Será preciso controlar o tráfego no espaço
Vivaldo José Breternitz
A Kayhan Space, uma empresa americana, está lançando uma ideia ambiciosa: desenvolver ferramentas que permitam o controle do tráfego dos satélites artificiais em órbita da Terra.
A empresa foi fundada por Araz Feyzi e Siamak Hesar, iranianos amigos de infância que foram para os Estados Unidos para cursar a universidade e ali ficaram.
O problema vem se agravando exponencialmente: dos cerca de 8 mil satélites hoje em órbita, devem se juntar milhares de outros, como os mais de 3 mil que serão lançados pela Amazon para compor sua rede Kuiper, que pretende prover serviços de banda larga com baixa latência aos domicílios americanos que não têm serviços desse tipo com boa qualidade.
Já a empresa de Elon Musk, a SpaceX pretende prover serviços desse tipo em escala mundial, para isso pretende lançar cerca de 30 mil satélites.
Esses números aumentam a probabilidade de colisão entre satélites, o que não dá para acreditar que possa ser evitado apenas com a automação desses veículos, já que para isso surgem questões como a necessidade de estabelecimento de regras, até similares às vigentes para o tráfego de automóveis: se dois satélites entrarem em rota de colisão, qual deles deve se desviar? Em que direção? Vale lembrar que não se consegue parar um satélite...
Para agravar o problema, os satélites atuais não são equipados para monitorar seus arredores, há o que se chama lixo espacial - incontáveis restos de foguetes e satélites que orbitam a Terra sem qualquer controle e até mesmo questões geopolíticas: talvez nem todos os países que lançam satélites queiram submeter seus veículos a algum tipo de restrição.
As ferramentas propostas por Feyzi e Hesar para resolver esses problemas são algoritmos que permitiriam aos sistemas controladores de satélites tomar decisões que evitem colisões. Esses algoritmos receberiam dados dos atuais sensores, instalados em terra, que controlam o curso dos satélites, mas que ainda não tem funcionalidades que permitem evitar colisões sem interferência de operadores humanos .
Evidentemente, a instalação de sensores desse tipo nos satélites, bem como a fixação de algumas regras para mudança de curso, pode ajudar a tornar o controle mais eficiente.
As ideias da Kayhan Space chamaram a atenção de organizações como a Força Aérea americana e dos governos de países como Holanda e Noruega, que se dispuseram a financiar o projeto.
Mas seus fundadores reiteram a necessidade de que organizações supranacionais discutam e fixem regras para o controle do tráfego de satélites.
Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie
A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.
Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.
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