Infância conectada: os desafios da geração que cresce sob influência da IA
Familiaridade com tecnologia não garante maturidade no uso
Cenas de crianças conversando naturalmente com assistentes virtuais, pedindo apoio no dever de casa ou criando histórias com auxílio da Inteligência Artificial tornaram-se cada vez mais comuns. O que há poucos anos parecia cenário futurista hoje integra o cotidiano. A tecnologia está presente em jogos, plataformas educacionais, aplicativos de leitura e até nas brincadeiras. Para as novas gerações, já faz parte do ambiente em que crescem.
Esse movimento ampliou as possibilidades de aprendizagem. Sistemas inteligentes adaptam conteúdos ao ritmo de cada aluno, oferecem explicações personalizadas e identificam dificuldades específicas. Jogos ajustam níveis de complexidade em tempo real, estimulando raciocínio lógico e criatividade. Quando bem orientada, a inovação digital passa a atuar como ferramenta educacional.
Dados da TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que a Inteligência Artificial já está incorporada à rotina dos jovens no país: 65% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos afirmam ter utilizado ferramentas de IA generativa em atividades do dia a dia, seja para pesquisas escolares, apoio nos estudos, produção de conteúdo ou até conversas sobre questões pessoais. O levantamento evidencia que o contato com esses sistemas não é episódico, mas constante e crescente.
No entanto, familiaridade não significa compreensão crítica. Assim como ocorre com conteúdos impulsionados por algoritmos nas redes sociais, jovens podem interagir com plataformas automatizadas sem reconhecer plenamente seus limites, vieses e riscos.
Entre os fenômenos discutidos está a chamada “psicose da IA social”, caracterizada pela tendência de ferramentas conversacionais validarem automaticamente afirmações do usuário, reforçando percepções sem oferecer contrapontos. Em adultos, isso pode intensificar bolhas informacionais. Em crianças, ainda em fase de desenvolvimento cognitivo, pode comprometer o amadurecimento do pensamento crítico e da capacidade de questionar.
Além disso, recursos digitais também vêm sendo explorados para práticas ilícitas. Deepfakes em videochamadas, áudios que replicam vozes de familiares e perfis falsos que se passam por celebridades ou influenciadores ampliam o potencial de fraude. Segundo o Panorama da Desinformação no Brasil, do Observatório Lupa, divulgado pela Agência Brasil no início de 2026, conteúdos falsos gerados por IA triplicaram entre 2024 e 2025, com deepfakes compondo uma parcela crescente dessas manipulações. Esses casos mostram que a segurança online é um desafio que atravessa gerações e requer atenção coletiva.
Para Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, escola especializada em competências para o futuro, o caminho não é restringir o acesso à inovação, mas fortalecer a educação digital. “A Inteligência Artificial pode impulsionar o aprendizado, estimular autonomia e desenvolver competências essenciais para o futuro. O desafio não está na ferramenta, mas na forma como ela é aplicada e compreendida”, afirma.
No ambiente educacional, essa perspectiva ganha caráter estratégico. Ensinar programação, lógica e fundamentos tecnológicos não significa apenas formar profissionais da área, mas preparar cidadãos capazes de interpretar o universo digital. Da mesma forma, orientar sobre privacidade, proteção de dados e identificação de manipulações torna-se parte indispensável da formação contemporânea. “A construção de um ambiente online mais seguro depende da combinação entre avanço tecnológico e maturidade no uso. Famílias, escolas e desenvolvedores têm papéis complementares nesse processo. A IA pode enriquecer o ensino e ampliar horizontes criativos, desde que acompanhada de diálogo e supervisão”, conclui o especialista.
A convivência com sistemas inteligentes tende a se intensificar nos próximos anos. Preparar crianças e também adultos para essa realidade, é garantir que a inovação permaneça aliada do conhecimento, e não fator de vulnerabilidade.
Sobre
A rede de franquias SuperGeeks nasceu com o objetivo de formar não somente consumidores, mas também criadores de tecnologia. Desde 2014, a marca assume uma posição importante ao preparar as novas gerações para os desafios e oportunidades do futuro tecnológico, dedicando-se a ensinar programação, robótica e inteligência artificial, de forma lúdica e criativa, atendendo todas as faixas etárias.
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