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Mulheres na linha de frente da cibersegurança: por que ampliar a presença feminina é uma decisão estratégica

  • Quarta, 11 Março 2026 18:55
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Bruno Cirillo
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Crédito: iStock

Em um cenário global marcado por ataques sofisticados, uso crescente de inteligência artificial por grupos criminosos e disputas geopolíticas no ambiente digital, a presença feminina na cibersegurança deixou de ser apenas uma pauta de diversidade — tornou-se um tema estratégico para governos e empresas.

Dados recentes do estudo ISC² Cybersecurity Workforce Study 2025 mostram que as mulheres representam cerca de 24% da força de trabalho global em cibersegurança, percentual que cresce lentamente apesar do déficit estimado de milhões de profissionais no setor. O relatório completo pode ser consultado aqui:

Já o Global Cybersecurity Outlook 2026, do World Economic Forum, aponta que a escassez de talentos qualificados continua sendo um dos principais fatores de risco para organizações públicas e privadas, especialmente diante da complexidade crescente das ameaças digitais: O diagnóstico é claro: falta gente qualificada — e ampliar a participação feminina não é apenas uma questão de equidade, mas de capacidade operacional e resiliência institucional.

Estudos recentes reforçam que equipes diversas tendem a tomar decisões mais equilibradas e identificar riscos com maior amplitude. O relatório Deloitte Global – Women in Cyber 2025 destaca que organizações com maior diversidade de gênero em áreas técnicas apresentam melhor desempenho em governança e gestão de risco digital:

Para José de Souza Junior, diretor do Grupo RG Eventos e especialista em Cibersegurança e Governança Digital, o debate precisa avançar para além da estatística.

“A cibersegurança não é apenas uma disciplina técnica. Ela envolve análise de risco, leitura institucional e tomada de decisão sob pressão. Equipes plurais ampliam a capacidade de antecipar cenários e reduzir pontos cegos”, afirma.

Segundo ele, em operações críticas, como grandes eventos internacionais, fóruns diplomáticos e ambientes de missão estratégica, a diversidade de pensamento é um fator concreto de segurança.

“Em ambientes de alta criticidade, não podemos trabalhar com visões homogêneas. Quanto maior a pluralidade de perspectivas, maior a capacidade de identificar vulnerabilidades antes que elas se tornem incidentes.”

O avanço da inteligência artificial generativa também exige novas competências no setor. O relatório Global Gender Gap Report 2025, do World Economic Forum, aponta que mulheres continuam sub-representadas nas áreas de tecnologia emergente, incluindo segurança da informação e inteligência artificial:

Ao mesmo tempo, ataques baseados em IA, deepfakes e automação maliciosa elevam o nível de sofisticação das ameaças. Isso exige equipes multidisciplinares que integrem conhecimento técnico, jurídico, regulatório e estratégico.

“Segurança digital hoje é governança. Não basta proteger sistemas; é preciso proteger reputação institucional, dados sensíveis e estabilidade operacional. Isso demanda competências diversas, inclusive na liderança”, destaca José de Souza Junior, do Grupo RG Eventos.

A discussão ganha ainda mais relevância em grandes eventos internacionais, onde redes temporárias, credenciais digitais, autoridades e imprensa internacional ampliam a superfície de ataque.

Relatórios recentes da Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA), como o ENISA Threat Landscape 2025, reforçam que eventos de grande porte se tornaram alvos estratégicos para grupos organizados e atores patrocinados por Estados:

Nesses contextos, a presença de mulheres em áreas como governança digital, análise de inteligência e coordenação estratégica tem se mostrado cada vez mais relevante.

“A segurança de um evento não depende apenas de tecnologia. Depende de coordenação, comunicação e capacidade de decisão integrada. Mulheres têm ocupado posições fundamentais nesse processo — e isso precisa se tornar regra, não exceção”, afirma o diretor do Grupo RG Eventos.

Apesar dos avanços, barreiras persistem: falta de incentivo em STEM desde a educação básica, menor presença em cargos de liderança técnica e desigualdade de oportunidades em áreas estratégicas.

Especialistas defendem que a solução passa por três frentes:

- Investimento em formação técnica voltada a meninas e jovens mulheres

- Programas de mentoria e liderança em cibersegurança

- Inserção feminina em conselhos e comitês de governança digital

Mais do que ampliar números, trata-se de fortalecer a capacidade de resposta a riscos sistêmicos.

No mês em que se discute o protagonismo feminino, o setor de cibersegurança enfrenta um paradoxo: nunca precisou tanto de profissionais qualificados e, ao mesmo tempo, ainda aproveita pouco o potencial feminino disponível.

Para José de Souza Junior, o caminho é claro: “A ampliação da presença feminina na cibersegurança não é uma pauta simbólica. É uma decisão estratégica para qualquer organização que leve a sério a proteção de seus dados e sua soberania digital.”

Em um ambiente onde a próxima ameaça pode surgir em segundos — impulsionada por inteligência artificial, disputas geopolíticas ou engenharia social sofisticada — ampliar a diversidade deixou de ser um gesto institucional. Tornou-se um imperativo de segurança.

 


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