Música ou algoritmo? Movimento lança selo para distinguir criação humana de Inteligência Artificial
Projeto global com participação de brasileiros regrava blues criado por IA para provar que a alma da música é irreplicável
Em meio ao intenso debate global sobre o papel da inteligência artificial na arte, nasce o movimento "Played by Humans", criado pela produtora musical Jazz Is Dead e a agência TBWA\Chiat\Day LA. A iniciativa introduz um selo de autenticidade e uma plataforma de verificação dedicada a garantir que a música que consumimos seja fruto da criatividade e do suor humano, e não apenas de processamento de dados.
O movimento surge em um momento em que a linha entre o orgânico e o sintético se torna cada vez mais tênue. Dados de um estudo da Ipsos para a Deezer revelam que 97% dos ouvintes não conseguem distinguir uma composição humana de uma gerada por IA. Com cerca de 60 mil faixas criadas por algoritmos subindo diariamente nas plataformas de streaming, o projeto busca devolver o protagonismo aos artistas.
Para ilustrar a diferença entre o "som" de computador e a música real, o projeto lançou um curta-metragem documental que apresenta a recriação da faixa "Through My Soul". Originalmente uma composição de blues gerada integralmente por IA, a canção foi usada como um "rascunho" para ser trazida à vida por músicos reais sob a curadoria dos artistas Ali Shaheed Muhammad e Adrian Younge, ambos fundadores da Jazz Is Dead, na voz do cantor Loren Oden.
Veja aqui o filme:
O ecossistema do projeto é hospedado no site playedbyhumans.org, onde músicos e selos podem submeter suas faixas para análise. As canções que atingem o limite de autenticidade recebem o selo "Played by Humans", uma credencial baseada em blockchain que pode ser aplicada em capas de álbuns físicos e digitais, servindo como uma garantia visual de que há uma pessoa real por trás daquela obra.
Colaboração Brasileira
O projeto contou com uma forte colaboração brasileira para ganhar vida. A Canja Audio Culture foi a parceira responsável pela trilha e pela pós-produção sonora do projeto, garantindo que o documentário refletisse o "fator humano" por meio de texturas e dinâmicas que a IA ainda não consegue emular.
"Estamos em um ponto de inflexão. A tecnologia deve ser uma ferramenta de expansão, não de substituição da essência", diz Eduardo Karas, CCO e sócio da Canja. "Participar deste movimento é reafirmar o valor do talento humano e a sustentabilidade econômica dos artistas diante de novos desafios tecnológicos."
O design do selo, que remete aos icônicos avisos de "Parental Advisory", também é assinado por um brasileiro: Bruno Regalo, Global Chief Design Officer da TBWA\Worldwide.
Grandes nomes e empresas da música já aderiram ao selo, incluindo a APM Music, Sonic Union e a Harper House Music Foundation. Entre os álbuns e artistas que já ostentam a marca estão nomes de peso como Ghostface Killah (Twelve Reasons to Die), Souls of Mischief (There Is Only Now) e as trilhas originais de Adrian Younge.
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