Núcleo de Estudos em Corporeidades Negras apresenta "Boi de Piranha" em circulação por São Paulo
Espetáculo cênico-musical percorre bairros da capital paulista com uma narrativa potente sobre Cangaço, masculinidades negras e marcas do colonialismo que ainda estão presentes na sociedade brasileira
O Núcleo de Estudos em Corporeidades Negras convida o público para a circulação do espetáculo cênico-musical “Boi de Piranha”, que será apresentado nos dias 07, 14, 15, 21, 22 e 28 de março, sempre às 16h30, em diferentes espaços da cidade de São Paulo.
Contemplado e patrocinado pela 9ª Edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia, da Prefeitura de São Paulo, o projeto reafirma uma luta histórica dos artistas das periferias da cidade por reconhecimento, investimento e políticas públicas estruturantes. A iniciativa também evidencia a potência artística e política desses territórios como espaços legítimos de criação, memória e produção de conhecimento e deslocam o centro do debate cultural.
A obra se passa em Bagaceira, cidade mítica e território de fronteira, povoado por migrantes nordestinos e seus filhos e netos, pessoas historicamente expostas a múltiplas violências. Em meio à peleja dura e à miséria persistente, Bagaceira também é terra de encantarias, de corpos de chão e sol, de gente que roda, balança, bambeia e não cai.
Fruto de uma pesquisa aprofundada sobre o Cangaço, o espetáculo investiga as intersecções entre raça e gênero, com foco nas masculinidades negras. A criação parte da compreensão de que raça é elemento estrutural e estruturante da sociedade brasileira, e de que o Estado, enquanto herdeiro de uma lógica colonial, preserva e reproduz privilégios e violências históricas contra populações negras e indígenas.
Com direção artística e dramaturgia de Kelly Santos, “Boi de Piranha” constrói uma narrativa potente que une teatro, música, dança e poesia para tensionar memória, território e identidade. A montagem, que tem uma extensa trilha sonora, executada ao vivo, com direção musical da percussionista baiana Loiá Fernandes, articula manifestações culturais e reflexões políticas, propondo ao público uma experiência sensível e crítica sobre as heranças do passado que reverberam no presente.
“Em 2018, quando nasce nosso Núcleo de Estudos, a Marielle é assassinada. Ano passado, durante a pesquisa de criação desse espetáculo, houve a chacina no Rio de Janeiro que deixou 122 mortos. Esses fatos nos afetaram profundamente. ‘Boi de Piranha’ também faz uma reflexão sobre a necropolítica e esses corpos que já nascem marcados para morrer. Boi de Piranha é o encontro do sertão com a quebrada. Sobretudo na zona leste, território de forte migração nordestina. Quem não é filha de nordestino, é neta. A partir daí, estabelecemos diálogos de reconhecimento, rupturas e reinvenções”, reflete Kelly Santos, diretora artística e dramaturga do espetáculo.
A circulação acontece nos seguintes locais:
07/03 – Praça Bom Pastor – Conj. Res. José Bonifácio
14 e 15/03 – Largo do Rosário – Penha de França
21 e 22/03 – Teatro Flávio Império (Parque Daniel Marques) – Cangaíba
28/03 – Praça Bom Pastor – Conj. Res. José Bonifácio
Serviço
Horário: 16h30
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
Duração: 90min
Ficha Técnica Boi de Piranha
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