, Workspace Security, Exposure Management e AI Security, a Check Point oferece proteção e visibilidade consistentes em ambientes de múltiplos fornecedores, permitindo que as organizações reduzam riscos, melhorem a eficiência e acelerem a inovação sem aumentar a complexidade.
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