Empresas revisam estratégia ESG após emissões indiretas atingirem até 95% do total
Dificuldade de medir impacto na cadeia de fornecedores impulsiona uso de tecnologia e expõe lacunas na gestão ambiental
A pressão por mais transparência sobre emissões e práticas ESG tem levado empresas a enfrentar um desafio ainda pouco resolvido, o de medir e gerenciar o impacto ambiental gerado fora de suas operações diretas, ao longo da cadeia de fornecedores.
Segundo dados do CDP (Carbon Disclosure Project), as chamadas emissões de Escopo 3, que incluem atividades como produção de matérias-primas, transporte, serviços terceirizados e descarte de produtos, podem ser, em média, até 26 vezes maiores do que aquelas geradas dentro das próprias empresas. Em alguns setores, representam entre 70% e 95% da pegada total de carbono.
De acordo com Lucas Madureira, Co-CEO e Co-Founder da Gedanken, empresa brasileira de tecnologia que trabalha com dados de homologação e compliance de terceiros, o dado expõe uma limitação estrutural das estratégias adotadas até aqui. “Existe uma dificuldade estrutural em acessar dados confiáveis ao longo da cadeia. São milhares de fornecedores, com níveis diferentes de maturidade e pouca padronização de informação”, comenta o executivo.
Madureira destaca que o tema tem ganhado relevância à medida que regulações internacionais e demandas de investidores passam a exigir maior transparência sobre o impacto ambiental das empresas. “Sem visibilidade sobre a cadeia, companhias ficam mais expostas a riscos ESG, que vão de eventos climáticos extremos a problemas trabalhistas e mudanças regulatórias em fornecedores”, aponta.
Nesse contexto, para lidar com a complexidade, as empresas têm apostado no uso de soluções tecnológicas voltadas à coleta, organização e análise de dados ao longo da cadeia de valor. O executivo explica que essas ferramentas permitem centralizar informações de fornecedores, acompanhar indicadores ambientais e monitorar riscos de forma contínua, algo considerado inviável em processos manuais, especialmente em cadeias globais.
“A tecnologia passa a ser um viabilizador. Sem esse tipo de estrutura, a cadeia vira uma caixa-preta, e a empresa não consegue nem medir nem gerir o próprio impacto”, diz Lucas.
O executivo aponta que esse movimento também começa a reposicionar áreas internas das companhias. Decisões de compras, historicamente baseadas em custo, prazo e qualidade, passam a incorporar critérios ambientais, ampliando a influência das empresas sobre práticas adotadas por fornecedores.
“Não é mais possível falar de sustentabilidade olhando apenas para dentro. A maior parte do impacto está fora, e é ali que as empresas começam a direcionar seus esforços”, afirma.
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