Maioria dos sinistros suspeitos não se confirma como fraude, apontam dados
O combate às fraudes é uma das principais frentes do mercado de seguros mas, na prática, nem tudo o que parece irregular é, de fato, uma tentativa de golpe. Em um cenário de investigações cada vez mais rigorosas, cresce também um ponto de atenção: o risco de situações legítimas serem interpretadas como fraude.
Dados do Sistema de Quantificação de Fraudes (SQF), divulgados pela CNseg, mostram que, no primeiro semestre de 2025, os sinistros suspeitos somaram R$ 3,36 bilhões, o equivalente a 15,1% do total registrado. No entanto, apenas R$ 734 milhões foram efetivamente comprovados como fraude, o que evidencia que uma parcela significativa dos casos fica em uma espécie de “zona cinzenta”.
Para Dorival Alves de Sousa, advogado, corretor de seguros, diretor do Sindicato dos Corretores de Seguros no Distrito Federal (Sincor-DF) e delegado representante da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), esse cenário exige equilíbrio. “A linha entre fraudes e situações legítimas é tênue. A análise excessiva pode levar a atrasos na liberação de indenizações e desgastes nas relações entre seguradoras e clientes”, afirma.
Entre os casos mais comuns que levantam suspeitas estão sinistros com informações incompletas, divergências de versão ou até exagero na descrição dos danos, situações que nem sempre configuram fraude, mas acabam entrando no radar das seguradoras.
Por outro lado, há práticas claramente fraudulentas, como a simulação de roubos em seguros de automóvel ou a apresentação de documentos falsos em seguros de vida. “A fraude é crime previsto no Código Penal, com pena de 2 a 8 anos de prisão, além de multa”, reforça Dorival.
O problema é que o endurecimento das análises, necessário para combater irregularidades, pode gerar efeitos colaterais. “Consumidores honestos acabam enfrentando processos mais rigorosos e, muitas vezes, demora na análise dos sinistros”, destaca.
Esse cenário impacta diretamente a experiência do segurado e também o trabalho do corretor, que passa a atuar como peça-chave na mediação de expectativas e na orientação do cliente. Informações mal preenchidas, falta de documentação ou até desconhecimento das regras do contrato podem transformar um sinistro legítimo em um caso suspeito.
Na avaliação do especialista, o caminho está no uso de inteligência e na melhoria dos processos. “É fundamental investir em tecnologia de análise de dados, treinamento das equipes e comunicação transparente, para identificar padrões de fraude sem penalizar quem agiu de boa-fé”, explica.
Em um mercado que movimenta bilhões, o desafio é claro: combater fraudes sem transformar o segurado em suspeito. E, nesse equilíbrio, a informação correta e o papel consultivo do corretor fazem toda a diferença.
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