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O esgotamento invisível do fim do ano: especialista revela como evitar a ‘tempestade perfeita’ emocional

  • Quinta, 11 Dezembro 2025 18:45
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Nathalia Vergara
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Docente da Faculdade Santa Casa de São Paulo explica sinais, causas e estratégias para enfrentar o período mais desafiador do calendário para a saúde emocional.

O fim do ano, tradicionalmente associado a celebrações e descanso, tem se tornado um dos períodos de maior vulnerabilidade emocional para a população. Um levantamento da Organização Mundial da Saúde aponta que sintomas de ansiedade e estresse tendem a aumentar em até 20% entre novembro e janeiro, em diversos países, impulsionados pelo acúmulo de demandas profissionais, pressões sociais e maior exposição às redes sociais.

Segundo o Prof. Dr. Victor Henrique Oyamada Otani, psiquiatra e docente do Departamento de Saúde Mental da Faculdade Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), essa combinação transforma o período em um território fértil para o adoecimento emocional.

“O fim do ano forma uma tempestade perfeita: metas não cumpridas, prazos acumulados, idealizações nas redes sociais, piora do sono, aumento do consumo de álcool e convivência forçada em alguns contextos”, afirma o especialista.

Sinais de alerta: quando o cansaço deixa de ser normal

Otani explica que o esgotamento emocional que muitas pessoas relatam em dezembro ultrapassa o cansaço típico da rotina. Sintomas como brain fog (nevoeiro mental), irritabilidade, alterações no sono, dores de cabeça, sintomas gastrointestinais e perda de interesse por atividades antes prazerosas merecem atenção.

Para o especialista, o padrão de mudança é claro: “É como se a bateria nunca carregasse totalmente, deixando a pessoa em constante sensação de cansaço.”

Burnout x cansaço de fim de ano

O burnout, segundo o psiquiatra, é um transtorno ocupacional, com nexo causal diretamente ligado ao trabalho. A principal diferença está na capacidade de recuperação.

“Se consigo descansar no fim de semana, provavelmente é o cansaço típico do período. No burnout, não há recuperação plena.”

A doença ocupacional está se tornando uma epidemia nacional. Em 2023, por exemplo, o país figurou entre os cinco com maior incidência de burnout no mundo, segundo dados internacionais de saúde ocupacional. Cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com essa síndrome, ficando atrás apenas do Japão.

A pressão das metas: quando o calendário se torna cobrança

Para o professor, grande parte da pressão percebida nessa época do ano é autoimposta e amplificada pelas redes sociais.

“Biologicamente, 1º de janeiro é igual a qualquer outro dia. Mas socialmente criamos significados que aumentam a cobrança. É preciso desenvolver flexibilidade cognitiva e entender que prazos podem ser ajustados.”

A sensação de “todo mundo conquistou algo, menos eu”, típica das redes no fim do ano, contribui para quadros de ansiedade, frustração e comparação social tóxica.

Solidão e luto: quando o período festivo se torna gatilho

O fim do ano também é desafiador para quem enfrenta perdas recentes ou se sente isolado. A exposição constante a imagens de famílias perfeitas e celebrações pode intensificar sentimentos de solidão e luto.

Estudos mostram que a solidão é um fator de risco para doenças físicas, incluindo eventos cardiovasculares. Uma estratégia recomendada pelo psiquiatra é reduzir o uso de redes sociais e buscar conexão real, como atividades voluntárias: “O voluntariado ativa centros de recompensa do cérebro e favorece um reencontro consigo mesmo.”

Como cuidar da saúde mental neste período

Para atravessar o fim do ano de forma mais saudável, o professor recomenda:

- reduzir o consumo de álcool;
- priorizar o sono;
- manter atividade física regular;
- adotar práticas de meditação e mindfulness;
- buscar psicoterapia como prevenção, não apenas tratamento.

O principal sinal de alerta é a queda de funcionalidade: “Se o estresse começa a impactar trabalho, relações e tarefas básicas, é hora de procurar ajuda profissional”, reforça.

Para o especialista, a saúde emocional no fim do ano depende menos da agenda e mais da capacidade de criar pausas intencionais: “Não é preciso renascer no dia 1º, nem resolver tudo antes do mês acabar. Às vezes, a maior demonstração de autocuidado é simplesmente permitir-se respirar.”

Sobre a Faculdade

Com mais de seis décadas dedicadas à formação de profissionais da saúde, a Faculdade Santa Casa de SP é reconhecida por sua excelência acadêmica, impacto científico e forte compromisso social. A instituição estimula iniciativas de inovação, contribuindo para soluções que transformam a prática de profissionais da área da saúde em todo o país.


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