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De fábricas a serviços: onde os robôs humanoides já começam a ser utilizados

  • Quinta, 23 Abril 2026 18:00
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Matheus Medeiros
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Desde muito antes da discussão sobre inteligência artificial ganhar protagonismo, a humanidade já sonhava com a presença de robôs em seu cotidiano, seja no ambiente corporativo, seja na rotina social. No entanto, atualmente, esse cenário deixa de ser apenas uma projeção e passa a se concretizar. Impulsionados pelos avanços em inteligência artificial, os robôs humanoides começam a ocupar espaços cada vez mais relevantes nas rotinas organizacionais, consolidando-se como um diferencial competitivo para as empresas.

Podemos observar esse fenômeno através de um levantamento da Morgan Stanley (2024), que aponta que o setor de robôs humanoides pode ultrapassar a marca de US$ 200 bilhões até 2035, reforçando não apenas o potencial econômico, mas também a velocidade com que essa tecnologia vem sendo incorporada. Diante desse cenário, mais do que uma tendência tecnológica, a presença de robôs humanoides representa uma transformação estrutural na forma como empresas operam, se comunicam e se posicionam no mercado, impulsionando debates sobre produtividade, inovação e os limites da substituição humana.

Apesar de essa tendência ser relativamente recente, a robótica já se configura como um componente amplamente utilizado pelas empresas há mais tempo do que se imagina. Setores como a indústria automotiva e a logística incorporam o uso de robôs desde o início do século XXI, aplicando-os em atividades como soldagem de peças, organização de materiais e abastecimento de linhas de montagem. Nesse contexto, a chegada dos robôs humanoides não apenas potencializa os ganhos de produtividade, mas também introduz uma nova lógica operacional: a capacidade de atuar em ambientes projetados para humanos, sem a necessidade de adaptações estruturais significativas.

Esse avanço, no entanto, não se limita às fábricas. Ele já começa a se expandir de forma consistente para o setor de serviços, onde o impacto se torna ainda mais visível por envolver diretamente a experiência do consumidor. Enquanto na indústria o objetivo principal está na eficiência e na redução de falhas operacionais, nos serviços a transformação acontece na forma como empresas se relacionam com pessoas e estruturam seus pontos de contato.

Em hotéis, aeroportos e grandes redes de varejo, os robôs humanoides já aparecem em testes e implementações iniciais como recepcionistas e assistentes de atendimento. Eles são capazes de orientar clientes, responder perguntas simples e apoiar tarefas de organização do fluxo de pessoas. Em países como Japão e Coreia do Sul, essa adoção é ainda mais acelerada, impulsionada tanto pelo avanço tecnológico quanto por fatores sociais, como o envelhecimento populacional e a falta de mão de obra em determinadas funções.

Na área da saúde, esses robôs começam a ocupar funções de apoio dentro de hospitais e centros de cuidado. Eles auxiliam na entrega de medicamentos, no transporte de materiais e até na companhia de pacientes em internações prolongadas. Já no varejo, passam a ser utilizados como guias dentro de lojas, ajudando consumidores a encontrar produtos, tirando dúvidas básicas e coletando dados que contribuem para estratégias mais precisas de experiência e consumo.

Toda essa evolução se torna ainda mais acelerada com os avanços recentes da inteligência artificial generativa, que vem ampliando significativamente as capacidades de sistemas automatizados. Estimativas do McKinsey Global Institute (2023) indicam que essa tecnologia pode adicionar trilhões de dólares à economia global ao longo da próxima década e impactar diretamente a estrutura de trabalho, ao ponto de automatizar ou transformar até 60% a 70% das atividades atualmente desempenhadas em diferentes funções. Com isso, os robôs deixam de operar de forma limitada e passam a interagir com mais naturalidade, compreender contextos com maior precisão e até tomar decisões simples com base nas situações que encontram. Mais do que executar tarefas, passam a aprender continuamente com interações humanas, elevando o nível de complexidade dessas máquinas.

A percepção sobre os robôs evolui à medida que eles deixam de ser vistos apenas como ferramentas industriais e passam a integrar de forma mais ampla as dinâmicas sociais e organizacionais, em um movimento que ainda se desenvolve, mas já indica consolidação em diferentes contextos de uso. Nesse cenário, a transformação do trabalho ocorre menos por substituição e mais por uma reorganização de funções. Conforme robôs otimizam tarefas, profissionais humanos se concentram em tarefas estratégicas, criativas e de maior valor agregado, redefinindo papéis dentro das organizações. Ainda assim, a adoção acontece de forma desigual, já que os custos de desenvolvimento e implementação seguem elevados, concentrando o uso em grandes empresas e mercados mais estruturados, embora exista uma tendência gradual de democratização.

No contexto industrial atual, a chamada IA física já é uma realidade consolidada, especialmente no uso de braços mecânicos em ambientes fabris que se tornam cada vez mais inteligentes. Com o avanço da visão computacional, esses sistemas passam a interpretar o ambiente, reconhecer variáveis em tempo real e responder de forma mais precisa às condições operacionais, ampliando a autonomia e a eficiência dos processos produtivos. Esse movimento reforça uma transformação mais ampla em curso, na qual a tecnologia deixa de atuar apenas como ferramenta e passa a integrar de forma estrutural as dinâmicas organizacionais. O cenário aponta menos para substituição e mais para integração entre inteligência artificial, automação e capacidade humana, reconfigurando modelos de trabalho e operação. Nesse novo arranjo, criatividade, pensamento crítico e sensibilidade seguem como diferenciais essencialmente humanos e ganham ainda mais relevância estratégica.

*Marcio Aguiar é diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina.

Sobre a NVIDIA

Desde sua fundação em 1993, a NVIDIA (NASDAQ: NVDA) tem sido pioneira em computação acelerada. A invenção da GPU pela empresa em 1999 estimulou o crescimento do mercado de games para PC, redefiniu a computação gráfica, iniciou a era da IA moderna e tem ajudado a digitalização industrial em todos os mercados. A NVIDIA agora é uma empresa de infraestrutura de computação full-stack com soluções em escala de data center que estão revolucionando o setor.

 


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